Professor André Scantimburgo

Professor André Scantimburgo

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Professor na rede particular de ensino e membro do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais (IEEI) da Unesp.

Doutor e mestre em Ciências Sociais na linha de pesquisa Desenvolvimento e Relações Internacionais pela UNESP.

Datação indica que esqueleto encontrado no Piauí tem 9,6 mil anos 11/07/2022

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Datação indica que esqueleto encontrado no Piauí tem 9,6 mil anos Zuzu, um esqueleto humano bastante antigo encontrado no interior do Piauí, já esteve envolvido em algumas polêmicas arqueológicas. Uma, aparentemente resolvida agora, é sobre quando esse indivíduo teria vivido. Zuzu habitou a região onde hoje é o sudeste do Piauí há cerca de 9,6 mil anos, ...

Encontradas na Bahia as rochas mais antigas da América do Sul 29/05/2022

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Encontradas na Bahia as rochas mais antigas da América do Sul Como a história de vida de uma pessoa ou família f**a registrada em documentos, imagens e objetos, a memória do passado distante do planeta é preservada nas rochas. Por terem atravessado vários processos de deformação ao longo das eras geológicas, as rochas muito antigas, especialmente as de...

Amazônia pré-colombiana tinha “cidades” com pirâmides e estradas 26/05/2022

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Amazônia pré-colombiana tinha “cidades” com pirâmides e estradas A existência de uma estrutura urbana em plena Amazônia, antes mesmo da chegada dos colonizadores europeus, foi anunciada esta semana por pesquisadores liderados pelo arqueólogo alemão Heiko Prümers. Os cientistas mostraram que na região de Llanos de Mojos, na Bolívia, havia um tipo de urbanis...

Cientista da USP Carlos Nobre é o 1º brasileiro escolhido para a Royal Society desde D. Pedro II - Ciência - Estadão 14/05/2022

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Cientista da USP Carlos Nobre é o 1º brasileiro escolhido para a Royal Society desde D. Pedro II - Ciência - Estadão Entidade britânica é uma das mais tradicionais e prestigiadas instituições científ**as do mundo; pesquisador é conhecido pelos seus estudos sobre mudanças climáticas e Floresta Amazônica; diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, também está na lista

28/02/2022

Por Guilherme Casarões:

