O ensino médio teve início em Maracanaú - Ce no ano de 1988, com a criação do então Liceu de Maracanaú. Esta Instituição de Ensino Público teve início no local onde hoje funciona a Escola Tenente Mário Lima. Funcionava apenas no turno noturno, de forma precária em prédio cedido pela prefeitura. Formado por um grupo de jovens criativos, em pouco tempo de atividade, começou a se destacar com a participação em eventos científicos e culturais, em que ganhou projeção nacional, revelando talentos do corpo docente e discente. No ano de 1999, em sede ainda provisória, passou a ocupar prédio da antiga Fundação Francisco Moura, localizado na cidade de Maracanaú, Ceará. Nesse período, já funcionando em três turnos diários e atendendo a um corpo discente da 1ª e 2ª séries do Ensino Médio. Objetivando uma educação de qualidade, a princípio, o quadro de professores foi formado de modo heterogêneo, pois havia professores sem vínculo com o Estado e outros recentemente efetivados por via de concurso público. Essa heterogeneidade no quadro docente foi importante, pois havia uma unidade de pensamento e de objetivos, tanto que certas situações de ordem administrativa eram resolvidas em conjunto sem haver prejuízo para nenhum docente, mesmo que fosse prestador de serviço temporário. O Governo do Estado à época construiu muitos Liceus num padrão estrutural único, com laboratórios, 12 salas de aula, 1 auditório, biblioteca, laboratórios de física, química, biologia e informática, ou seja, um prédio bem estruturado, ainda acompanhado de uma quadra poliesportiva, mas não foi o caso deste referido Liceu que, por motivos burocráticos e entraves políticos, foi construído sem uma quadra. Apesar disso, a mudança foi efetivada em 2000, sob a direção do Prof. Sandro Henrique, o qual administrativamente soube conservar o prédio tal qual como o recebeu. Constitui um fato inédito, conseguir conservar uma escola pública sem uma pichação ou deterioramento praticado por vândalos, que, infelizmente, só pensam em destruir patrimônios públicos. Lembramos ainda que esta fase foi marcada por uma escola com base na disciplina e num ensino de qualidade. A partir do segundo semestre de 2004, a direção da escola ficou a cargo do Professor Plácido Cavalcante, o qual, logo de início, veio revolucionar a metodologia pedagógica, voltada para perspectiva de que “Educar é estabelecer metas a serem contempladas com um ensino voltado para a vida e para o âmbito profissional”, conforme Dias Sobrinho (2000: p. 20-23). Tomando por base esse principio de educar para a vida, foi estabelecido nesta escola uma pedagogia voltada para Projetos Educacionais, que ofertassem aos discentes uma educação integradora, inclusiva e participativa, fazendo do aluno um agente da educação, e não um objeto do processo de ensino-aprendizagem. Para isso foram planejados Seminários Científico-Culturais, com temas pré-estabelecidos por uma comissão de professores representantes das 03 (três) Áreas de Conhecimento (Linguagens & Códigos, Ciências da Natureza e Matemática, Ciências Humanas) sempre visando à interdisciplinaridade através de temas transversais escolhidos por meio de uma votação com participação de alunos e professores e um planejamento detalhado das ações. Por meio desse processo metodológico de mediar conhecimentos e experiências é que esta escola foi agraciada com o PRÊMIO GESTÃO ESCOLAR, estabelecido pelo CONSED (Conselho Nascional dos Secretarios de Educação) no intuito de promover e premiar as escolas que buscam novos rumos para alcançar uma educação de qualidade, através de experiências e metodologias inovadoras e bem criativas. A avaliação desenvolvida passou a ser um processo e não um fim em si mesmo. Inicialmente, foi difícil implantar por se tratar de um método inovador, pois tudo o que é novo sempre tem certa objeção. Com o passar do tempo, conceber e assumir que o discente como sujeito, e não como mero espectador no processo de ensino-aprendizagem traz certa desconfiança aos educadores, por considerarem que os alunos não são capazes de desempenhar tarefas de transmitir conhecimentos, por falta de experiência ou por não os considerarem hábeis. Mas, isso foi desmistificado com a oportunidade dada aos alunos com o surgimento dos seminários, em que os alunos são senhores do estudo, pois terão que pesquisar ler, estudar, produzir, tendo no seu professor uma fonte de apoio para tornar o trabalho a ser apresentado o mais cientificamente possível. Cada turma é dividida em grupos de no máximo 03 (três) pessoas ou até individualmente. Nervosismo, ansiedade, alunos pesquisando em cada canto do colégio são cenas comuns em épocas de seminários que têm a duração de 15 dias, sem comprometimento ao que foi estabelecido nos encontros pedagógicos realizados semestralmente ou mensalmente conforme a demanda. Outro ponto de inovação foi a distribuição das disciplinas por semestralidade. Por exemplo, na 1ª série do Ensino Médio são ministradas aulas de conhecimentos na área de ciências e matemática, enquanto nas demais séries com as outras áreas de conhecimento. Isso possibilitou aos alunos uma experiência nova, ter mais conhecimentos específicos, concentrando as aulas em um menor período de tempo, o que acaba dando continuidade ao processo de aprendizagem. O professor foi levado a uma dicotomia: preparar um número maior de aulas em um curto período de tempo, tornando as mesmas agradáveis e permitiu um melhor contato com o discente além de mais tempo para planejar sua metodologia e didática para mediar conhecimentos, isso é possível, porque há uma espécie de enxugamento dos conteúdos, mediando apenas o necessário e essencial para a formação de um aluno cidadão. Não há pedagogia sem política, nem política sem pedagogia, pois a educação deve formar um aluno cidadão, antes de formá-lo profissionalmente. Criada e administrada por Fábio Araújo: (https://www.facebook.com/fabioeugeniodearaujo)