21/11/2018
Na segunda-feira, dia 19/11, foi aberta a Semana da Diversidade de Pelotas, com eventos que visam dar visibilidade e voz para a comunidade LGBTI+. Até domingo, dia 25/11, acontecerão eventos pela cidade de Pelotas, incluindo exposições de arte e design e a Parada da Diversidade, que encerrará a semana.
Com isso, durante a tarde de segunda-feira, a prefeita de Pelotas assinou dois decretos, regulamentando o Conselho LGBT de Pelotas e nomeando a esquina das ruas Barão de Santa Tecla e Dr. Cassiano com o nome da Tr****ti Juliana Martinelli, ativista pelotense que morreu no ano passado.
O que pode, num primeiro momento, parecer uma homenagem empoderadora e positiva, na verdade reforça o estigma social do lugar que pode ser ocupado por uma tr****ti. A Santa Tecla é uma rua historicamente conhecida como ponto de prostituição de tr****tis, onde essas meninas que vão para as esquinas, estão trabalhando para terem onde morar, o que comer, o que vestir. Mas por que elas estão se prostituindo? Porque foram expulsas de casa por pais preconceituosos, foram expulsas da escola por um sistema excludente e violento que não se preocupa com a permanência e êxito de pessoas trans e foram expulsas do convívio social por uma sociedade transfóbica que não quer ver tr****tis no centro durante a tarde porque tem nojo e medo de tr****tis.
A sociedade cisgênera enxerga as tr****tis como putas, drogadas e bandidas, só admite que elas apareçam à noite, quando as crianças já estiverem na cama, nas esquinas longe do centro comercial. A sociedade cisgênera não dá outra opção de vida para as tr****tis, apenas marca seus corpos como abjetos e as joga para as margens da sociedade, onde não precisam ligar pra sua existência.
Homenagear uma tr****ti colocando seu nome em uma esquina, é reafirmar que tr****tis podem até existir, desde que existam no lugar que se reserva pra elas: longe das praças do centro da cidade, longe da academia e longe dos espaços cisgêneros, em uma esquina. A esquina Tr****ti Juliana Martinelli, não empodera mulheres trans a saírem da rua para ocupar os espaços e TRANSformar as estruturas transfóbicas, é só um lembrete de onde a sociedade espera que uma tr****ti esteja, fique e morra calada, esquartejada, arregaçada e longe dos olhos higienistas da sociedade cisgênera.
Enquanto movimento LGBTI+, podemos enfrentar divergências e até discordar e criticar certas ações, ainda que lutemos sempre juntos. Qualquer crítica deve estar acompanhada da consciência de que não estamos nós contra nós, mas juntas contra as estruturas que nos oprimem, protegendo sempre umas às outras. Ninguém solta a mão de ninguém.
Ontem foi um dia histórico!
A prefeita Paula Mascarenhas assinou o decreto que nomeia a esquina da Rua Barão de Santa Tecla com a Rua Dr. Cassiano com o nome da Tr****ti Juliana Martinelli, primeira esquina com nome de uma tr****ti no MUNDO! Também assinou o decreto que regulamenta o Conselho LGBT de Pelotas!
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