Biomateriais FOUFF

Biomateriais FOUFF Ensinando Materiais Dentários
Disciplina de Biomateriais da FOUFF 🧪🔬

A fotoativação não depende apenas de ligar o aparelho e contar segundos.Existem diferentes maneiras de entregar energia ...
24/09/2026

A fotoativação não depende apenas de ligar o aparelho e contar segundos.

Existem diferentes maneiras de entregar energia luminosa à resina composta.

No modo constante, a irradiância programada é entregue de maneira relativamente estável durante toda a exposição.

No ramp ou soft-start, a fotoativação começa com menor irradiância e aumenta progressivamente.

No modo pulse, a luz é fornecida de maneira pulsada ou intermitente.

E no pulse-delay, uma exposição inicial de menor intensidade pode ser seguida por um intervalo antes da fotoativação final.

Por que esses diferentes modos foram desenvolvidos?

Durante a polimerização, a resina passa de um estado em que ainda consegue escoar para uma estrutura cada vez mais rígida.

Uma polimerização inicial mais lenta pode permitir maior acomodação do material antes da fase de maior rigidez, podendo reduzir o desenvolvimento da tensão de contração.

Mas cuidado: menor estresse não pode significar polimerização insuficiente.

O sucesso depende do conjunto:
• irradiância;
• tempo de exposição;
• energia total entregue;
• distância da ponta do aparelho;
• posicionamento da luz;
• espessura e cor da resina;
• sistema fotoiniciador do material.

Por isso, um modo “potente” por poucos segundos não é automaticamente equivalente a uma exposição mais longa.

E um modo soft-start também não é automaticamente superior.

A pergunta clínica correta não é:
“Qual modo é melhor?”

É:
“Estou entregando energia suficiente para polimerizar adequadamente esta resina, nesta espessura e nesta situação clínica?”

Porque na fotoativação, potência sem protocolo também pode virar problema.

“Bioativo” é uma das palavras mais utilizadas quando falamos em cimentos biocerâmicos.Mas o que ela realmente significa?...
23/09/2026

“Bioativo” é uma das palavras mais utilizadas quando falamos em cimentos biocerâmicos.

Mas o que ela realmente significa?

Os cimentos biocerâmicos passam por uma reação de hidratação que pode resultar na liberação de íons, especialmente cálcio, e na formação de produtos alcalinos.

Quando entram em contato com fluidos, podem ocorrer precipitações de fosfatos de cálcio e estruturas semelhantes à apatita na superfície do material.

É daí que vem boa parte do conceito de bioatividade desses cimentos.

Clinicamente, esse comportamento interessa porque está relacionado a características como:
- interação com tecidos;
- potencial de mineralização;
- formação de depósitos minerais na interface material/dentina;
- ambiente químico favorável ao reparo.

Isso ajuda a entender por que os cimentos biocerâmicos passaram a ocupar espaço em terapias pulpares, reparos de perfuração, barreiras apicais, retro-obturações e como obturadores endodônticos.

Mas existe uma diferença importante entre bioatividade demonstrada em laboratório e bom prognóstico clínico.

Grande parte da evidência sobre formação mineral, liberação iônica e interação celular ainda vem de estudos in vitro e pré-clínicos.

Então a interpretação correta não é:
“É bioativo, portanto, o tratamento vai funcionar melhor.”

É:
“O material apresenta mecanismos biologicamente interessantes que podem favorecer sua interação com os tecidos.”

Entender essa diferença é fundamental para escolher materiais sem cair no marketing.

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O scanner intraoral fez muito mais do que substituir moldeira e material de moldagem.Ele mudou o fluxo de informação den...
21/09/2026

O scanner intraoral fez muito mais do que substituir moldeira e material de moldagem.

Ele mudou o fluxo de informação dentro da Odontologia.

Com o escaneamento, a anatomia é registrada digitalmente e pode ser visualizada praticamente de forma imediata.

Isso permite:

• verificar áreas que não foram registradas adequadamente;
• repetir apenas uma região do escaneamento quando necessário;
• enviar o arquivo digitalmente para o laboratório;
• facilitar planejamento e comunicação;
• armazenar modelos sem ocupar espaço físico;
• integrar o caso a fluxos CAD/CAM;
• melhorar a experiência de muitos pacientes que apresentam desconforto com moldagens convencionais.

Revisões sistemáticas mostram ainda redução do tempo de determinados procedimentos e preferência dos pacientes pelo escaneamento em vários cenários clínicos.

Mas isso não significa que o scanner seja infalível.

Sangue, saliva, margens subgengivais, movimentação do paciente e estratégia incorreta de escaneamento podem comprometer a aquisição.

