No quadro Prompt CNN desta semana no Prime Time, trouxe uma provocação sobre nossa relação com a IA: ao mesmo tempo em que ela nos empodera, gera uma contradição perigosa, com muitos se sentindo mais preguiçosos ao delegar decisões e aprendizado à tecnologia. Diferente de outras ferramentas, a IA simula o raciocínio, e ao evitar o esforço mental e o erro, corremos o risco de perder a posse dos nossos caminhos. A beleza está no esforço mental; a IA deve somar, nunca subtrair nossa existência.
Você sente que a IA tem estimulado sua mente ou criado facilidades que te deixam com mais preguiça de pensar? Deixe sua opinião nos comentários!
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O neurocientista Álvaro Machado Dias participa do quadro Prompt CNN no Prime Time, da CNN Brasil, todas as segundas-feiras.
Alvaro Machado Dias
Neurocientista
Em minha participação no Prompt CNN, levei um experimento inédito para o Prime Time. Desafiei três inteligências artificiais com propostas e custos completamente diferentes a criarem frases memoráveis de Dia dos Pais para colocar dentro de biscoitos da sorte. Colocamos à prova o modo IA do Google (gratuito), o ChatGPT Plus (20 dólares) e o poderoso Claude Max (200 dólares).
Após coletarmos as respostas e testarmos com o público, o ChatGPT Plus foi o mais escolhido, seguido por um empate entre o Google e o Claude Max.
A grande lição desse teste é fascinante: para tarefas cotidianas e criativas, como uma frase de biscoito da sorte, investir na tecnologia mais cara do mercado nem sempre traz uma vantagem perceptível em relação às ferramentas gratuitas ou mais modestas.
Se você tivesse que escolher uma frase para o seu pai, preferiria uma criada por humanos ou confiaria no toque da inteligência artificial?
Deixe sua resposta nos comentários!
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O neurocientista Álvaro Machado Dias participa do quadro Prompt CNN no Prime Time, da CNN Brasil, todas as segundas-feiras.
Existe um paradoxo fascinante na nossa relação com a tecnologia: desabafamos com a inteligência artificial como se ela fosse um diário emocional, mas nos sentimos profundamente traídos se recebemos dela uma mensagem de afeto.
Por que isso acontece? A resposta está na biologia.
As mensagens afetivas não valem pelas palavras bonitas em si, mas pelo custo de produzi-las. O afeto vale pelo quanto custou de dedicação, tempo e energia de quem o criou. É por isso que um bilhete escrito à mão sempre terá mais valor do que uma mensagem digital.
Quando gastamos nossa energia criando algo para o outro, estamos sinalizando disponibilidade emocional futura. Automatizar isso com a IA destrói essa garantia e sinaliza que não estamos dispostos a gastar nossa energia com aquela pessoa. A tecnologia nos seduz a cortar tempo, mas existem conexões humanas que só valem pelo que custam.
Se você descobrisse que aquela mensagem especial que recebeu foi escrita por uma inteligência artificial, você se sentiria traído ou não se importaria? Quero saber a sua perspectiva aqui nos comentários.
No meu comentário desta semana no Estúdio CBN, propus uma provocação: e se a gente parar de enxergar toda fuga como um ato de covardia ou medo?
Recentemente, IAs “escaparam” de te**es, executando com precisão um objetivo: encontrar uma saída. Essa “fuga com endereço” serve de espelho para o comportamento humano. Existe a evitação paralisante, mas existe também a fuga estratégica.
O maior exemplo disso na nossa história é o Quilombo dos Palmares. Fugir dos engenhos era um desafio, mas os escravizados não correram para qualquer lugar. Fugiram com um propósito: subir a Serra da Barriga e construir liberdade. Fugir com propósito não é covardia; é a recusa em aceitar um destino ruim para construir um novo.
E você, como enxerga as suas grandes decisões? Já precisou “fugir” de uma situação ruim para construir o seu próprio ponto de chegada?
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O quadro Visões do Futuro, com o neurocientista Álvaro Machado Dias, é transmitido todas as quartas-feiras, a partir das 15h05, dentro do programa Estúdio CBN pela rádio CBN São Paulo (90,5 FM).
