27/10/2022
Ampliando Limites - Grupo de Estudos Continuados em Psicologia
Ampliando Limites é um Grupo de Estudos Continuados em Psicologia que busca pensar as várias forma Numero de participantes: máximo 6 pessoas.
Ampliando Limites - Grupo de Estudos Continuados em Psicologia busca pensar a clínica não como uma área, mas como uma forma de olhar ancorada no dialogo tanto entre as diferentes abordagens da terceira força da psicologia, destacando-se a Gestalt- Terapia, quanto com as diferentes contribuições teórico-práticas da psicologia, reconhecendo os aspectos convergentes e divergentes presentes entre elas
27/10/2022
07/06/2022
Vale a leitura.
(Auto) Crítica e Clínica
Tenho ouvido que, diante da tomada de consciência racial, de gênero e sexual, de classe, cada vez as pessoas têm buscado psicoterapias que tenham leituras críticas acerca destas realidades.
Obviamente que este não é um movimento geral, nem por parte de analisandas(os), nem por parte de psicólogas(o). Pois nas duas realidades, há ainda quem se contente com clínicas que discutem o supra-sumo das leituras intrapsíquicas, psicologizadas e até psicopatologizantes.
Repito veementemente que as(os) psicólogas(os) que não alocam em condição de centralidade os processos de raça, classe, gênero e sexualidades como constitutivos de processos de subjetivação e, por consequência, de sofrimento individual ou coletivo, recaem em leituras reducionistas da realidade.
Algumas correntes de pensamento reforçam esta construção de um sujeito psi puro e abstrato, fazendo com que seus seguidores sejam habilidosos aplicadores de técnicas de análise, inclusive, alguns deles especialistas nestas.
Estas rasas leituras tentam criar um plano de separação entre os elementos de ordem social, por assim dizer, e o plano psicológico. Como um reinado do mental puro, povoado por processos psicológicos básicos (percepção, aprendizagem, linguagem, pensamento, atenção, memória, motivação e emoção) independentes que requerem uma ciência específica que trate deles especificamente.
No entanto, a clínica psi (seja ela operada em qualquer lugar) tem sido habitada por temáticas que transcendem os manuais clássicos da psicologia e da clínica, desafiando a tentativa de controle, predição e previsão próprias do aroma positivista que a Psicologia se deleita.
Aqui, a clínica formatada em análises-intervenções fechadas em suas inspirações epistemológicas que denegam o papel das opressões na constituição dos processos de subjetivação e do sofrimento tem sido fissurada por subjetividades que não se contentam mais com a clínica rasa baseada no ultrapassado (porém superestimado) psicologismo.
Assim, tem sido cada vez mais urgente a criação perspectivas clínicas que sejam críticas a realidade social em sua capacidade de constituição de modos de ser, pensar, agir, relacionar-se e, consequentemente, sofrer. Este movimento implica em uma atitude de interpreTorção por parte de analistas em suas leituras sobre seus próprios referenciais teóricos, recusando as leituras passivas que visam apenas aprender a aplicar as técnicas psicológicas.
Nossas teorias e práticas precisam permitir que as vidas que encontramos sejam disparadoras de revisão, redefinição, desconstrução destas teorias-práticas em vez do dogmatismo das graduadas-pós-graduadas-doutoradas opiniões formadas sobre tudo.
Para isso, é fundamental uma atitude fundamentalmente autocrítica na maneira como teorias e práticas são construídas no cenário atual. É fundamental que a realidade não seja concebida como mero objeto de estudo-análise-intervenção, mas como um campo de criação-destruição de saberes, epistemologias e práticas que sejam coerentes com a realidade analisada.
Ou seja, os encontros com as pessoas que a clínica se propõe a cuidar, trazem consigo não apenas uma matéria-prima de análise com narrativas, gestos, corporalidades, percepções, sensações, mas também o atravessamento entre coletivo e singular, entre pessoal e político.
Precisamos assumir uma postura autocrítica sobre nossos fazeres, pois a Psicologia que nos foi/é ensinada majoritariamente não contempla os impactos do genocídio indígena e negro na subjetividade das pessoas indígenas e negras, o impacto da fome nas pessoas atingidas, da instabilidade econômica própria do neoliberalismo, do machismo que afeta mulheres (cis e trans), da lgbtqiafobia nas pessoas lgbtqia+.
Sem a autocrítica dos nossos fazeres e saberes, temos a chance de reproduzir modus operandis de análise ultrapassados, reducionistas e, às vezes, até violentos, como já discuti aqui. Autocrítica, inclusive, sobre como nossos fazeres são limitados diante da complexidade da sociedade, como situa uma fala da professora Jeane Tavares que circula nas redes.