Além disso, quanto mais extensa e complexa a área escaneada, mais relevante se torna o controle dos erros acumulados.

Em arcos parcialmente ou totalmente edêntulos, por exemplo, determinados cenários ainda são mais desafiadores que preparos unitários ou segmentos menores.

Então a grande vantagem do scanner não é simplesmente:
“não precisar mais de material de moldagem”.

É transformar a moldagem em um processo digital verificável, editável e integrado.

A tecnologia ajuda muito.

Mas continua dependendo de preparo, afastamento, isolamento, técnica e conhecimento clínico.

18/09/2026

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A proposta da resina bulk fill parece irresistível: Incrementos maiores e menos etapas clínicas.Mas existe muita ciência...
17/09/2026

A proposta da resina bulk fill parece irresistível:
Incrementos maiores e menos etapas clínicas.

Mas existe muita ciência por trás desses 4 ou 5 milímetros.

Para permitir maior profundidade de polimerização, esses materiais podem apresentar modificações em:

• translucidez;
• sistema fotoiniciador;
• matriz orgânica;
• quantidade e características das partículas de carga.

A principal vantagem clínica é clara:
Simplificação da técnica incremental.

Menos incrementos podem reduzir o tempo necessário para preencher uma cavidade profunda.

Além disso, determinadas bulk fill de consistência fluida apresentam boa adaptação às paredes de regiões difíceis de acessar.

Mas nem toda bulk fill é igual.

Existem versões de baixa viscosidade (flowable) e materiais de maior viscosidade destinados à reconstrução oclusal.

Algumas bulk fill flowable necessitam de cobertura com uma resina restauradora convencional ou de maior resistência ao desgaste — dependendo da orientação do fabricante.

E existe outra armadilha:
“Bulk fill polimeriza mais profundamente.”

Não significa:
“Qualquer aparelho e qualquer tempo de fotoativação funcionam.”

A profundidade de cura continua dependendo do material, da irradiância, do tempo de exposição e do posicionamento correto do aparelho.

Além disso, utilizar bulk fill não elimina:
• sistema adesivo;
• controle de contaminação;
• anatomia;
• acabamento;
• polimento;
• fotoativação adequada.

Então a grande vantagem é simplificar a inserção.

Não simplificar os princípios da técnica.

Quando um cimento biocerâmico chega pronto para uso, a principal mudança não está apenas na praticidade da seringa.Está ...
16/09/2026

Quando um cimento biocerâmico chega pronto para uso, a principal mudança não está apenas na praticidade da seringa.

Está na padronização da manipulação.

Nos sistemas pó/líquido, pequenas alterações na proporção, no tempo ou na técnica de mistura podem interferir na consistência, porosidade e comportamento do material. Nos materiais pré-misturados, essa etapa é realizada industrialmente, reduzindo uma variável dependente do operador.

Na clínica, isso pode significar:
- aplicação mais simples e rápida;
- consistência mais uniforme entre os usos;
- ausência da etapa de dosagem e mistura;
- facilidade de inserção diretamente no canal ou na área de reparo, dependendo do produto.

Mas existe um detalhe importante: biocerâmicos prontos para uso são cimentos hidráulicos. Ou seja, dependem da presença de água para que a reação de hidratação ocorra adequadamente.

Por isso, “pronto para uso” não significa “independente da técnica”.

A condição de umidade, a composição do material e o protocolo indicado continuam interferindo no seu comportamento.

E tem mais: apesar das vantagens operacionais e biológicas demonstradas em laboratório, os estudos clínicos disponíveis ainda não mostram que os cimentos obturadores biocerâmicos pré-misturados sejam superiores aos cimentos convencionais em desfecho clínico.

Praticidade é uma vantagem!
Superioridade clínica precisa ser demonstrada!
É esse tipo de diferença que transforma a escolha de um material em decisão clínica consciente.

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Quando falamos em hipersensibilidade dentinária, muita gente pensa imediatamente em “tampar os túbulos”.Mas existe outra...
09/09/2026

Quando falamos em hipersensibilidade dentinária, muita gente pensa imediatamente em “tampar os túbulos”.

Mas existe outra estratégia: reduzir a excitabilidade neural.

O exemplo clássico são os sais de potássio, especialmente o nitrato de potássio. O mecanismo tradicionalmente proposto é que o aumento da concentração de íons potássio próximo às fibras nervosas provoque uma despolarização sustentada, dificultando a transmissão do estímulo doloroso.

Na prática, estudos clínicos e meta-análises mostram redução da hipersensibilidade com formulações contendo potássio, embora a magnitude do efeito varie entre formulações e associações de ativos.

E aqui entra um detalhe essencial para a clínica: “dente sensível” não é diagnóstico suficiente.

