03/04/2022
Hoje o céu recebe uma das mulheres mais incríveis que já conheci… Nascida em Santa Catarina, mas que, por amor, optou por construir a vida no Rio Grande do Sul. Uma mulher batalhadora, dona de uma personalidade forte, e que nunca deixava de lado o carinho, o afeto, a amorosidade… como só as mães são capazes de fazer.
Dedicou a vida às escolas onde trabalhou, e sempre me perguntam "Ela era professora?", e eu respondo com todo orgulho que é possível carregar "Não, era servente/merendeira!". Mas saibam que esta era a profissão dela, era o que ela fez com muito empenho até se aposentar, embora ser servente/merendeira não a definia… talvez o servente, porque servir estava no seu DNA, abria mão de ter para si para dar ao próximo, Dona Marlene, como gostava de ser chamada, tinha um coração gigante.
Mas então, quem era a Dona Marlene? De fato, posso dizer com toda propriedade, na condição de filho, que minha mãe era uma artesã incrível, uma artesã da vida, que transformou tudo o que tocou.
Autodidata, fazia as coisas mais lindas que são possíveis de serem feitas, aprendeu a fazer bolsa de papel cartonado, reformava bonecas, costurava como poucos, fazia crochê até com linha de costura, era detalhista e não aceitava cola em seus trabalhos, pq "queria que fossem duradouros". Também amava as suas plantas, todas, até aquelas mais esquisitinhas, e ai de quem ousasse arrancar ou dizer que eram "matos".
Dona Marlene foi tudo isso e muito mais. Foi, é, e sempre será minha mãe, aquela que me ensinou a ser tão forte quanto é possível ser, mas também que o olhar carinhoso não pode ser deixado de lado. Me ensinou que lutar pelo que se acredita nunca é bobagem, e que o conhecimento que adquirimos durante a vida é a única coisa que não nos podem tirar. Ainda no hospital, se orgulhava de, apesar de debilitada fisicamente, estar com a "cabeça boa", como dizia.
Só tenho a agradecer por ter tido a oportunidade de me chamar teu filho e te chamar de mãe. O filho da merendeira ainda será doutor, um sonho que a senhora sonhou junto comigo.
Como a senhora me dizia quando nos despedíamos: “Fique bem! Te amo muito!”.