09/02/2021
🥊 O golpe
No dia 1º de fevereiro, o governo de Mianmar, eleito democraticamente em 2011, foi deposto por um golpe militar liderado pelo general Min Aung Hlaing, chefe das Forças Armadas birmanesas. O golpe ocorreu na segunda-feira, quando deveria ter acontecido a primeira sessão do Parlamento eleito em novembro do ano passado. A motivação foi a alegação, por parte de uma oposição que se recusou a aceitar os resultados, de que as eleições foram fraudulentas. Entretanto, segundo Phil Robertson, vice diretor da Human Rights Watch na Ásia, afirma que não existem evidências que comprovem esta acusação. O golpe foi anunciado via televisão, citando que a Constituição de 2008 permite que os militares declarem emergência nacional pelo período de 1 ano. O controle dos meios de transporte e comunicação foi monopolizado pelos golpistas que cortaram a internet, telefone e televisão, e fecharam o aeroporto de Yagon, maior cidade de Mianmar.
⚔️ Influência dos militares no Parlamento.
Segundo a Constituição de 2008, os militares têm direito a 1/4 de todos os assentos no Parlamento e também aos Ministérios do Interior, da Defesa e de Fronteiras. Mesmo depois do fim da ditadura militar, em 2011, as Forças Armadas não foram efetivamente controladas por civis. O general Min Aung Hlaing inclusive detinha o poder para nomear diretamente os chefes da polícia e do Ministério de Fronteiras. A Constituição não pôde ser alterada pelo governo civil pois, para isso, são necessários no mínimo 75% de aprovação no Parlamento e somente os militares controlam 25%. Além disso, o exército, nos últimos anos, promoveu a perseguição contra minorias étnicas no país – como os rohingyas, os shan e os kokang – com o apoio de Aung San Suu Kyi, líder da Liga Nacional pela Democracia (LND).
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