08/07/2015
Muitas pessoas se apresentam, profissionalmente, como "Educadores", sem ao menos refletir na sua própria condição. Mas um bom educador precisa ter uma performance. Compartilho com você um texto que abordo em meu Curso de Capacitação para Educadores:
A PERFORMANCE DO EDUCADOR
Desenvolver um módulo de Capacitação, ou seja, de aprendizagem para profissionais que se dedicam ao desenvolvimento de crianças, é um desafio!
I – Capacitação
Pela UNESCO, diz –se que capacitar é:
Aprender a aprender – Não achar que já sabe tudo ou que ouviu aquilo antes!
Aprender a fazer – sair do comodismo de só ouvir e “por a mão na massa”.
Aprender a viver – uma atitude que o leva a aplicar o que aprendeu, na solução de problemas.
Aprender a ser – é a sua autenticidade, como educador.
Para aprender, você precisa ter um motivo real para isto. Para quê me serve esta aprendizagem? Esta é a primeira pergunta que você deve fazer a si próprio e respondê-la! Caso contrário, você descartará todas as informações que receber, assim que acabar o Curso. Se você ouvir tudo, observar e fazer as anotações que lhe forem pertinentes, você irá apenas “saber”. Mas é preciso diferenciar o “saber” do “saber fazer”. Entre um conceito e outro há uma longa distância! “SABER FAZER” é um conceito filosófico que deve nortear sua vida; uma postura pessoal a ser seguida. Não adianta fazer um Curso ( se capacitar), sem explorar seu próprio potencial e o de seu aluno.
II – Desânimo –
A rotina diária, as frustrações com o trabalho e consigo mesmo, as respostas das crianças, a cobrança de seus superiores, geralmente o levam ao desânimo. E o desânimo, nada mais é do que um sinal de que você está permitindo um envelhecimento de seu espírito inquieto, que deve ser o ponto alto de sua prática pedagógica. Você começa a perder a imaginação, tornando-se um refém somente daquilo que é possível fazer. O “impossível” não é mais uma palavra que faz parte de seu vocabulário, nem um conceito que integra seu repertório pedagógico.
Segundo a descrição do dicionário, desanimar é tirar a animação, a alma, o espírito vital que fortalece e dá sentido ao que fazemos, ao nosso compromisso e a nossa profissão.
III – Como resgatar o ânimo –
Inicialmente, você precisa pensar em investir em VOCÊ!
1. Equacione seus desencontros íntimos! – Você gosta do que faz? Se não gosta e não descobre razões que despertem seu prazer no que faz, não irá produzir. Se o seu trabalho é questão de sobrevivência, este desencontro íntimo vai acabar com você!
2. Cultive competência! Hoje só há espaço para quem quer trabalhar duro e não quem apenas está atrás de emprego. Não adianta arrumar desculpas o tempo todo pelo insucesso, mas sim arrumar responsabilidades. Desenvolva o hábito de opinar construtivamente, discordar do chefe (caso haja razão e fundamento), alertar um colega por brincadeiras inoportunas, ser curioso e descobrir formas diferentes de atuar!
3. Maximize sua atividade profissional! – Qual é a sua atividade principal no Núcleo, no Abrigo ou na Escola? Procure maximizar (se superar) em sua atividade principal e ser muito bom nas outras atividades. Hoje precisamos ser bons em várias coisas. Esteja por inteiro naquilo que você está fazendo. Temos o péssimo hábito de fazer várias coisas ao mesmo tempo. Desde coisas necessárias (como digitar um texto enquanto atende telefone), até coisas não necessárias ( como assistir TV enquanto escreve ou lê). Uma ação eficiente de sua parte acontece quando você está por inteiro naquilo que faz, quando você faz certo na primeira vez. e quando confere (sempre!) aquilo que faz. Sua performance melhora.
4. Maximize VOCÊ! – Acorde 10 minutos mais cedo. Comece seu dia com um rápido alongamento físico. Olhe se no espelho e diga para você mesmo: “simpático(a)!” “bonitão ( ou bonitona)!” “magnético(a)!” “Eficiente!” BOM DIA! Leia um pensamento espiritual reconfortante, tome um café sem pressa e vista-se adequadamente à atividade profissional que irá desenvolver. Seja cordial ao se despedir de casa e ao chegar no seu local de trabalho. E se alguém lhe receber com cara feia ou de mau-humor, sorria e controle a emoção de reagir da mesma maneira.
IV - Como se sentir motivado? –
É bom que você saiba que não existem pessoas “motiváveis”. Um supervisor (ou patrão) só consegue motivar uma pessoa até 40%. Os outros 60% estão dentro do objetivo da própria pessoa, ou seja, sua motivação espiritual. Daí ser importante você fazer o que faz.
V - Como ser criativo? –
Todos nós somos movidos pela Razão ou pela Emoção. Você só conseguirá ser criativo em sua função de Educador se conseguir manter um equilíbrio entre a razão e a emoção. Sendo criativo, você desenvolve a capacidade de descobrir técnicas e subsídios que lhe darão maior produção, com menos esforço no trabalho com crianças e adolescentes.
VII – Como se reavaliar, refletindo?
Concluindo este capítulo sobre a Performance do Educador, quero atrair sua atenção para alguns paradoxos que existem em nossa vida, sobre os quais precisamos refletir:
Vida mais corrida – Menos paciência
Mais planejamento – Menos realização
Mais quantidade – Menos qualidade
Mais alimentação – Mais fome no mundo
Mais conforto – Menos paz interior
Mais computador – Menos comunicação
Mais agito e TV – Menos leitura e reflexão
Mais dinheiro – Menos Ética
Mais “Big Brother” - Menos vivência pessoal