Diário Autista - Síndrome De Asperger

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13/03/2024

E hoje é dia de comemorar... Lívia faz 21
"Eu lembro das vezes que eu orei pedindo a Deus que me desse você, eu lembro de como eu chorei no dia que descobri que você já estava na minha barriga, eu lembro de cada emoção vivida na expectativa da sua chegada...
Eu lembro da minha alegria quando você nasceu, quando te vi e te peguei no colo pela primeira vez...
Nunca vou esquecer do dia em que você disse "mamãe" pela primeira vez, e fez com que os meus olhos brilhassem com tanta alegria!
Quando você disse que me amava pela primeira vez, foi como receber de presente um coração novo, que batia com ainda mais força.
São tantos os momentos inesquecíveis, como o primeiro dia de escola, as primeiras vitórias que eu comemorei do teu lado.
Eu lembro também das dificuldade que passamos até receber seu diagnóstico. Eu lembro de cada crise sensorial que vc teve e lembro também de cada conquista comemorada como se fosse um prêmio Nobel, e era, sempre foi. Eu lembro de tudo até aqui...
O tempo foi passando, você foi crescendo e eu tive o privilégio de acompanhar cada passo importante da tua evolução. Uma bebê linda se transformou em uma menina carinhosa e agora está se tornado uma mulher maravilhosa.
E aí eu paro pra pensar com valeu apena acreditar nas promessas do Senhor, como valeu apena lutar dia após dia com todas as nossas forças. Você é a prova viva de que diagnóstico não é destino. E viva você filha!
Que você mantenha bem vivo o desejo de vencer e conquistar todos os teus sonhos, e que possa manter esse brilho especial nos olhos que encanta todo o mundo!
Obrigada por ser minha filha, obrigada por mostrar todos os dias o que é amor de verdade.
Hoje eu desejo que a graça e o favor de Deus estejam sobre a sua vida nessa nova estação.
Parabéns por mais um ano, minha filha linda!"



29/04/2023

Vamos conhecer um pouco mais sobre o ‘grau mais leve’, o chamado Autismo de suporte nível 1
Ele tem algumas características específ**as como: contato visual não consistente; dificuldades na flexibilização de regras, preferindo a manutenção de padrões; problemas na interação com as pessoas, entender piadas, ironias ou sarcasmo; e podem ter sensibilidades, seletividade alimentar, ter estereotipias, ou seja, comportamentos ou verbais repetitivos.
Lívia começou a apresentar os primeiros sinais de TEA aos três anos de idade. Especialmente a dificuldade em lidar com barulhos altos e cheiros que só ela sentia. Além de dificuldade em manter contato visual, lidar com mudanças na rotina e de se socializar com crianças da mesma faixa etária, também apresentava sensibilidade ao toque e estereotipias. Ela tem altas habilidades também, então, apresentava hiperfoco em esportes e a escola me chamava para dizer que ela incomodava os colegas com suas contribuições e vontade de saber informações que não eram compatíveis com a turma.
Hoje, Lívia tem 20 anos, e aquele hiperfoco da infância se tornou uma razão para lutar e prosseguir rumo ao seu sonho, o hiperfoco tornou sua evolução visível, cresceu fazendo esportes, ela cursa o quinto período da faculdade de educação física, é aluna nota dez, frequenta a academia e leva uma vida "normal" dentro da sua condição. O autismo?!? Ah ele continua ali, porque o autista cresce mas não sai do espectro. Muitas pessoas não acreditam que Lívia está no TEA.
“Muita gente espera sinais clássicos do autismo e não entendem como uma criança que fala pelos cotovelos, não tem dificuldade de aprendizado e é aluna nota dez pode estar no espectro." Lívia é incrível, eu sei, ela é especial de verdade.
O laudo foi essencial para essa evolução, só me ajudou compreender o que acontece na cabeça dela, do que precisa para se regular e ajuda a encontrarmos soluções juntas. Fácil?!? Não é não. Uma luta diária, incansável, uma vida de terapias, crises de ansiedade, choros que duram uma noite inteira, mas, a certeza de que temos um Deus que cuida de nós.