Antes de indicar um dessensibilizante, é preciso excluir outras causas de dor, como cárie, trincas, erosão, restaurações deficientes e alterações pulpares.

O ingrediente pode atuar no nervo. O raciocínio clínico precisa atuar antes dele.

Base científica: revisões evidenciam o mecanismo neural proposto dos sais de potássio; meta-análises encontram benefício para diversas formulações dessensibilizantes, incluindo produtos com potássio.

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A sensação de frescor e o controle da halitose são coisas diferentes.Flavorizantes conseguem mascarar odores temporariam...
08/09/2026

A sensação de frescor e o controle da halitose são coisas diferentes.

Flavorizantes conseguem mascarar odores temporariamente. Já alguns ativos podem agir sobre compostos diretamente relacionados ao mau hálito.

Grande parte da halitose tem origem intraoral, especialmente relacionada à saburra lingual, condições periodontais e higiene inadequada. Um dos principais grupos envolvidos são os compostos sulfurados voláteis, produzidos pelo metabolismo bacteriano.

Alguns cremes dentais contendo zinco ou fluoreto estanhoso demonstram reduzir esses compostos e o odor bucal. Mas há um detalhe interessante: estudos mostram que o resultado é bastante dependente da formulação, e não apenas da presença isolada de um ingrediente.

Por isso, trocar continuamente para um creme dental “mais refrescante” pode apenas esconder o sinal sem investigar a causa.

Halitose persistente pede avaliação de língua, periodonto, fluxo salivar, higiene e outras possíveis causas.

Frescor é sensação. Controle de halitose é diagnóstico + mecanismo.

Base científica: revisão sistemática aponta que 80% a 90% dos casos apresentam fatores intraorais; estudos clínicos demonstram redução de compostos sulfurados com determinadas formulações contendo zinco ou fluoreto estanhoso.

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Menta, hortelã, canela, frutas…Os flavorizantes não estão no creme dental apenas para deixá-lo “gostoso”. Eles ajudam a ...
07/09/2026

Menta, hortelã, canela, frutas…

Os flavorizantes não estão no creme dental apenas para deixá-lo “gostoso”. Eles ajudam a mascarar sabores desagradáveis de outros componentes da formulação, além de produzir sensações de frescor que aumentam a aceitabilidade do produto.

E isso importa porque o melhor creme dental do mundo não funciona dentro da gaveta. Uma formulação agradável pode favorecer a adesão à rotina de higiene.

Só que “sabor” também merece atenção clínica.

Óleos essenciais, mentol, canela e outros componentes aromatizantes podem provocar irritação ou reações de contato em indivíduos suscetíveis. Diante de queilite, ardência ou alterações recorrentes da mucosa, investigar o creme dental utilizado pode fazer parte da anamnese.

Outro detalhe interessante: uma revisão sistemática não encontrou evidência de que dentifrícios flavorizados aumentem a ingestão de creme dental por crianças.

Até o sabor tem biomateriais, formulação e clínica por trás.

Base científica: a ADA descreve flavorizantes e adoçantes não cariogênicos como componentes usuais e alerta para possíveis reações a óleos essenciais e mentol; também cita revisão sistemática sobre flavorizantes e ingestão de creme dental na infância.

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O carvão ativado virou sinônimo de “natural”, “detox” e até de dentes mais brancos em muitas campanhas de produtos de hi...
06/09/2026

O carvão ativado virou sinônimo de “natural”, “detox” e até de dentes mais brancos em muitas campanhas de produtos de higiene oral.

Mas a ciência pede um pouco mais de cautela.

O carvão ativado pode contribuir para a remoção de pigmentos extrínsecos, dependendo de sua ação abrasiva. Isso não significa realizar o mesmo processo químico de um clareamento dental.

Em estudo publicado em 2024, dentifrícios com carvão não apresentaram resultado superior a um creme dental convencional para minimizar manchas, enquanto alguns produtos apresentaram maior potencial de desgaste, especialmente o carvão em pó.

Outro problema é avaliar o produto inteiro. Um levantamento brasileiro de 36 produtos à base de carvão encontrou flúor em apenas 3 deles, além de diversas alegações de marketing sem suporte científico adequado.

Então carvão ativado é indicado? Não.

Mas a pergunta mais inteligente é: qual é a formulação, quanto flúor disponível ela oferece, qual sua abrasividade e qual benefício foi realmente demonstrado?

No consultório, ingrediente da moda nunca deveria substituir análise crítica.

Base científica: revisão da JADA encontrou evidência insuficiente para sustentar diversas alegações de eficácia e segurança dos cremes dentais com carvão.

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Endereço

R. Mario Santos Braga 30
Niterói, RJ
24020-140

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