24/09/2026
Formação e debate
Café Geopolítico debate guerra de informação e impactos sobre a democracia
Atividade realizada no ASUFPel reuniu servidores/as, estudantes, professores/as e comunidade para discutir desinformação, big techs, soberania digital e os novos instrumentos de disputa no cenário internacional
O avanço das redes sociais, da inteligência artificial e da coleta massiva de dados ampliou as possibilidades de interferência sobre a opinião pública e trouxe novos desafios para a democracia e a soberania dos países. O tema esteve no centro de mais uma edição do Café Geopolítico, realizada nesta quinta-feira (17), na sede do ASUFPel.
A atividade integra a parceria entre o Sindicato e o curso de Relações Internacionais da UFPel e reuniu servidores/as Técnico-Administrativos/as em Educação, estudantes, professores/as e integrantes da comunidade. A palestra “A Guerra de Informação e seus impactos nos conflitos internacionais” foi conduzida pelo professor Dr. Luciano Vaz.
Na abertura, o coordenador da Pasta de Política e Formação do ASUFPel, Daniel Berbare, destacou o caráter formativo da iniciativa e a construção da parceria com o curso de Relações Internacionais. O projeto busca aproximar da comunidade debates que passam pela universidade e também impactam diretamente a sociedade.
Ao longo da exposição, Luciano recuperou o uso histórico das operações psicológicas nos conflitos internacionais e mostrou como práticas antes associadas ao rádio, aos panfletos e à televisão migraram para o ambiente digital. Para ele, a principal mudança está na dimensão alcançada pela tecnologia. Smartphones, redes sociais, mineração de dados e inteligência artificial permitem produzir, direcionar e distribuir conteúdos em uma escala e velocidade sem precedentes.
Outro ponto destacado foi a forma como a informação circula nas redes. Conteúdos sem autoria identificada podem chegar por meio de amigos/as, familiares e grupos de convivência, ganhando uma aparência de proximidade e credibilidade. Ao mesmo tempo, perfis falsos, redes automatizadas e algoritmos são capazes de impulsionar determinados assuntos e fortalecer bolhas em que usuários/as passam a ter contato, sobretudo, com posições semelhantes às suas.
O debate também abordou os efeitos desse processo sobre a democracia. Luciano relacionou a disseminação da desinformação e a perda de confiança nas instituições ao risco de erosão democrática e chamou atenção para a vulnerabilidade de países como o Brasil diante da capacidade tecnológica das grandes potências.
Durante o diálogo com o público, soberania digital, atuação das big techs, proteção de dados e educação ganharam espaço. Para Luciano, o Brasil precisa aprofundar a discussão sobre regulação das plataformas e tratar os dados como recurso estratégico.
Nesse cenário, ressaltou também o papel das universidades na formação do pensamento crítico, criando espaços em que as informações recebidas diariamente possam ser debatidas e questionadas.
A atividade terminou com a participação do público e a discussão de alternativas para enfrentar a desinformação. Entre os caminhos apresentados estiveram experiências internacionais de regulação, mecanismos de comunicação estratégica e maior mobilização da sociedade civil em torno da soberania digital.
ASUFPel 47 Anos – Uma História de Lutas