Photos from Diário Autista - Síndrome De Asperger's post 25/04/2023

O que são as estereotipias no autismo?!? 🧩
Bora entender um pouquinho sobre o autismo na vida real 🙌🏻



03/04/2023

2 de abril Dia Mundial da Conscientização do Autismo 🧩
"O autismo é uma jornada e, para todos, a jornada é única."
Seguimos nessa jornada...
Trabalho maravilhoso da artista 👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻 Amamos ♥️



25/03/2023

Eu sou várias... Há multidões em mim. Eu sou a mãe atípica, aquela mulher forte e corajosa que enfrenta vários obstáculos e ao mesmo tempo a frágil que as vezes, também precisa de colo. Eu sou muitas e nenhuma das minhas inúmeras versões anula a outra.
Hoje meu post é sobre isso... Sobre aparecer aqui dessa forma, sem filtro, sem máscara, exausta... Só pra vcs entenderem que aquela deficiência invisível aos olhos, as vezes é a que mais cansa... Quando me tornei mãe, eu sabia que a maternidade exigiria muito de mim, que filho exige cuidados, mas eu não fui preparada para viver uma maternidade atípica, eu não recebi nenhum manual de instruções, aprendi na marra mesmo. Na verdade, Deus me capacitou, logo eu, a improvável... Puxa... E eu me tornei "a mãe" e minha filha explodiu na evolução, eu não romantizo o autismo, eu vivo um amor incondicional é pela minha filha, eu vibro por cada conquista dela, e a menina é demais viu, é vitória atrás de vitória.
Mas, eu... Há eu vivo em estado constante de alerta.
Alerta para interpretar as necessidades dela, alerta para evitar possíveis crises, ou, lidar com elas. Alerta para a seletividade alimentar, alerta para compreender as suas dores, já que, muitas vezes ela não fala, só muda o comportamento. Alerta para os resultados das terapias, alerta para os bombardeios sensoriais, alerta para as regras sociais e assim por diante... Minhas noites são mal dormidas, não porque minha filha dorme mal, pelo contrário, ela dorme suuuuuper bem, mas o meu organismo f**a tão alerta o dia todo, é uma vigilância constante, um estresse tão profundo, que até conseguir relaxar ao ponto de dormir, lá se vão muitas horas.
Eu não sou uma super he***na incansável, e nem um ser de luz super evoluído. Sou simplesmente mulher, mãe, ser humano... E quero o que todos querem: Amor, paz, respeito, empatia e inclusão...
Não estou reclamando, ah vcs não vão me ver reclamar... Esse post é só para vcs entenderem que cansa... E como cansa... E tá tudo bem. Porque Deus dá suporte sabe, Ele renova e como a própria palavra diz: "o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã"
Quando vcs verem uma mãe de autista, cansada, exausta, estressada... Não julgue, é fácil criticar quando não se calçam os mesmos sapatos.



Monique Estter

02/12/2022

Oi pessoal... Vamos atualizar esse feed?!?

Para quem não me conhece, eu sou a Lívia, diagnosticada autista Leve, hoje tenho 19 anos e essa página fala sobre meu diagnóstico, então venho aqui falar com vcs um pouquinho sobre mim...

Já ouviu aquela frase?
"Nem parece autista"
Pois é...
Eu sou alguém comum na sua vida.

