02/12/2022
Oi pessoal... Vamos atualizar esse feed?!?
Para quem não me conhece, eu sou a Lívia, diagnosticada autista Leve, hoje tenho 19 anos e essa página fala sobre meu diagnóstico, então venho aqui falar com vcs um pouquinho sobre mim...
Já ouviu aquela frase?
"Nem parece autista"
Pois é...
Eu sou alguém comum na sua vida.
Eu posso estar a seu lado na fila do banco, posso ser sua cliente na loja, posso ser sua vizinha, posso ser sua amiga, posso cruzar com você na rua, e você nem perceberá minha limitação. Posso ser ativa e independente. Sou inteligente assim como você. Não me subestime.
Mas mesmo assim preciso de um pouco mais de compreensão.
Eu posso ter "crises de pânico", mas não tenho a síndrome do pânico, isso acontece por sobrecarga de informação sensorial.
Posso precisar de medicamentos, e isso não tem nada haver com grau do autismo, tem haver com as comorbidades associadas, como ansiedade por exemplo.
Preciso ser incluída nas atividades escolares e sociais, pois minha interação é limitada. Hoje, graças a luta constante da minha mãe por inclusão e igualmente de direitos eu estou cursando o quarto período da faculdade de educação física.
Se eu disser coisas "estranhas", não me recrimine, pois para mim é normal. Sou lógica, direta e sem filtro como vcs constumam dizer, mas não é por maldade, é pura sinceridade mesmo.
Posso ter crises e isso não se trata de birras, a minhas crises não são por falta de educação vinda dos meus pais.
Quando chego em algum lugar e não falo com ninguém, posso até parecer mal educada, mas não sou, eu não consigo iniciar uma conversa com vc, mas se vc falar comigo eu respondo, tenho sérios problemas de interação social.
Preciso me movimentar o tempo todo, isso me acalma. Para vcs são esteriotipias, para mim, auto-regulação dos sentidos.
Posso ser desatenta mas tudo que me é interessante mergulho a fundo, o tal hiperfoco... No meu caso, o esporte me encanta.
Preciso ser motivada sempre, meus acertos reforçados, pois tudo que alcança minhas emoções são assimiladas. Assim eu aprendo com mais facilidade e guardo.
Posso parecer as vezes não ouvir, mas na verdade estou hiperfocada em meus pensamentos. Como dizem por aí, no meu mundo.
O toque pode me agredir, isso chama-se sensibilidade, não me entenda mal.
Tenho dificuldades para lavar e pentear os cabelos e por conta dessa sensibilidade sinto dores horríveis na cabeça, por esse motivo optei por cabelos curtos.
Haverá dias que estarei com humor péssimo, me compreenda, preciso desse espaço para minha auto regulação.
Pareço estranha? Você também me parece.
Quem disse que não tenho habilidade imaginativa? Pode ser até maior que a sua.
Gosto de falar e me aprofundar em um determinado assunto e isso pode ser usado ao meu favor.
Posso ser muito calma em determinados lugares e "agitada" em casa. Me perdoe por isso, mas minha casa e principalmente minha mãe são meus portos seguros, onde eu posso relaxar e ser eu de verdade, sem que ninguém fique me observando ou me recriminando, eu sei que as vezes isso sobrecarrega minha mãe, mas eu também sei que o amor que ela tem por mim a torna a mulher mais forte desse mundo e somente ela me ajuda a superar essa agitação.
Preciso de rotina e antecipação dos fatos para me sentir bem, tenho muita dificuldade em aceitar mudanças inesperadas, isso desorganiza meu sensorial.
Sou extremamente visual, concreta. Tudo que vejo, pego e vivencio eu aprendo.
Necessito de priorização nos atendimentos. Posso não conseguir esperar e a quebra da minha rotina pode me desorganizar e isso gera crises, muitas vezes internas como crises de anciedade. Eu tenho transtorno do processamento sensorial que pode atingir até o meu 6° sentido.
Meu ouvido é sensível, me irrito com os barulhos que não incomodam ninguém mais além de mim. Dizem que é frescura minha.
Mas depois de um tempo, meu ouvido f**a seletivo. É um mecanismo de defesa contra esses barulhos. O problema é que me torno mais dispersa do que nunca. Também tenho um pouco de seletividade alimentar, paladar, textura, muita coisa me incomoda.
Respeite as diferenças, nunca se sabe quando estaremos diante de um Autista.
Não é que o AUTISMO não tem cara, o problema é que as pessoas não tem informações sobre o espectro autista.
Autismo Inclusão Respeito
Lívia Estter Ferreira
Monique Estter Ferreira
Diário Autista - Síndrome de Asperger