19/10/2021
Conheça Teresa Cristina a terceira imperatriz do Brasil.
A história se lembra da terceira imperatriz do Brasil por epítetos nada lisonjeiros, como “a imperatriz silenciosa”. Alguns pesquisadores, inclusive, lhe atribuíram adjetivos bastante pejorativos, descrevendo-a como uma mulher feia, limitada intelectualmente e de modos reclusos. Mais uma vez, a documentação aponta para uma versão bem diferente acerca da vida de Dona Teresa. Nascida em Nápoles no dia 14 de março de 1822, a futura soberana cresceu em uma região que na antiguidade era conhecida como Magna Grécia. Não obstante, no golfo de Nápoles, encontrava-se o sítio arqueológico de Pompéia, com seus edifício bem preservados, dando para a posteridade um testemunho das habitações do antigo império romano.
Bebendo dessa rica fonte cultural, Dona Teresa Cristina representava aos olhos dos brasileiros a latinidade transplantada para a América. Ela importou para o país diversas peças de Pompéia e Herculano, que hoje compõe o acervo de muitos museus brasileiros. Foi chamada por isso de “a imperatriz arqueóloga”. Amante da ópera italiana, dizia-se que a própria soberana possuía uma voz belíssima, encantando aqueles que tinham a oportunidade de escutá-la cantando. Assim como D. Pedro II, era uma amante das ciências e principalmente das inovações tecnológicas, como a fotografia. Em diversos registros fotográficos, ela pode ser observada posando na companhia dos livros que lhe eram tão caros, testemunhando assim sua erudição e apreço pelo conhecimento.
Atualmente, a terceira imperatriz do Brasil aparece como personagem na novela Nos Tempos do Imperador (de Thereza Falcão e Alessandro Marson), interpretada pela atriz Letícia Sabatella. Através dos capítulos da trama da rede Globo, o público pôde conhecer um pouco mais acerca da personagem, sobre sua sensibilidade artística manifestada pelos trabalhos artesanais no Jardim das Princesas e seu interesse pela arqueologia. Nesse sentido, a ficção, a despeito de sua falta de compromisso com a veracidade dos fatos, pode ser uma interessante porta de entrada para aqueles que buscam se aprofundar mais os acontecimentos adaptados para a tela da TV, procurando nos registros historiográficos os fatos por trás da narrativa inventada pelos roteiristas.
Texto: Renato Drummond Tapioca Neto