Eu posso estar a seu lado na fila do banco, posso ser sua cliente na loja, posso ser sua vizinha, posso ser sua amiga, posso cruzar com você na rua, e você nem perceberá minha limitação. Posso ser ativa e independente. Sou inteligente assim como você. Não me subestime.
Mas mesmo assim preciso de um pouco mais de compreensão.
Eu posso ter "crises de pânico", mas não tenho a síndrome do pânico, isso acontece por sobrecarga de informação sensorial.
Posso precisar de medicamentos, e isso não tem nada haver com grau do autismo, tem haver com as comorbidades associadas, como ansiedade por exemplo.
Preciso ser incluída nas atividades escolares e sociais, pois minha interação é limitada. Hoje, graças a luta constante da minha mãe por inclusão e igualmente de direitos eu estou cursando o quarto período da faculdade de educação física.
Se eu disser coisas "estranhas", não me recrimine, pois para mim é normal. Sou lógica, direta e sem filtro como vcs constumam dizer, mas não é por maldade, é pura sinceridade mesmo.
Posso ter crises e isso não se trata de birras, a minhas crises não são por falta de educação vinda dos meus pais.
Quando chego em algum lugar e não falo com ninguém, posso até parecer mal educada, mas não sou, eu não consigo iniciar uma conversa com vc, mas se vc falar comigo eu respondo, tenho sérios problemas de interação social.
Preciso me movimentar o tempo todo, isso me acalma. Para vcs são esteriotipias, para mim, auto-regulação dos sentidos.
Posso ser desatenta mas tudo que me é interessante mergulho a fundo, o tal hiperfoco... No meu caso, o esporte me encanta.
Preciso ser motivada sempre, meus acertos reforçados, pois tudo que alcança minhas emoções são assimiladas. Assim eu aprendo com mais facilidade e guardo.
Posso parecer as vezes não ouvir, mas na verdade estou hiperfocada em meus pensamentos. Como dizem por aí, no meu mundo.
O toque pode me agredir, isso chama-se sensibilidade, não me entenda mal.
Tenho dificuldades para lavar e pentear os cabelos e por conta dessa sensibilidade sinto dores horríveis na cabeça, por esse motivo optei por cabelos curtos.
Haverá dias que estarei com humor péssimo, me compreenda, preciso desse espaço para minha auto regulação.
Pareço estranha? Você também me parece.
Quem disse que não tenho habilidade imaginativa? Pode ser até maior que a sua.
Gosto de falar e me aprofundar em um determinado assunto e isso pode ser usado ao meu favor.
Posso ser muito calma em determinados lugares e "agitada" em casa. Me perdoe por isso, mas minha casa e principalmente minha mãe são meus portos seguros, onde eu posso relaxar e ser eu de verdade, sem que ninguém fique me observando ou me recriminando, eu sei que as vezes isso sobrecarrega minha mãe, mas eu também sei que o amor que ela tem por mim a torna a mulher mais forte desse mundo e somente ela me ajuda a superar essa agitação.
Preciso de rotina e antecipação dos fatos para me sentir bem, tenho muita dificuldade em aceitar mudanças inesperadas, isso desorganiza meu sensorial.
Sou extremamente visual, concreta. Tudo que vejo, pego e vivencio eu aprendo.
Necessito de priorização nos atendimentos. Posso não conseguir esperar e a quebra da minha rotina pode me desorganizar e isso gera crises, muitas vezes internas como crises de anciedade. Eu tenho transtorno do processamento sensorial que pode atingir até o meu 6° sentido.
Meu ouvido é sensível, me irrito com os barulhos que não incomodam ninguém mais além de mim. Dizem que é frescura minha.
Mas depois de um tempo, meu ouvido f**a seletivo. É um mecanismo de defesa contra esses barulhos. O problema é que me torno mais dispersa do que nunca. Também tenho um pouco de seletividade alimentar, paladar, textura, muita coisa me incomoda.

Respeite as diferenças, nunca se sabe quando estaremos diante de um Autista.

Não é que o AUTISMO não tem cara, o problema é que as pessoas não tem informações sobre o espectro autista.

Autismo Inclusão Respeito

Lívia Estter Ferreira
Monique Estter Ferreira
Diário Autista - Síndrome de Asperger

26/06/2022

Lutar sempre... Desistir, jamais. 🧩

Projeto garante presença de acompanhante junto a paciente autista internado em UTI - Notícias 11/09/2021

Pessoal, votem e comentem este projeto.
Tem pouquíssimos votos.
É de extrema importância que, quando adultos, as pessoas com deficiência intelectual possam ter a presença dos pais ou responsáveis na UTI, o que é hoje permitido apenas na pediatria.
Imaginem como f**a a pessoa internada e como f**a a família, sem poder estar junto.
Somos, muitas vezes, a voz dos nossos filhos. Precisamos estar com eles, sempre.
Nos ajudem, por favor.

Projeto garante presença de acompanhante junto a paciente autista internado em UTI - Notícias O acompanhamento deverá preferencialmente ser realizado pelo familiar ou responsável do paciente

10/09/2021

Vamos falar do brinquedinho que virou a moda do momento!?!?

Fidget Toys ou Pop It

Afinal de contas, qual a finalidade de um pedaço de "plástico" com bolinhas coloridas?

Tudo começou com a engenheira química Catherine Hettinger, a inventora do fidget que o criou no longínquo ano de 1993 para servir como escape de energia acumulada de crianças autistas, além de ajudar no tratamento de ansiedade, e transtorno de deficit de atenção e hiperatividade.
“São coloridos, chamativos e a forma de brincar é com movimentos repetitivos, o que contribui para o desenvolvimento cognitivo, a coordenação motora fina, o raciocínio e até em questões pedagógicas, como padrões, contagem, agrupamento e pode ser um recurso incrível se bem utilizado”. Mais do que seu papel na saúde mental, o item exercita ainda habilidades interessantes ao desenvolvimento infantil e funciona como ferramenta importante inclusive para o trabalho com crianças autistas, que têm grande sensibilidade a texturas e ao toque. "O brinquedo auxilia na concentração das crianças, na organização espacial - ao apertar um lado e depois o outro, começa a exercitar uma sequência lógica. Ou seja, é uma maneira de estimular o cérebro, além de trabalhar a coordenação motora fina e a percepção".
E não para por aí! Os pais e educadores não precisam f**ar limitados às funções básicas do Pop It, podendo usar o utensílio como base para outras atividades. "É interessante que quem estiver junto na brincadeira tente introduzir outra funcionalidade para variar. Por exemplo, apertar duas bolinhas e pedir para que a criança aperte outras duas e faça a soma, ou então treinar a identif**ação das cores e outras propostas divertidas de acordo com o nível de desenvolvimento da criança".
O Pop It pode sim ser uma ferramenta bacana para ajudar o pequeno a lidar com as emoções. No entanto, o brinquedo não funciona como solução absoluta, e é importante que os pais ensinem seus filhos a canalizarem a ansiedade de outras maneiras. Nisso, entra a atividade física ou até mesmo práticas meditativas, como ioga ou respiração diafragmática, para se acalmarem, mas, acima de tudo, o diálogo aberto entre os integrantes da família.