No entanto, é preciso fazer uma ressalva que é preciso ter prudência inclusive na autocrítica, porque há um limiar (por vezes tênue) entre a autocrítica potente que nos apresenta a necessidade de repensar nossas práticas, mas se constitui como movimento afirmativo em que o caos da destruição do mesmo cria outras possibilidades e entre uma autocrítica exacerbada própria das demandas do mercado que colocam analistas em um movimento constante de autodepreciação, comparação e insegurança, próprias do neoliberalismo.
30/09/2021
Vale ler.
Por uma Clínica AntiFascista*
*Inspirado no texto de Michel Foucault Introdução à vida não-fascista: prefácio da edição
americana de O Anti-Édipo de Gilles Deleuze e Félix Guattari.
Para além da paixão pelos grandes autores e suas pomposas teorias, há que se pensar a
Clínica em seu aspecto ético-político em que suas ações estão diretamente conectadas
com os processos de subjetivação e com a sociedade, para além da categorização do
desejo em meros elementos sintomáticos, nosológicos (a partir de uma concepção
tradicional de cura).
Eis que é necessário pensar uma Clínica AntiFascista, não a partir de uma noção
macropolítica do Fascismo de Estado Hi**er ou Mussolini, mas a partir de um
microfascismo que circula no desejo, na imaginação, nos discursos e nas ações e que a
Clínica que, para além das práticas de cuidado e acolhimento, precisa interferir, intervir
em vez de correr que nem um cão cego atrás do próprio rabo em busca de uma coisapsi-
pura, por vezes através da afirmação de um posicionamento Mamãe-Quero-Ser-
Psiquiatria (a julgar pelos seus pedestais, jalecos, purismo e ilusão de neutralidade).
O recorte do Fascismo aqui não pode de forma alguma se dissociar ou se colocar como
preponderante diante de outras formas de opressão tão presentes nos dias atuais, a saber:
Racismo, Machismo, LGBTQIAfobia, Classismo, Gordofobia, Capacitismo,
Psicofobia, Xenofobia, Gerontofobia, entre outros…
Os tópicos abaixo foram torcidos, recortados, colados, modificados e podem ser
encontrados em sua versão original no texto citado no asterisco.
1) Liberem a Clínica de toda forma paranoia unitária e totalizante que busca encontrar
ou re-produzir modelos universais de colonização de subjetividades a partir de uma
tentativa de encontrar um objeto de estudo puro com o intuito de se firmar no hall das
ciências (decerto pelo seu odor de um positivismo clássico). O que a faz por vezes se
perder em uma lógica baseada no Uno (a partir de estruturas, teorias fechadas e
determinadas aprioristicamente), na prisão das nosologias gerais que desconsideram as
singularidades e dos atravessamentos étnico-raciais, sociais, de gênero e sexualidades,
políticos, econômicos, ecológicos, etc.
2) Produzir a multiplicação da ação, o desejo, o pensamento, a subjetivação por
movimentos de ploriferação, multiplicidades, disjunções para além das subdivisões
dicotômicas e maniqueístas (normal-anormal, sanidade-loucura, saúde doença, bem-mal)
que revelam a herança cartesiana da psicologia; e das divisões hierárquicas a partir de
uma escuta que recorta as narrativas, selecionando o que é passível de ser ouvido e o que
é terceirizado, logo, silenciado ou colocado em um hall de (des)importância na clínica,
onde o foco principal são elementos de um psicologismo barato.
3) Liberem a Clínica das velhas categorias do Negativo: a) A Moral: que se fantasia de
intervenções de psi em nome do cuidado (leia-se tutela), cura (leia-se adestramento,
docilização), b) A lei, o limite, a falta, a lacuna que submetem os corpos às relações de
poder a partir da negação, da culpa, do ressentimento em uma negação de si em nome do
outro, do ideal, da positividade tóxica como modelo tão bem quisto ao neoliberalismo
contemporâneo.
4) Preferir a multiplicidade e a diferença (como forças de afirmação da vida em
potência), o fluxo em contraposição das unidades estacionadas (como modo de afirmar
o movimento). Percebendo que o que produz novos possíveis para a vida não é o
sedentarismo das unidades, sistemas, estruturas rígidas, mas o nomadismo do movimento,
do outramento, do devir.
5) Não utilizem de quaisquer teorias para dar a Psicologia um valor de verdade
inquestionável, intocável em seu saber-poder. Utilizem a prática clínica como um
movimento de intensificação do desejo (enquanto construção de realidades), do
pensamento, como multiplicação da ação política de resistência às inúmeras formas de
negação da vida (sobretudo das vidas periféricas).
