08/02/2024
Nunca fui de celebrar aniversários. Entre os 15 e 20 anos eu simplesmente odiava o dia 08 de fevereiro. Queria ficar trancado, sem falar com ninguém. Evitava atender ou olhar o telefone. Sair? Só - praticamente - à força e à fórceps, porque os meus sempre fizeram de tudo para não permitir que estes ares tenebrosos se apoderassem de mim.
Não via sentido naquela euforia que os sentiam em ficar mais velhos. Dizia que era tudo comercial demais, mas a verdade era que uma tristeza gigantesca invadia minha alma. Aos meus ouvidos, receber os parabéns chegava a ser ofensa combinada com falsidade. A angústia me governava e eu desejava muito ser liberto daquela amargura aparentemente sem sentido.
O tempo passou e Deus me permitiu viver tensões que poderiam interromper os meus dias. Tive a chance de ver vida onde em ambientes de morte.
Não era momento de ponto fina, mas reticências. E sendo isto também reter a essência, como diria , é necessário também resgatá-la para que se re-tenha.
Aquela escuridão que nascia junto com o 08.02 aos poucos se dissipou com o brilho de ver as contas, os problemas, os sorrisos, os cabelos brancos, as rugas, o reconhecimento e o fracasso se aglutinando num emaranhado de vivências. Isto é a vida acontecendo.
É na permanência do estado de espírito de pequenas vitórias, ainda que em grandes lutas, que aprendi a dizer “Vi, vi! Vivo!”.
E tal qual o sol se põe nesta foto, “alumiando” (em bom nordestinês) os olhos cansados de um dia de labor, tenho a certeza que a luz, ao ceder lugar para a falta dela, vai garbosamente nos comunicando “poder me ver ir e voltar é a a festa silenciosa do viver: até mais tarde!”.
“Se lembrar de celebrar muito mais”. (O teatro mágico - )
“Ensina-nos a contar os nossos dias para que o nosso coração alcance sabedoria” - Salmos 90:12.
Feliz 39, Humberto.