19/11/2019
Nota de repúdio do Movimento Estudantil de Passos sobre o CONUEMG.
Um congresso universitário deve ser um espaço de construção do Movimento Estudantil, mesmo com as mais variadas visões de mundo o sentimento de fraternidade deve ser o que norteia as ações ao tratar com o outro estudante, pois afinal de contas somos todos estudantes e devemos nos reconhecer como uma classe só, todos nós após nos formarmos seremos trabalhadores e venderemos nossa força de trabalho para o sistema capitalista, ou seja, seremos todos proletários. Como bem dito na internacional:
"...Paz entre nós, guerra aos senhores
Façamos greve de soldados
Somos irmãos, trabalhadores..."
Para a nossa surpresa logo ao chegar no congresso descobrimos que a ansiedade para a chegada da delegação de Passos estava atrelada a vontade de descobrir quantos delegados levaríamos, ao ponto de quando discordamos do setor que hoje compõem este novo "DCE", ilegítimo, nos foi dito que não importa o que fizéssemos já que não levamos todos os nossos delegados que eles não aceitariam construir nada que não viesse deles, acho importante pontuar que os coletivos Levante Popular da Juventude e Luta, coletivos petistas, são as principais forças deste verdadeiro circo e reproduziram de maneira quase exata a atuação de sua linha parlamentar, o PT, alianças espúrias com a finalidade de construir um projeto de poder e não de construir a luta, longe disso, a luta contra aqueles nos afligem está bem longe do projeto desse setor da universidade, pois a principal necessidade de se formar um DCE dessa maneira torpe é um pedido da reitoria, mostrando como este grupo capacho da reitoria pouco se importa com o que pensam os alunos da universidade mas querem aprovação de quem pouco se importa com que o movimento seja realmente combativo e organizado. Quem está do lado da reitoria não nos representa.
Como sempre no movimento estudantil, foi reproduzido o que há de pior no modelo da democracia burguesa, onde alguns ditos progressistas estavam mais preocupados com ocupar a burocracia do que construir luta emancipatória, foram prometidos cargos dentro dessa "gestão", que viria a se formar, a várias unidade em troca de comprar os setores que não concordavam com a maneira que estava sendo levado o processo, reprodução de um dos métodos mais nojentos de se fazer política na democracia burguesa onde para-se de discutir ideias e concepções ideológicas e começam a negociar benesses individuais, esse setor pouco se importa com o estudante apenas quer exercer poder. Nossas discordâncias vinham desde quando participava da Comissão Organizadora do congresso, as figuras de liderança da unidades de Divinópolis, sede do congresso, e João Monlevade que estavam à frente da organização, em vários momentos atropelaram diversas vezes as necessidades de outras unidades para fazer uma programação de autopromoção petista e não uma programação de formação política dos estudantes delegados, todas as mesas foram compostas por parlamentares e operadores do Estado ligados ao partido dos trabalhadores, e como não era de se estranhar de quem faz aliança com partidos como PMDB, PP, antigo partido de Bolsonaro, e vários setores da direita, estes parlamentares utilizaram com maestria a oportunidade e fizeram uma "ótima" campanha gratuita, achamos que seria mais apropriado que esse congresso tivesse sido chamado de congresso da juventude petista da UEMG. Com muito esforço e quase de última hora alguns setores contrários a esse projeto apresentado pela juventude petista conseguiram incluir na programação uma mesa com professores, técnicos e estudantes, única mesa que tratava da perspectiva universitária por quem vive e constrói a UEMG.
