A fotografia figura no mundo da arte como um dos mais elitistas suportes para criação. Possibilidades de baratear os custos nunca foram de grande interesse para o mercado, empenhado em explorar o consumo de equipamentos de ponta voltados para a profissionalização. Mesmo o amadorismo sempre exigiu um certo poder econômico para a compra de câmeras compactas e filmes. Veio a era digital e a fotografi
a se tornou mais presente no dia a dia, o que não significa popular. Numa outra perspectiva de captação fotográfica, o projeto em pauta mostra como essa arte pode alcançar novos públicos e assumir outras características que não seja a documentação. Máquinas precárias captam fotos incríveis e possibilitam inserção social. Latas, garrafas pet, caixas de fósforos ou uma popular câmera plec-plec, vendida no balcão da feira de usados. São lentes, caixas pretas, instrumentos de arte precários, capazes de captar belas imagens e provocar novos conceitos sobre a arte-educação, meios de expressão e inserção social. CHRISTIAN CUNHA
“Motivado pela obra de Ítalo Calvino “Cidades Invisíveis”, quero mostrar como é possível criar outras formas de observar (retratar) mundos. Apresento na mostra uma narrativa visual (fotográfica) das cidades de Olinda, Fortaleza, Barcelona, Salvador, Vila dos Remédios (FN) e Lisboa em suas novas formas imagéticas, captadas por uma máquina fotográfica feita com uma caixa de fósforos (pinlux), para ser apresentada a você e ao imperador Klubai Khan”.