Como as teorias de Relações Internacionais (RI) nos ajudam a compreender o que está acontecendo no Leste Europeu?
A seguir, farei uma leitura básica, para leigos, de como as diferentes abordagens teóricas respondem à seguinte pergunta: por que a Rússia decidiu invadir a Ucrânia?
A pobreza do debate em torno da invasão russa da Ucrânia reflete, em parte, certas incompreensões conceituais básicas: Estado x povo, poder x democracia, indivíduo x governo.
Quem lida por ofício com RI (professores, analistas, diplomatas) tem que ter esses conceitos claros.
Para início de conversa, não há uma "teoria geral" das RI. São várias vertentes que buscam dar conta das complexidades do mundo a partir de elementos diferentes. Toda teoria é uma simplif**ação da realidade que nos ajuda a descrever, explicar, prever e prescrever sobre o mundo.
* * *
A teoria de RI mais conhecida é o realismo. É a preferida dos pessimistas, que olham para a "vida como ela é" e que pensam o mundo a partir do egoísmo humano. Realistas basicamente enxergam um sistema internacional feito de Estados em permanente luta por poder e influência, diante de um mundo onde prevalece a lei do mais forte.
Para sobreviver, Estados precisam acumular poder. A busca da própria segurança causa insegurança nos outros. A consequência é o conflito e, se tudo der certo, algum equilíbrio de poder. Não há paz fora do equilíbrio.
Para realistas, a principal marca do mundo pós-Guerra Fria é a consolidação da hegemonia dos EUA. Eles expandiram sua presença militar pelo mundo, inclusive pela OTAN; promoveram mudanças de regimes em países hostis e nenhum país do mundo tinha poder ou interesse em pará-los.
Realistas, portanto, veem a Rússia como um país que declinou após o fim da Guerra Fria e que se sente insegura em suas fronteiras, graças à expansão (militar, econômica, cultural) dos EUA. Putin, nessa interpretação, busca limitar a ação norteamericana em regiões sensíveis aos interesses russos, como Cáucaso, Oriente Médio e Leste Europeu. Por isso as ações militares na Geórgia (2008), na Síria (2011) e na Ucrânia (2014). E agora de novo.
Mas a Rússia estaria querendo garantir sua segurança, não causar uma guerra nuclear ou um genocídio. No conflito entre Rússia e EUA-OTAN, o "endgame" de Putin é neutralizar a Ucrânia. Desmilitarizá-la e colocar um governo aliado da Rússia. É injusto com os ucranianos e vai contra suas aspirações nacionais e democráticas? Claro, mas é o que garante a estabilidade da região.
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Outra conhecida teoria é o liberalismo. Liberais costumam ser otimistas, pois acreditam no potencial do indivíduo e no progresso humano. Eles são entusiasmados com o avanço da democracia, do direito internacional e do livre comércio. Acham que paz e prosperidade virão disso.
Existem várias correntes liberais em RI, cada uma com suas peculiaridades. Em geral, percebem o mundo para além dos Estados: esse sistema internacional é feito de múltiplas redes interconectadas de governos, empresas, ONGs, grupos transnacionais, sociedades e indivíduos.
Para liberais, a grande mudança (positiva) do pós-Guerra Fria foi a aceleração da globalização e a expansão da democracia. Ditaduras renitentes seriam derrubadas pelo capitalismo, por eleições ou pela força. O "mundo livre" poderia nos levar à paz perpétua em pouco tempo.
Desde 2008, pelo menos, liberais estão cada vez mais preocupados com algumas tendências globais. A democracia estagnou e está se fragilizando em vários países, inclusive no ocidente; a globalização produziu descontentamentos políticos e econômicos; autocracias, dadas como fadadas ao fracasso, estão mais fortes que nunca. O retorno dos nacionalismos e o enfraquecimento da cooperação multilateral e da integração regional (Brexit) dão a medida do pesadelo atual dos liberais.
Putin, nesse sentido, é mais um tirano que quer subverter os pilares da democracia liberal. Reprime seus próprios cidadãos, alia-se a outras ditaduras, como China, e usa sua máquina cibernética para fraudar eleições no ocidente. Para evitar que os ventos da liberdade (UE-OTAN) cheguem à Ucrânia, atropela o país vizinho e sufoca seu povo.
Para liberais, nesse conflito global entre democracias e autocracias, o objetivo de Putin é demonstrar sua força contra as democracias ocidentais, usando a Ucrânia como laboratório para o nascimento de um autocrata pró-Rússia, como ocorre em Belarus e no centro da Ásia.
A maioria da cobertura midiática (e tuiteira) olha para o problema pelas lentes liberais. Por isso mesmo, a guerra virou uma questão de tirania x liberdade, do Estado x indivíduos. A tragédia só acabará quando Putin, Xi e outros ditadores forem derrotados.
* * *
Por fim, outra teoria muito debatida é o construtivismo. Ela percebe o mundo não a partir do poder, como realistas, ou do indivíduo, como os liberais, mas pelas identidades. Países e sociedades vão construindo narrativas e imagens de si próprios e dos outros, compondo esse panorama complexo das relações internacionais.
Construtivistas levam em conta aspectos culturais, históricos e discursivos para compreender, por exemplo, porque certos países são amigos e outros são rivais, mesmo quando elementos como poder ou democracia sugeririam o contrário.
Para construtivistas, o mundo do pós-Guerra Fria foi marcado por uma transformação de identidades. Antes, países se uniam por afinidades ideológicas, capitalismo ou comunismo. Depois, outras identidades começaram a ganhar força: religião, cultura e história foram usadas para redesenhar o mapa do mundo a partir de novos alinhamentos.
Quem aqui nunca ouviu falar na famigerada tese de Samuel Huntington sobre o "choque de civilizações"? Essa é uma aplicação, ainda que controversa e problemática, do argumento construtivista, na medida em que se defende que novos padrões de interação entre países decorre de novas identidades.
Pois bem: nesse mundo em que impérios parecem ressurgir (ao lado do império americano, temos o chinês, o russo, o hindu, o otomano), cada um deles quer defender seu espaço civilizacional num esforço para transformar o mundo num conjunto de civilizações lideradas por impérios, em que valores culturais e religiosos próprios prevaleçam.
O construtivismo, nessa chave, ilumina por que noções como cristianismo x islã, ocidente x oriente voltaram à ordem do dia.
Putin seria mais que um ditador contra a democracia: seu projeto é de reconstruir o império russo a partir da identidade eslava e do cristianismo ortodoxo, tendo ele como czar pós-moderno. Para isso, precisa solapar as bases da atual ordem internacional, que se baseia em valores liberais e cosmopolitas, em que temas como democracia e direitos humanos são centrais.
A estranha proximidade entre Trump, Bolsonaro, Putin, Orbán e Modi, entre outros, se explica por esse antagonismo à ordem vigente - e o gosto pela civilização.
* * *
Poderia passar o carnaval inteiro falando disso. Mas queria deixar três pontos fundamentais dessa longa introdução sobre teorias de RI:
- Conceitos diferentes levam a distintas percepções sobre a realidade. O entendimento do mundo depende da compreensão dos conceitos em jogo;
- Não existe teoria absolutamente certa ou errada. Cada uma delas informa motivações e dinâmicas a partir das variáveis utilizadas. A gente escolhe qual teoria abraçar a partir de nossas afinidades éticas, ideológicas, intelectuais.
- As decisões políticas também são tomadas, às vezes de maneira inconsciente, com base nessas simplif**ações teórico-filosóf**as. Enquanto não houver uma discussão franca sobre como os principais atores envolvidos veem o mundo, qualquer solução será praticamente impossível.