A parte da programação parecia ser o que de pior poderia acontecer no congresso, porém não poderíamos estar mais enganados, a plenária final foi um verdadeiro circo de horrores, durante o congresso as unidades que discordaram da maneira torpe como estava sendo conduzido o congresso e se reuniram para se alinhar e descobrir como combater toda essa política medíocre, foram taxadas para às bancadas de outras unidades como inimigos e aqueles querem destruir o movimento estudantil por não querermos unidade com esse projeto de poder, como se fosse possível ter unidade com quem leva a política desta forma. Este maniqueísmo mostra outra herança do PT que necessita acirrar os polos para ocupar o poder, como fez com PSBD antigo arquirrival e como faz hoje com Bolsonaro, sem PT, Bolsonaro é nada e sem Bolsonaro, o PT é nada. Estavam presentes duas figuras emblemáticas um professor da rede Estadual de São Paulo e um Ex-Aluno da unidade de Divinópolis, que coordenaram seus "pupilos", essas lideranças já há muito tempo não deveriam construir o movimento estudantil diretamente, e sim outros espaços da luta, mas duvido que lutem, em outros espaços irão reproduzir essa lógica de que ocupar a burocracia e os espaços de poder é mais vantajoso do que fazer a luta e construção da consciência de classe. Esses dirigentes pareciam verdadeiros regentes, com alguns toques de mãos seu delegados erguiam seus votos, os delegados das suas bancadas não possuíam autonomia alguma, votavam como mandavam e não pelo que estava sendo proposto ou pelo que acreditavam, ou seja, dois "senhores maduros" vieram para infantilizar e engessar ainda mais o movimento estudantil, esses tipos de direção geram um deserviço para luta e reproduzem práticas liberais que corroboram com a estrutura de opressão do capitalismo. Tanto são nocivos que a primeira pauta proposta para mudança do estatuto, um dos piores que já tiveram a coragem de produzir, era de explicitar que o DCE também representa os alunos de ensino a distância, pois a organização do congresso proibiu que os alunos de ensino a distância da FAE tivessem representação no congresso, fora que em momento nenhum foi pensado em incluir os alunos do ensino a distância no processo, essa proposta foi negada em primeira votação, mostrando que apenas por serem propostas que vierem de unidades contrárias não deveriam ser aprovadas, mesmo que o mínimo do bom senso e senso de coletividade seria o suficiente para aceitar uma proposta como essa. Conseguimos aprovar isso após uma segunda votação pois os delegados de Diamantina que não estavam presentes antes chegaram e foi feita uma nova votação. A delegação de Passos fez um amplo estudo com todos seu delegados e levantaram modificações artigo por artigo do estatuto, conjuntamente com as unidades de Ibirité, FAE e alguns descontentes de Divinópolis, corrigindo inclusive erros de português, algo que deveria ter sido feito antes de publicá-lo após o primeiro congresso. E por incrível que pareça ao início quando foi pontuada a necessidade de corrigi-los fomos tratados como se quiséssemos "atrapalhar" e prolongar mais do que o preciso as mudanças estatutárias, enquanto a única coisa que gostaríamos era de ter um estatuto minimamente decente e respeitável. Todas as nossas seguintes propostas foram tratadas com incrível desdém levando com que desistissemos de algumas propostas por encarar que não valeria a pena o desgaste de tratar com pessoas que se encontravam com atitudes extremamente infantis. Após uma longa e exaustiva revisão estatutária chegando ao final do artigo na questão que veio como a gota d'água que transbordou todos os problemas que aconteceram ao longo do processo inteiro, na tentativa de ocupar o DCE a qualquer custo o setor petista propõe a alteração estatutária que permitiria a eleição indireta de uma diretoria, isso mesmo, ELEIÇÃO INDIRETA, coisa que não acontece rotineiramente nem nos Estados burgueses, coisa que era rotineira na história brasileira apenas na ditadura militar, me envergonho muito de haver setores do movimento estudantil da minha universidade que adotem práticas dignas de um dos períodos mais venenosos de nossa história. Faço um adendo a esta plenária que produziu algo extremamente importante, o movimento negro presente no congresso conseguiu aprovar a necessidade de composição da gestão, levando em consideração as questões de gênero e raça, fazendo com que seja composta por 50% mulheres e 35% negritude. Mesmo com algo importantíssimo como isso sendo aprovado dentro de todo o vexame que é o resto do estatuto parece que uma pérola foi jogada aos porcos. Após este momento nós retiramos do congresso juntamente com meus camaradas de unidade e das unidades de Ibirité, FAE e dos "dissidentes" de Divinópolis, por não nos sentirmos representados por um congresso levado desta maneira, por um estatuto horrível modificado a base de pequenas birras e por um DCE eleito de maneira grotesca, antidemocrática e ilegítima.
Antes do congresso não tínhamos um DCE que pudesse chamar de representativo e após congresso continuamos sem tê-lo.
Repudiamos esta forma de fazer política e esses coletivos citados, ainda chamamos todos os estudantes que sentem o mesmo para que façamos oposição direta e que não reconheçamos a este DCE.
Assina esta nota:
Movimento Estudantil da UEMG Passos.