18/10/2024
Eu ando pelo parque após correr, em um ritmo diferente, sentindo a respiração mudar com o tempo e o corpo responder ao vento frio que me lembra que o inverno está chegando. No caminho, olho para o lado e em meio a cores dignas de outono, vejo uma cena que me chama atenção. Paro por alguns minutos, sento na sombra de uma árvore e me dedico a olhar como uma criança que encontra algo novo e se enche de curiosidade.
Vejo, entre duas árvores que balançam com o vento as folhas bonitas em tons de laranja, verde e vermelho, uma pessoa sentada em frente a uma tela, sem nada fazer. No fundo, a água traz um tom de serenidade, com um brilho que reflete o encontro com o sol, como um convite a apreciar o movimento que se mostra, sem muita pressa. Sinto como estivesse presenciando algo único como no momento do nascimento de algo importante, que importa para quem cria, que realmente importa.
Percebo que minha respiração muda, meus ombros soltam o peso de um mundo, como se eu tivesse carregando toneladas por tanto tempo. Quando foi que aceitei carregar tanto? Percebo que é bom soltar. Ouço com os olhos um silêncio que guarda um instante único, necessário para grandes coisas, que de tão pequenas as vezes esquecemos de apreciar. A pessoa na minha frente não percebe que observo, com respeito e admiração, essa oferta de vida que me apresenta. Em alguns minutos diante da tela, em um silêncio de quem contempla, sentindo as árvores, o vento, o sol, as cores, a água, há o descanso.
Em alguns minutos diante da cena, encontro a esperança que me lembra do poder da espera quando tem espaço para crescer. Resolvo então tirar uma foto para lembrar da preciosidade de um encontro que me recorda que em tempos de pressa, a natureza nos convida a olhar melhor. A sensibilidade nos torna gente e nos convida a dançar mais lento. Sorrio, agradeço e sigo com os sentimentos de quem acredita mais nos começos, nas infinitas possibilidades de uma tela em branco.
Por Geissy
18/10/2024