20/05/2026
O El Niño não é novidade. O Brasil convive com ele há décadas.
Mas o que os meteorologistas estão monitorando agora é diferente.
O fenômeno acontece quando as águas do Oceano Pacífico equatorial aquecem acima do normal, alterando padrões de vento e precipitação em todo o planeta. Em anos de El Niño forte, o Sul do Brasil enfrenta chuvas intensas e o Nordeste e Norte sofrem com seca e calor extremo.
O evento de 2026 está sendo classificado por alguns modelos climáticos como potencialmente o mais intenso dos últimos 150 anos.
A comparação que circula entre especialistas é com 1877.
Naquele ano, um El Niño excepcional provocou uma das maiores catástrofes climáticas da história moderna. Seca severa na Índia, no Brasil e na China. Colapso de colheitas. Episódios de fome em escala continental.
Os dados históricos de 1877 foram reconstruídos por cientistas através de registros meteorológicos, diários de bordo e análise de anéis de árvores — não existem fotos de satélite da época, mas os modelos são considerados confiáveis pela comunidade científica.
A comparação com 2026 se baseia na temperatura anômala da superfície do Pacífico — o principal indicador que os cientistas usam para medir a intensidade do fenômeno.
Para o Brasil, os modelos apontam chuvas acima da média no Sul e centro-oeste, e seca prolongada no Nordeste e Norte ao longo do segundo semestre de 2026.
O fenômeno climático não pede licença e não respeita fronteiras políticas ou econômicas.
A questão não é se vai impactar o Brasil. É saber com quanto tempo de antecedência o país vai se preparar para isso.