Centro de Resgate da História Mimosense Alci Vivas Amado

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Estação do Mimoso, 1908. Foto de Eutychio d’Oliver.É a atual cidade de Mimoso do Sul, Espírito Santo.Fonte: cópia fotogr...
20/06/2025

Estação do Mimoso, 1908. Foto de Eutychio d’Oliver.
É a atual cidade de Mimoso do Sul, Espírito Santo.
Fonte: cópia fotográf**a, feita pelo autor, da foto original que está guardada no IPHAN.

Nessa foto, o então distrito de Mimoso estava começando a aumentar seu núcleo urbano. Tomaria algum incremento em finais da década de 1910, crescendo substancialmente na década de 1920, quando tornou-se maior e mais populosa que a sede do município de São Pedro do Itabapoana.
A primitiva urbe surgiu no entroncamento das estradas que vinham da Fazenda Mimozo, Fazenda da Serra e estação ferroviária, das Fazendas Santa Martha e Belo Monte, que vinham passando pelo Alto São Sebastião e Vila da Penha, respectivamente, e das Fazenda Pratinha e porto do Prata. Foi nessa conjunção de caminhos, no triângulo formado pelas ruas Espírito Santo, Cel Paiva Gonçalves e Siqueira Campos, que se estabeleceram, com comércio, várias famílias de sírio-libaneses. As posses urbanas eram aforadas pelos interessados, junto aos proprietários das terras que pertenciam às antigas fazendas da região, dentre elas a Fazenda Mimozo.

Pesquisa e texto: Gerson Moraes França

IMIGRAÇÃO ÍTALO-SAMARINENSE NO ESPÍRITO SANTOÉ preciso corrigir a rota da narrativa histórica sobre a imigração dos sama...
17/06/2024

IMIGRAÇÃO ÍTALO-SAMARINENSE NO ESPÍRITO SANTO

É preciso corrigir a rota da narrativa histórica sobre a imigração dos samarinenses de final do século XIX no Espírito Santo. Desde 2007, quando foi exibido o documentário "Graças a Deus", do cineasta samarinense Leonardo Casali, que erroneamente se informa que o município de Muqui abrigou a maior colônia de samarinenses fora da Europa.
Os imigrantes ítalo-samarineses chegaram no Espírito Santo nos anos de 1895 e 1896. Foram 356 pessoas em 68 famílias (dados do APEES) que foram encaminhadas principalmente ao sul do Estado, para trabalharem nas lavouras de café das fazendas locais.
Foram distribuídos em várias localidades, desde Muniz Freire - no Caparaó - até Apiacá - no Itabapoana, e também em terras da atual Muqui; mas a grande maioria deles foi direcionada para propriedades nos distritos de Conceição do Muqui e Santo Antônio do Muqui, então município de São Pedro do Itabapoana, hoje município de Mimoso do Sul.
Assim, é preciso redirecionar à correta narrativa, que vem sendo descontruída por um equívoco cometido um cineasta estrangeiro; talvez por não conhecer bem a geografia local, o documentário associou os distritos mimosenses de Santo Antônio e Conceição (ambos, do Muqui) com a cidade de Muqui.
Há descendentes desses imigrantes samarinenses na atual Muqui? Sim, e muitos. Mas também os há em Mimoso do Sul, Cachoeiro do Itapemirim, Vitória, Colatina e até Rio de Janeiro. E quase todos eles são originários daquelas famílias que se instalaram, primeiramente, nas terras "lá de cima" supra citadas.
Para quem quiser conhecer mais sobre esse processo de imigração ao Espírito Santo, advindo da República de San Marino, há um ótimo trabalho organizado por Mauro Reginato: é o livro "De San Marino ao Espírito Santo: Fotografia de uma Emigração" (EDUFES, 2004). Foi essa obra, aliás, a responsável por resgatar essa memória que estava quase perdida.
Em tempo: o documentário de Casali, apesar do equívoco, é muito bom. E acabou registrando o dia a dia das pessoas e de uma cidade (Muqui) no ano de 2005, quando foi filmado. É muito interessante comparar aquela Muqui de quase vinte anos atrás com a atual cidade.
Gerson Moraes França

16/11/2023

O 15 de novembro chegou no dia 16, e foi festejado no dia 20 Leitor, o título do presente post pode não ser muito apropriado. Não houve p...

Em 1911, o povoado de Mimoso, sede do distrito de mesmo nome, pertencente ao município de São Pedro do Itabapoana, estav...
12/01/2022

Em 1911, o povoado de Mimoso, sede do distrito de mesmo nome, pertencente ao município de São Pedro do Itabapoana, estava prestes a iniciar o crescimento de seu núcleo urbano. Crescimento ainda tímido nos anos 1910, e que tomaria enorme incremento nos anos 1920. Nessa última década, o povoado de Mimoso ultrapassaria a cidade de São Pedro em número de casas e habitantes, e também em estabelecimentos comerciais e algumas iniciativas industrias.

