17/11/2020
Assunto muito abordado no ENEM é a cultura negra na formação da identidade brasileira. Entenda melhor o assunto!
Ao longo da experiência histórica brasileira a diferença entre negros e brancos foi construída, culturalmente. A classificação e a hierarquização racial articuladas no contexto da escravidão insistiram em regular as relações entre negros e brancos mesmo depois do 13 de maio de 1888. Isso ocorreu porque, uma vez constituídas e reproduzidas, essas hierarquias foram introjetadas por outras instituições para além da própria escravidão e da cultura negra no Brasil.
Em outras palavras: o racismo contaminou a polícia (o que explica a atenção que as forças policiais davam às rodas de samba e aos capoeiras), a Igreja, a burocracia do estado e a educação no Brasil, mesmo depois da abolição. Aí está um dos pontos mais queridos pelo ENEM nos últimos anos.
A escola, enquanto instituição social responsável pela organização, transmissão e socialização do conhecimento e da cultura, foi um desses espaços em que as representações negativas sobre o negro foram difundidas. E por isso mesmo ela também é determinante para que essas mesmas visões possam ser superadas. A fome, a pobreza e a desigualdade em nosso país têm incidido com mais contundência sobre os descentes de africanos, por isso alguns intelectuais defendem a ideia de que a marginalidade tem cor no Brasil. E a reversão desse quadro traz a necessidade de políticas públicas específicas, notadamente na educação.
Simultaneamente – e isso é muito caro ao ENEM – o resgate da positividade da cultura negra no Brasil, a sua beleza, e sua contundente participação na constituição da nossa formação cultural precisam ser exaltadas da mesma forma que o estudo acerca da escravidão é caminho incontornável para a compreensão da formação social brasileira.