10/08/2026
agosto, por ser o mês do meu aniversário, sempre me deixa mais reflexivo. hoje, a reflexão gira em torno dessa foto, um registro que eu queria ter compartilhado desde março e só agora consegui.
estava aqui pensando no fato de ter sido o primeiro da minha família a alcançar o título de mestre. e de que serei o primeiro a conquistar o de doutor. o que parecia mais improvável acabou acontecendo, e foi exatamente aí que eu me encontrei.
mas, falando sobre títulos, não vou mentir: sinto um orgulho absurdo quando olho para a minha trajetória. antes de entrar no mestrado, fui reprovado três vezes (f**a o lembrete: não desistam). e, logo no fim dele, já emendei a aprovação no doutorado em uma das universidades mais renomadas do brasil. de novo, no ensino público federal.
só que tudo isso me traz muito mais um senso de responsabilidade do que apego ao mérito em si. essas conquistas não me fazem melhor que ninguém. pelo contrário, a pesquisa exige de mim um cuidado e uma atenção redobrados a cada passo que dou.
minha família nunca teve grandes posses. somos pessoas que trabalham duro todos os dias e praticamos da solidariedade sempre que podemos. foi por elas (elas, porque são todas matriarcas) que eu precisei furar a bolha. e hoje, quando olho para as minhas sobrinhas e afilhadas, entendo de verdade o meu compromisso com a geração que vem logo atrás de mim. o peso dos meus passos serve para pavimentar o chão que elas vão pisar.
no fim das contas, eu não sou um privilégio. eu sou um caminho. e que bom que a estrada está, enfim, aberta.