Na época dessa foto, o povoado tinha concentração de casas apenas no entorno da antiga sede da Fazenda Mimozo (entre a ponte do Albano e a entrada da rua da Serra) e nos aforamentos dos sírio-libaneses (no "triângulo" do quarteirão que f**a na rua da entrada da AABB), onde crescia um nascente comércio varejista. Na atual rua da estação não havia uma casa sequer.

A decadência das grandes fazendas do entorno da estação após a abolição da escravidão, crise de mão de obra e e a primeira grande baixa dos preços do café (entre 1895 e 1910) fez com que boa parte dessas terras mudassem de proprietários, bem como proporcionou o arrendamento de glebas, para interessados, por parte dos herdeiros dos antigos fazendeiros. Com a melhora dos preços da rubiácea e o plantio de cafeeiros novos, um grande número de colonos (trabalhadores das fazendas maiores) e arrendatários foi chegando ao entorno, aumentando o mercado consumidor e as possibilidades do comércio nas cercanias da estação. Isso, concomitante com o cultivo de virtualhas e mantimentos (cerais e animais para consumo local) durante a crise de preços do café, proporcionou o abastecimento desse nascente núcleo urbano.

Estava pronto o "caldo" que daria início ao desenvolvimento do povoado de Mimoso que, em 1930, teria seu status elevado à condição de cidade e de sede de município, arrebatando essa última da antiga sede de São Pedro do Itabapoana.

Pesquisa e texto: Gerson Moraes França
Foto: Arquivo Público do Estado do Espírito Santo

Hoje celebra-se o dia de Nossa Senhora da Imaculada Conceição. Em homenagem à data e ao distrito de Conceição do Muqui, ...
08/12/2021

Hoje celebra-se o dia de Nossa Senhora da Imaculada Conceição. Em homenagem à data e ao distrito de Conceição do Muqui, abaixo segue um breve histórico dos primórdios da história de Conceição, bem como da edif**ação da primitiva capela de Nossa Senhora da Conceição de Muqui.

CONCEIÇÃO DO MUQUI - HISTÓRIA
Apontamentos inéditos sobre os primórdios da vila de Conceição do Muqui, próspero distrito do município de Mimoso do Sul.

As primeiras posses em terras que circundam a atual vila de Conceição do Muqui foram colocadas em 1840, pelo posseiro Quintiliano José Barreiros. Esse posseiro e mateiro foi muito atuante nas regiões de Alegre, Café e Conceição do Muqui.
Essas terras, junto com as terras da fazenda da Prata, nas cabeceiras do ribeirão Barra Alegre (vendidas por Francisco Lopes da Rocha, posseiro da região do baixo Barra Alegre em 1837), foram compradas em 1853, na cidade de Vassouras, pelo abastado fazendeiro Manoel Gomes de Souza, então morador em Sacra Família do Tinguá. As terras do alto Barra Alegre e do alto Muqui do Sul pertencentes ao progenitor da família depois chamada de "os Gomes do Prata" mediam 4 sesmarias e eram bem extensas.
Em 1854, o fazendeiro muda seu nome para Manoel Gomes da Silveira e Souza, e em junho de 1858 muda-se, com a sua família, para a sua fazenda do Prata. Em algum momento do início da década de 1860 o tenente-coronel Manoel Gomes doou uma grande área para servir de patrimônio à Capela de Nossa Senhora da Conceição, em um pequeno córrego que corria para o Rio Muqui do Sul, templo este que já estava construído em 1867.
O coronel Manoel Gomes de Silveira e Souza, também chamado de Manoel Gomes da Prata, foi um dos homens mais ricos da Província do Espírito Santo. Faleceu em 07 de março de 1882 e foi sepultado na Igreja de Nossa Senhora da Conceição do Muqui. Nessa ocasião o templo recebia grandes reformas patrocinadas por Manoel e outros fazendeiros locais, buscando transformar a construção em uma grande Igreja.

Pesquisa e redação: Gerson Moraes França

Hoje, dia 29 de setembro, completou-se  noventa anos do "desfecho" do interessante e pitoresco episódio da resistência d...
30/09/2021

Hoje, dia 29 de setembro, completou-se noventa anos do "desfecho" do interessante e pitoresco episódio da resistência das mulheres são-pedrenses, lideradas pela professora Rosa Caroli, à espoliação dos próprios municipais de São Pedro do Itabapoana por parte dos mimosenses.
Salvaguardando, na residência de sua família, os despojos e troféus pelo Fiscal retirados do edifício da Câmara, Rosinha já havia sido censurada dias antes pelas autoridades "pela atitude de rebeldia que então assumistes em desacato à autoridade do prefeito do município de João Pessoa" (atual Mimoso do Sul). Foi imputado a ela um ato de perturbação da ordem e tranquilidade pública. A data da inauguração da nova sede municipal em Mimoso estava chegando, e era preciso terminar os últimos acabamentos da obra. O tempo urgia.
Assim, logo pela manhã, há 90 anos atrás, uma força policial do Estado, sob mando do Interventor Federal João Punaro Bley, cercou a casa de Rosinha. A família foi retirada do imóvel e a polícia varejou (invadiu e revistou) a residência dos Caroli, apreendendo todos os bens da Câmara Municipal que lá estavam guardados, levando-os para a nova sede no antigo distrito de Mimoso. Somente muitas horas depois a família pôde regressar ao seu lar.
Poucos dias após, usando dos lustres e instalação elétrica saqueados do prédio da Prefeitura e Câmara de São Pedro, foi inaugurada a nova sede da Prefeitura em João Pessoa (Mimoso do Sul).