23/12/2021
01/11/2021

A Reforma Protestante e Thomas Münzer

31 de outubro é oficialmente lembrado como o dia que deu origem à Reforma Protestante, data em que Martinho Lutero divulgou suas 95 teses com críticas às práticas da Igreja Católica da época.
Lutero era um monge agostiniano, estudante de teologia em Winttenberg. Incomodado com a venda do perdão dos pecados, ação inclusive oficializada pelo Papa Leão X no ano de 1513 com o intuito de terminar as obras da basílica de São Pedro, Lutero protestou enviando uma carta ao arcebispo de Mainz.
Por meio de suas teses, Lutero condenava a venda de indulgências, entre outras práticas da Igreja Católica, ao afirmar que tais atos não tinham respaldo na Bíblia, sendo apenas uma forma de explorar a ignorância e a fé alheia.
Importante salientar que Lutero defendia tão somente mudanças de caráter religioso na Igreja, e, em nenhum momento, teceu palavras a respeito da exploração dos camponeses que rendia riquezas à nobreza. Tanto que Lutero passou a receber o apoio de amplos setores da nobreza e de Príncipes que compunham o Sacro Império Romano -Germânico.
A Igreja Católica era proprietária de vastos territórios na região do Sacro Império e um enfraquecimento da instituição religiosa de Roma interessava diretamente aos Príncipes alemães. Quando excomungado pelo papa, Lutero continuou reafirmando suas posições e encontrou refúgio no castelo do Príncipe da Saxônia, que armou um falso sequestro e deu guarida ao monge Lutero, para que ele não fosse atacado por católicos. A partir de então, muitos estados alemães tornaram-se protestantes e tomaram posse de territórios católicos.
As ideias de Lutero influenciaram, também, os mais pobres, no caso, religiosos humildes e camponeses explorados pelo regime de servidão. No contexto da Reforma e inspirados por Lutero, vários camponeses, cavaleiros e nobres com menos posses iniciaram um movimento por libertação da exploração feudal e da miséria que estavam submetidos, além de exigirem o fim dos cercamentos das terras comunais. Almejavam, inclusive, a criação de um Estado autônomo dentro do Sacro Império. A liderança do movimento de camponeses que insurgiu em várias regiões do Império coube ao monge franciscano Thomaz Münzer, que buscava reformas sociais pautado nas Sagradas Escrituras.
Lutero, por sua vez, ao se desvencilhar da Igreja Católica, preferiu f**ar ao lado da elite da nobreza alemã, virando as costas para os excluídos. Tanto que a reação ao movimento por parte dos Príncipes alemães foi rápida e contou com o apoio de Lutero. Os exércitos do Sacro Império Romano-Germânico assassinaram mais de 100 mil camponeses, prenderam o monge Münzer, torturaram e o assassinaram no ano de 1525. Os conflitos duraram mais de 10 anos.
Lutero, se colocou ao lodo da elite da nobreza Germânica, condenou a tentativa de emancipação dos camponeses, dizia que a divisão entre servos e senhores era vontade divina, chegando a afirmar ser contra toda a “horda de camponeses” revoltosos, instigando a morte deles, conforme consta em um de seus escritos: “quem puder que bata, mate ou fira, secreta ou abertamente, relembrando que não há nada mais peçonhento, prejudicial ou demoníaco do que um rebelde”. Diferente da figura histórica de Jesus Cristo que enfrentou os romanos, e do próprio monge Münzer, Lutero optou pela submissão ao poder representado pela nobreza espoliadora e não se colocou do lado dos mais necessitados. Se há um personagem histórico de grande importância que é pouco lembrado na Reforma Protestante, esse é Münzer, o único a se colocar do lado dos excluídos, dos pobres, dos mais necessitados, conforme prega o cristianismo. Nas palavras de Münzer:
“...até agora éramos tratados como escravos, o que é uma vergonha, pois, com seu precioso sangue, Jesus Cristo nos salvou a todos, tanto ao mais humilde pastor como ao mais nobre senhor, sem distinção. Por esse motivo, deduzimos das Sagradas Escrituras que somos livres, e livres queremos ser. Até agora, nenhum pobre podia perseguir a caça, pegar aves ou peixes na água corrente, o que nos parece uma lei totalmente injusta e pouco fraternal, mas interesseira e em desacordo com a palavra de Deus. Somos prejudicados ainda pelos nossos senhores, que se apoderaram de todas as florestas. Se o pobre precisa de lenha ou madeira tem que pagar o dobro por ela. Nós somos de opinião que deve ser restituída à comunidade toda e qualquer floresta que se encontra em mãos de leigos ou religiosos que não a adquiriram legalmente. Nossa decisão e resolução final é a seguinte: se uma ou diversas dessas exigências não estiverem em consonância com a palavra de Deus, delas abriremos mão imediatamente, desde que se nos prove, à base das Sagradas Escrituras, que elas estão discordância com a vontade divina”. (MARQUES, A.; BERUTTI, F. E FARIA, R. História moderna através de textos. São Paulo: Contexto, 2001.)

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