14/09/2026
Tem uma parte da criação dos filhos que quase ninguém avisa: muitas vezes, quem precisa conseguir parar primeiro somos nós.
Quando uma criança pequena grita, insiste, chora porque ouviu um “não” ou repete pela décima vez aquilo que acabamos de pedir para não fazer, é muito fácil o adulto entrar na mesma intensidade.
Ela aumenta o tom.
A gente aumenta também.
Ela perde o controle.
A gente começa a perder o nosso.
Só que existe uma diferença importante nessa situação: nós já tivemos muito mais tempo para aprender a lidar com frustração do que eles.
Isso não signif**a ser uma mãe calma o tempo inteiro.
Eu perco a paciência. Falo mais alto do que gostaria. Às vezes respondo no impulso e depois penso que poderia ter conduzido de outra forma.
Para mim, aprender a me regular na maternidade tem muito mais a ver com perceber esses momentos antes que eles cresçam.
É conseguir sustentar um “não” mesmo diante do choro.
É não transformar a frustração da criança em uma emergência que precisa acabar imediatamente.
É entender que ela pode estar brava comigo e, ainda assim, eu não preciso mudar a decisão para fazê-la parar.
É diminuir minhas palavras quando percebo que estou f**ando irritada.
E, quando eu não consigo fazer nada disso e perco a paciência, é reconhecer, reparar e tentar novamente na próxima situação.
Porque criar filhos não é conseguir controlar o que eles sentem.
Talvez seja aprender a não deixar que toda tempestade deles vire automaticamente uma tempestade nossa.
E foi aí que comecei a entender:
antes de querer ensinar meus filhos a se regularem, eu também preciso aprender a me regular diante deles.
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