Texto e pesquisa: Gerson Moraes França
Fonte primária: telegramas de Rosa Caroli, com cópias guardadas por Alci Vivas Amado.

Fotos:
1 - A professora Rosa Caroli.
2 - O antigo prédio da Prefeitura, Câmara e Fórum do município de São Pedro do Itabapoana.
3 - Edif**ação de residência de Rosa Caroli e sua família, ainda hoje existente e tombada pelo Conselho Estadual de Cultura.

ROSINHA CAROLI E OS LUSTRES DE SÃO PEDRO - EFEMÉRIDE COMPLETA 90 ANOSHoje, dia 17 de julho, completam-se 90 anos do pito...
17/07/2021

ROSINHA CAROLI E OS LUSTRES DE SÃO PEDRO - EFEMÉRIDE COMPLETA 90 ANOS

Hoje, dia 17 de julho, completam-se 90 anos do pitoresco e interessante episódio da resistência das mulheres sãopedrenses, capitaneadas pela professora Rosa Caroli, a senhorita Rosinha.
Foi nesse dia, em 1931, que um grupo de mulheres da sociedade de São Pedro do Itabapoana resolveu tomar alguma atitude em relação à espoliação do prédio da Câmara, Fórum e Prefeitura da antiga municipalidade.
Era uma sexta-feira, pela noite, quando o grupo adentrou a casa do Fiscal da prefeitura de João Pessoa (atual Mimoso do Sul) em São Pedro e arrebatou os troféus por ele guardados. Mais cedo, por determinação das autoridades de João Pessoa, o fiscal e seus ajudantes haviam retirado do prédio toda a instalação elétrica, para serem instaladas nos edifícios que estavam sendo reformados para abrigar a Prefeitura e Fórum, na nova sede em Mimoso, e que em breve seriam inaugurados.
Diante da apatia dos homens, encarando tal medida como fato consumado, as mulheres resolveram resistir e, "tal como Benta Pereira e Maria Ortiz", invadiram a casa do Fiscal e retiraram todo o material pertencente ao prédio da Câmara, inclusive os belos e caros lustres. Foram guardados depois no "porão" na casa aonde Rosa Caroli residia com os pais e irmãos. Lá f**aram por mais de dois meses, enquanto Rosa Caroli e outros, falando pelas famílias sãopedrenses, tentavam reverter a situação da mudança da sede municipal em correspondências enviadas às autoridades superiores.
Infelizmente, tal ato de resistência e heroísmo não obteve êxito em seu sonhado objetivo: São Pedro nunca mais deixou de ser um distrito de Mimoso. Mas cumpriu um importante papel na luta dos são-pedrenses contra a arbitrariedade que foi a truculenta tomada da Comarca.

Texto e pesquisa: Gerson França
Fontes: correspondências de Rosa Caroli, que estavam no arquivo do saudoso poeta e escritor Alci Vivas Amado, bem como o arquivo pessoal do autor do presente texto.
FOTOS:
1 - Professora Rosa Caroli, a Rosinha.
2 - Prédio da Câmara, Fórum e Prefeitura de São Pedro do Itabapoana.
3 - Edif**ação aonde residiam Rosa Caroli e sua família.

Em homenagem ao nosso poeta e escritor Alci Vivas Amado, que tanto escreveu e romantizou o pitoresco episódio da resistê...
24/02/2021

Em homenagem ao nosso poeta e escritor Alci Vivas Amado, que tanto escreveu e romantizou o pitoresco episódio da resistência das senhoras são-pedrenses à espoliação do prédio que abrigava o Fórum, a Câmara Municipal e a Prefeitura de São Pedro do Itabapoana, segue uma foto da senhorinha Rosa Caroli, a Rosinha, que se pôs à frente desse movimento de resistência.

Como ela mesma disse à época, um ato de resistência, guardadas as devidas proporções, "fazendo lembrar Benta Pereira e Maria Ortiz", em defesa dos direitos de São Pedro do Itabapoana e de seus moradores. A He***na São-pedrense, como rezam os escritos do nosso saudoso poeta Alci Vivas Amado.

Em breve, o nosso Centro de Resgate da História Mimosense publicará um relato, todo baseado em documentos, sobre esse interessante episódio de nossa história, ocorrido em 1931.

Foto: recorte de fotografia do acervo do casal Maurino (in memorian) e Wilma Vasconcelos, publicada por Paulo José.

Endereço

Mimoso Do Sul, ES

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