01/07/2024
A ciência do toque
Conheça a haptonomia, técnica terapêutica de integração entre a família, ainda pouco conhecida no Brasil.
No mundo cada vez mais virtual de hoje é fácil se esquecer de tocar as pessoas. Não esbarrar, porque isso se faz o tempo todo nas calçadas, shows, ônibus, metrôs. Tocar no sentido de abraçar, beijar, fazer um carinho. E esse afastamento acontece também entre pais e filhos. Na Europa, há cerca de trinta anos, nasceu a chamada Ciência da Afetividade, criada pelo holandês Franz Veldman e que traz o toque como elemento essencial. Dentro desse princípio, o termo “Haptonomia” foi criado para designar um tipo de técnica terapêutica que estabelece laços através do contato físico.
O trabalho da haptonomia é de reprogramação de padrões adquiridos, visto que na vida cotidiana praticamente não se valoriza – na verdade, se banaliza - o contato com o outro. Neste sentido, seria se acostumar a tocar as pessoas. Mas não é um contato qualquer. Ele recebe o nome de contato afetivo confirmativo e busca a reafirmação do próprio eu através da relação com o outro, tocando-o.
Por tratar do relacionamento entre seres humanos, a técnica é abrangente e pode ser aplicada em várias áreas, como medicina, psicologia e pedagogia. Foi o que de fato aconteceu, pois quando o termo foi cunhado por Franz Veldman, a haptonomia era voltada apenas a casais à espera de um bebê.
A técnica
No acompanhamento haptonômico durante a gestação, a ideia é que pai, mãe e mesmo irmãos mais velhos toquem a barriga da mãe como forma de confirmação da existência do bebê e reafirmação da própria família. Depois de um tempo de prática e contando com a orientação do haptoterapeuta – pois o método tem suas técnicas próprias -, o movimento-resposta do feto aos estímulos recebidos é bastante perceptível.
Assim, a relação entre a família se torna muito mais forte e consciente e o bebê é capaz de senti-la desde a gravidez, o que torna seu desenvolvimento mais saudável. A partir do momento em que a mãe sinta os primeiros movimentos do feto dentro de si – por volta da 20ª semana -, já pode começar o trabalho com a haptonomia.
É interessante que pai e mãe, continuem praticando a técnica mesmo após o nascimento, pois o método pode ser utilizado até que a criança complete 2 anos.
Além de integrar os familiares com a gestação – fazendo com que o pai, principalmente, participe mais ativamente do momento -, outro benefício que vem sendo apontado pela técnica é o de ajudar a mulher na hora do parto normal. Isso acontece porque, com a haptonomia, a mãe cria uma consciência corporal muito maior. Conectada com seu corpo e com o filho, a mãe se sente mais relaxada e até o tempo de trabalho de parto diminui para cerca de três, quatro horas.
Não há nada de místico nisso, é fisiológico mesmo, os músculos estão mais relaxados e a criança nasce super bem, a não ser que haja alguma complicação médica.
Fonte: Revista Pais e Filhos.
Algumas dicas para o papai:
• Comece a massagem após a 27ª semana;
• Não aperte a barriga da sua mulher. O importante é o contato, não a força. É a mãe que dá esse limite;
• Use óleo vegetal para a massagem. Nunca o mineral;
• Uma música de fundo é aconselhável, mas ela não pode ser cantada para não se misturar com as vozes dos pais;
• Essa música também deve ter, de preferência, sons agudos, para que eles se diferenciem dos sons graves que o bebê ouve dentro do útero.