Prof. Marcele Moschini Canegoski Ciência, Educação e Inclusão

Prof. Marcele Moschini Canegoski Ciência, Educação e Inclusão Licenciada em Ciências Biológicas e concluindo Pedagogia. Especialista em AEE, ABA, Psicopedagogia, Neurociência.

Acredito que inclusão real se faz com propósito, consciência e prática, e dedico minha trajetória a tornar o aprendizado acessível para todos

📚 Inclusão: o que a lei garante e o que o sistema entregaFalar de inclusão não é criticar professores ou escolas.É olhar...
11/01/2026

📚 Inclusão: o que a lei garante e o que o sistema entrega

Falar de inclusão não é criticar professores ou escolas.
É olhar para o sistema educacional e reconhecer seus limites.
Porque, sejamos honestos:
ninguém faz inclusão sozinho.

O processo está dividido em quatro momentos:

🔴 Exclusão (até o séc. XIX)
Não havia acesso, nem direitos.
Pessoas com deficiência simplesmente não eram consideradas parte da escola.

🟠 Segregação (final do séc. XIX até anos 1960)
O atendimento surge, mas separado.
Instituições e escolas especiais, fora do convívio comum.

🟡 Integração (anos 1970–1980)
O aluno entra na escola regular,
mas precisa se adaptar ao currículo, às regras e ao ritmo.
➡️ Quando não consegue, o problema recai sobre ele
e muitas vezes sobre o professor.

🟢 Inclusão (a partir de 1994 – Declaração de Salamanca)
A lógica se inverte:
👉 o sistema se organiza para atender todos.
👉 há apoios, AEE, acessibilidade, formação e mediação.

Isso não é discurso. É lei.
📌 Constituição Federal/1988
📌 LDB nº 9.394/96
📌 Declaração de Salamanca/1994
📌 Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (Decreto nº 6.949/2009)
📌 Política Nacional de Educação Especial/2008
📌 Lei Brasileira de Inclusão nº 13.146/2015

No papel, o Brasil já escolheu a inclusão.
Então por que ainda parece integração?
Não porque professores não queiram incluir.
Mas porque o sistema muitas vezes não oferece:
▪️estrutura adequada
▪️formação continuada
▪️equipes multiprofissionais
▪️tempo, recursos e apoio real

Entender que, somos nós quem precisamos adaptar e não o contrário, o aluno atípico/neurodivergente não vai deixar de ser quem é para se adaptar ao sistema, alguns até o fazem, mas o custo para manter essa postura é enorme, muitos perdem o interesse pela escola e caem em depressão.
O custo de sustentar alguém que não é, esgota!

📌 Quando faltam condições, o esforço vira individual e a sobrecarga é real.
📌 E inclusão não pode depender de heroísmo docente.

💬 Reflexão final:
A escola tenta incluir.
O professor se desdobra.
Mas inclusão só acontece de verdade
quando o sistema assume sua responsabilidade

Afinal, o que é o Autismo?O Autismo é um Transtorno do Neurodesenvolvimento, ou seja, suas características aparecem desd...
24/12/2025

Afinal, o que é o Autismo?

O Autismo é um Transtorno do Neurodesenvolvimento, ou seja, suas características aparecem desde a primeira infância, geralmente antes dos 3 anos.

A maioria dos casos tem origem genética, podendo haver interação com fatores ambientais ainda na gestação. Não é causado por criação, não é escolha e não é falta.

Autismo não é ausência.
É um funcionamento neurodivergente.
A pessoa autista sente, percebe, se comunica e aprende de forma diferente do padrão considerado “normal” — que, na verdade, é apenas o padrão da maioria.

Agora pense:
👉 Como você, neurotípico, se sentiria vivendo em um mundo onde todas as regras fossem feitas para autistas?
Sem gritos.
Sem sirenes.
Sem música alta.
Sem conversa por obrigação.
Com comunicação direta, silêncio respeitado e previsibilidade.

Você provavelmente se sentiria deslocado.
Não por ter um problema, mas porque o ambiente não foi feito para você.

É isso que muitas pessoas autistas vivem todos os dias.

✨ Inclusão não é favor.
É adaptação, respeito e compreensão da diversidade humana.


💡Superdotação e Altas Habilidades no Contexto EducacionalCompreender para incluir, identificar e desenvolver potencialA ...
15/11/2025

💡Superdotação e Altas Habilidades no Contexto Educacional

Compreender para incluir, identificar e desenvolver potencial

A superdotação, ou Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD), ainda é um tema cercado de mitos dentro das escolas. Um dos mais comuns é o de que alunos superdotados são sempre brilhantes, disciplinados, com desempenho impecável e comportamento exemplar.
Na prática, ocorre exatamente o contrário na maioria dos casos.