6) A subjetividade é fruto de relações de atravessamento de vetores de saber e poder,
sendo o sujeito que a Clínica por vezes tenta centrar em suas teorias como um coisa-emsi
a ter suas faces des-veladas, des-cobertas e traduzidas por teorias lentes encapsuladas
e dissociadas da sociedade em todas as suas possibilidades. Ou seja, não há como
compreender o sujeito sem mapear os vetores supra-subjetivos, vindos das relações com
o fora-do-sujeito a partir de linhas de natureza múltiplas.
7) É preciso desindividualizar a Clínica, sua escuta, sua análise e suas intervenções:
a) Na escuta: compreender que toda fala, toda narrativa não existe em si (ou numa pobre
relação entre conteúdo-continente), mas a partir de uma complexa conexão de relações
de saber-poder que se encarnam numa fala que representa uma complexa relação de
vetores dizíveis, visíveis, mas sim em um movimento de criação de si como
dessemelhança, para além da representação,
b) Na análise: compreender que há muito mais do que uma noção meramente calcada em
cérebro, inconsciente intrapsíquico ou funções psíquicas fechadas em si, é preciso
compreender as relações de afetar/ser afetado entre o sujeito e suas conexões sociais,
políticas, familiares, etc., buscando fazer uma análise dos lineamentos que atravessam os
corpos, as corpas.
c) Nas intervenções: não se centrar em uma perspectiva piegas de autoconhecimento ou
de cura como um reencontrar-se, corrigir, mas de uma relação co-engendrada entre
criação e destruição de modos de vida, de relações para além da pele, das quatro paredes
da clínica, do triângulo familiar.
6) Não imaginem que é preciso ser triste para ser analista, mesmo que se analise
elementos complexos e abomináveis. Não acredito numa clínica que não dance, que não
saiba gingar. É necessário apostar na alegria como afetivo micropolítico ativo de
construção de modos de ligar as forças desejantes-sociais de maneira revolucionária,
afinal os poderes funcionam para entristecer os corpos e lhes subtrair a potência de existir.
Se é para a clínica subtrair algo é, justamente, daquilo que funciona para a negação do
outro, as múltiplas formas de opressão.
7) Aos/Às analistas: Não se apaixonem pelo poder!
Esta frase em si já seria suficientemente potente, porém cabe pontuar que não se combate
o fascismo, o racismo, o machismo, a LGBTQIAfobia com ou pelo poder, pois o poder
captura o desejo e (re)produz elementos de opressão (mesmo entre minorias, onde o
oprimido deseja se tornar opressor, como nos disse Freire).
A aposta é em uma Clínica que saiba:
A) Resistir a todas as formas de opressão (em si, no outro, no mundo) posto que é muito
fácil apontar o fascismo dos outros, mas é necessário uma curetagem destes modos de
opressão que existem na postura, na linguagem, nas intervenções clínicas, mas que se
camuflam sob a égide da técnica, da estratégia clínica.
😎 Fazer as subjetividades resistirem a todas as formas de opressão para além destas
lógicas fast food que transformam docilização, adestramento em modus clichê como
inteligência emocional, autocontrole, habilidades sociais.
Em suma, para uma clínica Anti-Fascista: não se apaixonar pelo poder, aprender a resistir
e a fazer-resistir a todas as formas de opressão.
20/09/2021
02/06/2021
Outro fenômeno do confinamento do qual não se fala: a volta dos ex Durante as semanas de quarentena, intensificamos e idealizamos as nossas lembranças. Isso faz com que amores do passado ressurjam em nossas vidas sem motivo aparente
24/03/2021
*JUVENTUDES, EDUCAÇÃO E PSICOLOGIA: _Construindo processos de escolhas para além da orientação profissional_*
O curso tem por objetivos _ampliar a discussão acerca da prática de orientação profissional_, apresentando as potencialidades da metodologia denominada *Análise do Vocacional* - construída a partir de um projeto de extensão - bem como promover um espaço de troca de experiências com outras/os profissionais que trabalhem com juventudes.
O curso é organizado por docente e discentes de graduação e pós-graduação do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. *Gratuito,* com *certificação de 24 horas*, será realizado no período de *07/04/21 a 09/06/21*, sempre às *quartas-feiras, das 15:00 às 16:30 horas.*
O curso não é exclusivo para estudantes/profissionais da área da Psicologia, ou seja, *todas as pessoas interessadas nas discussões propostas podem se inscrever.* Interessa-nos o diálogo também com professores, educadores populares e outros/as profissionais que trabalhem com juventudes.
*Período de inscrições:* _até 24/03/21._
*❗VAGAS LIMITADAS*❗
*Link para inscrições:*
http://bit.ly/extensaoufrj
18/02/2021
Coisa linda❤
22/12/2020
Inscrições:
https://gestalteando.wixsite.com/workshoprobineruella
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