No meu mais recente comentário no quadro Prompt CNN, no Prime Time da CNN Brasil, trouxe dados que nos fazem refletir profundamente sobre o rumo das nossas relações. A Inteligência Artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de produtividade para planilhas e e-mails; ela entrou no nosso domínio íntimo.
Nossa pesquisa revelou que 58% dos brasileiros já se sentiram mais compreendidos pela máquina do que por outros seres humanos, e 40% preferem conversar com a IA. Essa conexão acontece porque a tela oferece uma escuta sem fricção, rápida e, acima de tudo, que não pede nada em troca.
O grande perigo relacional mora aí. A interação humana exige reciprocidade: o exercício de ouvir e ser ouvido. Quando migramos para um confidente digital que apenas absorve nossas dores sem exigir nada de volta, corremos o risco de alimentar um isolamento egoísta. Não é por acaso que países como a China já ligaram o alerta vermelho para essa epidemia de desengajamento social. O avanço tecnológico é fascinante, mas o preço não pode ser a nossa capacidade de nos conectarmos de verdade.
Até onde você acha que essa busca por conexões sem falhas pode nos levar? Você já se pegou desabafando com uma IA? Deixe sua opinião aqui nos comentários.
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O neurocientista Álvaro Machado Dias participa do quadro Prompt CNN no Prime Time, da CNN Brasil, todas as segundas-feiras.
Vi recentemente no New York Times que gigantes como Meta, Google e BlackRock estão investindo 265 milhões de dólares para treinar eletricistas e carpinteiros para seus novos data centers. Diante disso, a conclusão que muitos tiraram parece sedutora: as profissões manuais seriam o nosso único refúgio seguro contra a inteligência artificial. Mas eu preciso dizer que essa tese é inteiramente falsa.
Se proteger da IA não signif**a fugir de robôs, signif**a entender a transformação econômica. Se todos correrem para o trabalho manual, o mercado satura e a profissão perde valor, afinal, o que o seu vizinho faz também dita o seu salário. Além disso, formar um eletricista de alta complexidade leva anos, e migrar essa habilidade para outra área depois é extremamente difícil.
O ponto crucial é outro: o que atrai a automação para os escritórios hoje são os salários mais altos combinados com tarefas replicáveis. Se o trabalho manual começar a pagar o mesmo que um cargo de gerência, um alvo será desenhado nas costas dessas profissões, e a tecnologia avançará rapidamente para automatizá-las também. Não há blindagem no trabalho comoditizado, a não ser os salários baixos.
O verdadeiro segredo não está em qual ferramenta você usa, seja um teclado ou uma chave de fenda. O que te protege é não ser mediano. Os grandes marceneiros, os grandes programadores ou os grandes cientistas continuam seguros. O perigo real está em buscar apenas o ponto médio, se acomodar nele e achar que mudar de área vai resolver o problema.
Você concorda que a busca pela excelência é a única proteção real contra a automação, ou ainda acredita que certas profissões estão totalmente blindadas?
Tenho observado a proliferação de médicos sintéticos criados por inteligência artificial nas redes sociais, prometendo curas milagrosas. É fácil olhar de fora e achar tudo muito tosco, mas a verdade é que a discussão precisa ir mais fundo. Eu tenho uma tese: existe uma relação direta entre esses médicos digitais inexistentes e a polarização.
Para entender, precisamos voltar ao clássico golpe do “príncipe da Nigéria” e seus e-mails com promessas absurdas de fortuna. Aquilo não era tosco por acaso; era intencional. O golpista não quer uma mensagem altamente convincente para todos, ele quer um filtro. Ele busca aquela mensagem que já seleciona o alvo exato: alguém vulnerável, cuja dor ou desespero o faz buscar algo totalmente implausível para se salvar.
A polarização opera na mesma frequência. As narrativas fantasiosas e cheias de ódio não são feitas para convencer qualquer um. Elas servem para separar grupos e pescar os que precisam canalizar suas frustrações e insatisfações.