1. Por que a escola tem dificuldade de reconhecer a superdotação?

Grande parte dos estudantes com AH/SD não corresponde ao “aluno ideal”. Eles podem:

▪️questionar conteúdos constantemente;

▪️rejeitar tarefas repetitivas;

▪️demonstrar desinteresse em atividades sem sentido para eles;

▪️não copiar cadernos;

▪️apresentar dispersão ou inquietude;

▪️parecer “desconectados” da aula.

Esses comportamentos não são falta de educação ou desmotivação:
são sinais de que o estudante processa informações de forma acelerada, exige desafios cognitivos e tem necessidades educacionais específicas.

2. Superdotação não é sinônimo de alto rendimento escolar

O termo técnico para isso é underachievement: quando o desempenho acadêmico não acompanha o potencial.
A escola costuma esperar notas altas e comportamento exemplar, mas o estudante com AH/SD pode apresentar:

▪️dificuldade em finalizar tarefas;

▪️rendimento irregular;

▪️alternância entre momentos de alto desempenho e outros de queda brusca;

▪️mudança constante de interesses;

▪️aparente desorganização.

Esses sinais são frequentemente interpretados como preguiça, desinteresse ou déficit de atenção — e o aluno passa despercebido.

3. Características cognitivas e socioemocionais na escola

Estudantes com AH/SD podem apresentar:

📌Cognitivas

▪️rapidez de raciocínio;

▪️pensamento divergente (diferente do padrão esperado);

▪️criatividade alta;

▪️facilidade em aprender de maneiras não convencionais;

▪️preferência por autonomia e desafios.

📌Socioemocionais

▪️sensibilidade elevada;

▪️perfeccionismo disfuncional;

▪️autocrítica intensa;

▪️frustração diante de tarefas simples;

▪️dificuldade com regras rígidas;

▪️vulnerabilidade a bullying e isolamento.

A combinação dessas características exige que a escola compreenda que altas habilidades não significam “aluno pronto”, e sim aluno que necessita de estratégias diferenciadas.

4. O papel da escola na identificação

A legislação brasileira prevê identificação e atendimento de estudantes com AH/SD (Política de Educação Especial, 2008; Diretrizes Operacionais do AEE, 2009).
Para isso, recomenda-se:

▪️observações sistemáticas em sala;

▪️escuta ativa da família;

▪️análise de produções espontâneas;

▪️acompanhamento do comportamento frente a desafios;

▪️parceria com o AEE e com profissionais especializados.

O olhar atento dos professores é fundamental — não para buscar perfeição, mas para reconhecer singularidades.

5. Estratégias educacionais eficazes

▪️Enriquecimento curricular
Oferecer atividades mais complexas, abertas, investigativas e criativas.

▪️Aceleração parcial ou por áreas

▪️Permitir que o aluno avance em conteúdos nos quais demonstra alto domínio.

▪️ Projetos autorais

▪️Favorecer que produza, explore e aprofunde temas de interesse.

▪️Autonomia com orientação

▪️Acompanhar o aluno sem engessá-lo, permitindo escolhas.

▪️Mediação socioemocional
Trabalhar perfeccionismo, frustração, empatia e colaboração.

▪️Ambiente que acolha questionamentos
Estimular o pensamento crítico ao invés de interpretá-lo como afronta.

6. Por que isso transforma vidas?

Porque estudantes com AH/SD adoecem emocionalmente quando não reconhecidos, sentem-se inadequados, desmotivam-se e podem se tornar adultos que acreditam ser incapazes — mesmo tendo alto potencial.

Quando a escola identifica, acolhe e desenvolve esse estudante, ela:

▪️reduz o sofrimento psíquico,

▪️evita evasão ou queda de desempenho,

▪️potencializa talentos,

▪️promove inclusão real,

▪️fortalece autoestima e autonomia.

📍Conclusão

Superdotação não é privilégio e nem garantia de sucesso acadêmico.
É uma condição que exige olhar pedagógico sensível, estratégias diferenciadas e compreensão do funcionamento cognitivo e emocional do estudante.

A escola que entende isso rompe estereótipos, amplia oportunidades e cria ambientes verdadeiramente inclusivos, onde cada aluno — inclusive os mais intensos, inquietos e questionadores — tem espaço para florescer.

"Brincar também se aprende!"Para uma criança neurotípica, o brincar surge de forma natural, assim como a interação com o...
14/11/2025

"Brincar também se aprende!"

Para uma criança neurotípica, o brincar surge de forma natural, assim como a interação com os colegas.
Mas para crianças neurodivergentes, como aquelas no espectro autista, com TDAH ou outros transtornos do desenvolvimento, o brincar nem sempre acontece espontaneamente.