"Os pais devem sempre conversar sobre as emoções com as crianças". E essa conversa pode partir inclusive de momentos descontraídos do dia a dia, como no meio de uma brincadeira.
É realmente bom para desestressar?
De fato, a brincadeira com os Fidget Toys pode promover uma desaceleração mental e ser ef**az para interromper o fluxo de pensamentos, reduzindo consequentemente a inquietação dos pequenos. Não é à toa que o ápice de vendas do brinquedo aconteceu justamente durante a pandemia da covid-19.

"Muitas pessoas acham que criança não tem estresse, mas tem, principalmente no momento em que estamos vivendo em que tudo é novidade. Os adultos estão sofrendo com a pandemia e com o isolamento, mas têm condições de verbalizar, de expressar o que estão sentindo. Já as crianças, não possuem todos os elementos de linguagem para se expressarem, e podem acabar tendo estresse, depressão, aumento de ansiedade, dentre outros comportamentos",
Também precisamos tentar diminuir o uso da tecnologia, tanto dos aplicativos quanto vídeos, que fazem com que a criança perca a essência do contato físico, da fala… Vale a pena evitar que mexam no celular durante as refeições, além de resgatar brincadeiras simples, e perguntar sobre como foi o dia do filho, até para que ele se sinta importante e acolhido.
Já se os adultos notarem que as estratégias não estão sendo o suficiente - ou que o pequeno está estressado e brincando excessivamente com o utensílio, vale a pena prestar atenção no entorno, e em como anda o ambiente familiar e as outras esferas da vida da criança.
Podemos nos perguntar: Será que o estresse da criança está muito elevado? Será que é hora de buscar ajuda de um profissional de saúde mental? Através do auxílio de um psicólogo ou psicanalista, o pequeno pode conseguir extravasar os seus sentimentos, comunicando-se melhor e melhorando a qualidade de suas interações com o mundo adulto e com as crianças ao seu redor.
Tudo faz bem dentro dos limites.

Monique Estter Ferreira
Diário Autista - Síndrome de Asperger

23/08/2021

E por incrível que pareça a gangorra existe na vida real.
Onde? você se perguntará.
A resposta é simples: No relacionamento social.

18/08/2021

Precisamos falar de EDUCAÇÃO E INCLUSÃO com as duas palavras na mesma frase.

Há alguns anos, eu ouvi de outra mãe que minha filha iria atrapalhar o aproveitamento escolar dos outros alunos da sala. E ouvi da diretora de uma renomada escola da minha cidade que a mesma não tinha condição de continuar com minha filha porque não estava conseguindo acompanhar a "lógica de aprendizado dela".

Foi um soco no estômago.

A sensação se repetiu essa semana ao ouvir o Ministro da Educação do meu país repetir a mesma frase. A diferença dessa vez, é que ele não atingiu uma mãe fragilizada.

A frase encontrou a mãe de uma jovem autista que foi incluída e que está cursando o segundo período da faculdade de Educação Física. Encontrou uma mulher que estudou muito sobre inclusão escolar nos últimos anos e uma profissional que vivencia isso no seu dia a dia, que conhece os obstáculos, mas que tem plena certeza dos benefícios para TODOS os alunos.

O senhor Ministro da Educação defende salas separadas para alunos com deficiência. Ao invés de lutar pela necessária capacitação da equipe pedagógica e recursos para a área, ele defende o retrocesso, a segregação e o preconceito. F**a claro que não faz a mínima ideia do que é, de fato, a EDUCAÇÃO e muito menos a INCLUSÃO.

Que nossa indignação e repulsa possa repercutir em todos os cantos do país e contribuir para o debate democrático sobre os rumos que queremos tomar nos próximos anos. E que a EDUCAÇÃO e a INCLUSÃO sejam sempre ditas na mesma frase, porque uma não pode viver sem a outra.

Monique Estter Ferreira
Diário Autista - Síndrome de Asperger

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