19/09/2018
UMA NOITE NO MUSEU NACIONAL
Neste ano o Museu Histórico Nacional completou 200 anos e o que ganhou? Anos de descaso, abandono, desamparo, falta de recurso e acima de tudo, falta de valorização deste, que é um patrimônio cultural e histórico.
Como historiador, sinto a dor da perda de todo um trabalho científico de pesquisas que foi feito e que fez do museu um dos principais em nosso país e que se esvai diante de nossos olhos. Como cidadão brasileiro, sinto a dor e a vergonha pela morte de grande parte de nossa história e identidade. Um acervo de memórias e registros do nosso Brasil e do mundo. Somos um país displicente e insensível. O fogo destruiu não só os objetos e documentos, o fogo consumiu nosso coração. A memória e a lembrança do que vivenciamos e desfrutamos, as informações, o conhecimento e o lazer naquele espaço estão guardados em nós, mas o que restará para as próximas gerações? Não, não será mais o mesmo.
Dizem que, no museu, durante a noite tudo cria vida. Nesta noite, no museu, a morte foi vista na Quinta da Boa vista, uma vista triste e de lamento.
Como diz o trecho deste samba enredo:
“O canto da cigarra em sintonia
Relembrou aqueles dias que não voltarão jamais". (Imperatriz Leopoldinense)