Por isso, é fundamental estimular, ensinar e praticar o brincar, tanto na escola quanto no ambiente familiar.

O brincar não é só diversão — é desenvolvimento, é aprendizagem, é saúde emocional!
Ele promove:

•Interação social

•Desenvolvimento cognitivo

•Coordenação motora

•Autonomia

•Paciência e foco

•Regulação emocional

-Dicas de brincadeiras:

•Jogar bola

•Modelar massinha

•Cantar músicas e fazer atividades rítmicas

•Blocos de montar

•Jogos simples e simbólicos

‼️Importante: cada criança é única! As atividades devem ser adaptadas às suas habilidades, respeitando seu tempo e sua forma de interagir com o mundo.

Brincar é inclusão. Brincar é amor. Brincar transforma!

💙 ABA com acolhimento: o que é e como transforma?A Intervenção ABA (Análise do Comportamento Aplicada) é uma abordagem b...
07/11/2025

💙 ABA com acolhimento: o que é e como transforma?

A Intervenção ABA (Análise do Comportamento Aplicada) é uma abordagem baseada na ciência do comportamento. Mas, mais do que uma técnica, é uma forma de enxergar e apoiar o outro com respeito, escuta e intenção.

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🧩 Como funciona na prática?

ABA observa o que vem antes, durante e depois de um comportamento. A partir disso, traçamos estratégias personalizadas para:

🔹 Ensinar novas habilidades
🔹 Reduzir comportamentos desafiadores
🔹 Aumentar a autonomia e qualidade de vida

📍 Exemplo:
Uma criança autista grita quando quer um brinquedo. Em vez de corrigir apenas o grito, ensinamos um novo comportamento — como apontar, sinalizar com imagem ou dizer “quero bola”.
Esse processo se chama reforçamento diferencial — fortalecemos o comportamento funcional, não o desafiador.

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🎯 ABA não força, ABA ensina com intenção

Intervenção ABA não é rigidez, nem “adestramento”. É ciência aplicada com sensibilidade.

🫱🏼‍🫲🏽 Trabalhamos com motivação (motivação operante), ou seja, identificamos o que a criança valoriza — seja um brinquedo, um abraço ou um momento no parquinho — e usamos isso como reforçador.

📍 Exemplo:
Se a criança adora bolhas de sabão, podemos usar esse momento como “recompensa” após ela conseguir colocar o sapato sozinha.
Isso se chama reforçamento positivo — e não suborno. É ensinar com prazer e significado.

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💡 Cada passo é um avanço

ABA respeita o tempo de cada criança. Às vezes o avanço é colocar a meia sem ajuda. Outras vezes, é tolerar um som incômodo por 2 minutos a mais. Tudo é analisado e registrado com critérios objetivos.

📍 Exemplo:
Quando uma criança começa a sentar por 2 minutos para pintar ao invés de fugir da atividade, isso é progresso. Mesmo que ela ainda não pinte “como as outras”, ela está aprendendo a permanecer, explorar, aceitar.

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🌱 ABA com afeto é possível (e necessária)

A verdadeira intervenção ABA é aquela que valoriza o vínculo com o terapeuta, a escuta das famílias e o bem-estar da criança.

Ela não ignora sentimentos, não apaga identidade, não exige o que não pode ser dado no momento.
Ela ensina, acolhe e respeita.

🌿 Carta de um autista para o mundo — na práticaDias atrás, compartilhei um texto com esse título, escrito por mim, unind...
06/11/2025

🌿 Carta de um autista para o mundo — na prática

Dias atrás, compartilhei um texto com esse título, escrito por mim, unindo conhecimento técnico e experiência pessoal.
Hoje, quero mostrar o que isso significa na vida real.

Três alunas estavam comendo amoras colhidas no pátio da escola.
Um aluno com TEA nível 3 se aproximou e pegou uma.
As meninas estranharam o gesto — então expliquei rapidamente como ele funciona, e elas ficaram curiosas e atentas.

Pouco depois, voltaram com outro punhado de amoras.
Já sabiam que, embora não verbal, ele compreende tudo.
Com carinho, disseram que haviam trazido todas as amoras para ele.

Em um gesto de comunicação e afeto, ele pegou as amoras e deu na boca de cada uma de nós… e saiu sorrindo. 💜

Expliquei o quanto aquele gesto foi importante, o quanto ele ficou feliz, e que às vezes ele só não sabe como se aproximar.
As meninas entenderam — e foram brincar com ele.

✨ Reflexão:
É urgente educar para a neurodiversidade.
Não há inclusão sem informação.
E não são apenas os profissionais que precisam saber — toda a comunidade escolar e a sociedade precisam aprender a enxergar, compreender e acolher.

Endereço

Mariano Moro, RS
99790-000

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