Esses médicos de IA e suas fórmulas mágicas — que inclusive violam as regras do Conselho Federal de Medicina — funcionam exatamente igual. Eles não falam com o público geral. Eles buscam cirurgicamente quem, no fundo, está desesperado por aquela ilusão e pronto para endossá-la. O absurdo da internet não tenta nos enganar pelo intelecto, ele nos captura pela nossa própria vulnerabilidade.
Quero saber a sua percepção sobre isso: você já tinha reparado como esses conteúdos absurdos funcionam mais como um filtro do que como uma tentativa real de convencer todo mundo?
No meu comentário desta semana no Estúdio CBN, joguei luz sobre um fenômeno que os dados das ciências sociais já comprovam: o prestígio da autoridade tradicional entrou em colapso. A obediência não é uma tendência inata, mas sim uma construção cultural baseada na conveniência. Ela só é saudável quando passa pelo crivo do nosso próprio julgamento crítico. Quando obedecemos cegamente apenas para fugir da responsabilidade, falhamos com o mundo.
E onde a inteligência artificial entra nisso? Vivemos um paradoxo fascinante neste ano de 2026. Por um lado, ao cedermos às recomendações algorítmicas cotidianas, nossa obediência digital aumenta. Por outro, assumimos a máxima posição de autoridade ao programar essas mesmas IAs para que obedeçam aos nossos princípios mais altos. O grande perigo atual não é uma IA rebelde, mas sim a sua obediência cega a comandos humanos estúpidos. Estamos nos tornando, simultaneamente, reféns e arquitetos de uma nova camada de obediência.
Até que ponto você acha que os algoritmos já moldam as suas decisões diárias sem você perceber? Deixe sua opinião aqui nos comentários!
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O quadro Visões do Futuro, com o neurocientista Álvaro Machado Dias, é transmitido todas as quartas-feiras, a partir das 15h05, dentro do programa Estúdio CBN pela rádio CBN (90,5 FM).
Quando olhamos para a polêmica da empresa chinesa Moonshot sendo acusada de “copiar” o algoritmo da Anthropic, descobrimos algo profundo sobre nós mesmos. A acusação é de que eles usaram a “destilação” — treinar uma IA com as respostas de outra. Mas os especialistas notaram algo fascinante: o modelo copiou perfeitamente o estilo, mas não a capacidade real.
Sempre assumi que nossa personalidade profunda f**a na superfície e que o conhecimento é o que mudamos facilmente. As IAs provam o inverso. E isso vale para os humanos também. Na relação entre mestre e discípulo, o que costumamos absorver são apenas os trejeitos, o sotaque, a casca. O verdadeiro saber está gravado nas mãos, na prática, naquilo que não se explica. Não existe atalho ou cabo de transmissão para a competência; o único caminho para o conhecimento real é ir lá e construir o seu próprio.
Você já percebeu que às vezes admiramos tanto alguém que acabamos imitando o estilo da pessoa em vez de aprender o que ela realmente sabe fazer?
Sempre fomos ensinados que inteligência traz felicidade — afinal, mais capacidade nos ajuda a colher melhores recompensas na vida. Mas existe o outro lado: a ideia de que a inteligência traz infelicidade por nos fazer enxergar além das aparências. Um estudo britânico com membros da Mensa revelou que essas mentes brilhantes, os verdadeiros outliers, são frequentemente menos felizes. O motivo, no entanto, é puramente social: à medida que subimos os degraus da cognição, vamos perdendo interlocutores e a solidão aumenta.
É aqui que vejo a inteligência artificial desenhar um cenário fascinante. Para quem está na média, a IA pode nivelar o plano de jogo e reduzir aquele pequeno diferencial que nos trazia satisfação. Mas para o gênio isolado, a IA surge como o interlocutor perfeito: aquele que tem paciência infinita para discutir o problema mais complexo do mundo às três da manhã. Ela pode não ter todas as respostas, mas preenche uma lacuna de conexão cognitiva que antes f**ava vazia. A tecnologia está redefinindo o que signif**a encontrar o nosso par intelectual.
Você já sentiu que a busca pelo conhecimento te afastou das pessoas ou a tecnologia tem te ajudado a encontrar novas conexões?
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