27/02/2016
Que é o DDA👫👬
Mais comum em homens, o DDA também é chamado de TDA (Transtorno de Déficit de Atenção) ou ainda TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade). É "a condição em que a pessoa que não tem -ou tem de forma precária- a habilidade de se concentrar."
"Uma criança que é ativa, br**calhona, mas é capaz de se concentrar por duas horas no videogame e por meia hora na sala de aula, provavelmente é 'normal', tem uma nota, br**ca e tal. É um pouquinho menos concentrada que as outras, mas isso não atrapalha em nada", comentou Lee. "Aquela que não consegue se concentrar nem por 20 minutos e depois f**a 'sonhando acordada' ou se distrai com qualquer barulho do ambiente provavelmente tem um déficit de atenção."
O transtorno, segundo a psiquiatra, pode resultar em prejuízo na escola e na relação com as pessoas. Pode ainda gerar tristeza e levar a criança à depressão.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico do DDA é feito com base no comportamento e no histórico. A criança geralmente apresenta algum sintoma antes da idade escolar, explicou a médica. "É quando a mãe fala: 'ah, este, desde pequeno, é o único dos irmãos que vai pra casa da vizinha e abre todas as gavetas, mexe em tudo..."
Também depende de como a criança lida com esses sintomas. "Mesmo que ela tente f**ar sentada ou prestar atenção, não consegue", citou a psiquiatra. Outro fator fundamental é que esse tipo de comportamento não esteja ligado somente a uma situação ou um só lugar -a criança hiperativa se apresenta assim "na escola, na casa da avó ou em um local totalmente desconhecido por ela".
Há outros quadros que podem "imitar" o DDA. "A ansiedade, por exemplo", disse Lee. Daí a importância de se procurar um especialista. "A diferença de ver um psiquiatra infantil é que ele vai saber se é só DDA ou reflexo de outra coisa, até do ambiente."
Terapia pode ser alternativa
A médica reconhece que muita gente tem medo de tratar o déficit de atenção. "Conviver com isso signif**a criar condições para poder aprender. Nenhuma família nasceu sabendo fazer isso, então precisa de ajuda externa, seja de um terapeuta -sem uso de medicação-, ou com uso de remédios. Se existem recursos, por que não usá-los?"
Segundo Lee, a terapia cognitiva comportamental pode ser um tratamento alternativo ou combinado aos medicamentos. "Ela corrige não só o comportamento, mas a forma de raciocinar. Corrige algumas crenças, inclusive de baixa auto-estima. Às vezes até uma conversa longa com o psiquiatra, o pediatra ou neurologista pode corrigir isso, sem terapia."
Distúrbio de Déficit de Atenção (DDA)
O DDA ocorre como resultado de uma disfunção neurológica no córtex pré-frontal. Quando pessoas que têm DDA tentam se concentrar, a atividade do córtex pré-frontal diminui, ao invés de aumentar (como nos sujeitos do grupo de controle de cérebros normais). Assim sendo, pessoas que sofrem de DDA mostram muitos dos sintomas discutidos nesse capítulo, como fraca supervisão interna, pequeno âmbito de atenção, distração, desorganização, hiperatividade (apesar de que só metade das pessoas com DDA sejam hiperativas), problemas de controle de impulso, dificuldade de aprender com erros passados, falta de previsão e adiamento.
O DDA tem sido de particular interesse para mim nos últimos 08 anos.Eu digo às pessoas que entendo mais de DDA do que gostaria. Através de uma pesquisa feita com SPECT na minha clínica, com imagens cerebrais e trabalho genético feito por outras, descobrimos que o DDA é basicamente uma disfunção geneticamente herdada do córtex pré-frontal, devido, em parte, a uma deficiência do neurotransmissor dopamina.
Aqui estão algumas das características comuns do DDA, que claramente ligam essa doença ao córtex pré-frontal.
Quanto mais você tenta, pior f**a
A pesquisa mostrou que quanto mais as pessoas que têm DDA tentam se concentrar, pior para elas. A atividade no córtex pré-frontal, na verdade, desliga, ao invés de ligar. Quando um pai, professor, supervisor ou gerente põe mais pressão na pessoa que tem DDA, para que ela melhore seu desempenho, ela se torna menos eficiente. Muitas vezes, quando isso acontece, o pai, o professor ou chefe interpretam o ocorrido como um decréscimo de performance, ou má conduta proposital, e daí surgem problemas sérios. Um homem com DDA de quem eu tratei disse-me que sempre que seu chefe o pressionava para que fizesse um trabalho melhor, seu desempenho piorava muito, ainda que estivesse tentando melhorar. A verdade é que quase todos nós nos saímos melhor com elogios. Eu descobri que isso é essencial para pessoas com DDA. Quando o chefe as estimula a fazer melhor de modo positivo, elas se tornam mais produtiva. Quando se é pai, professor ou supervisor de alguém com DDA, funciona muito mais usar elogio e estímulo do que pressão. Pessoas com DDA saem-se melhor em ambientes que sejam altamente interessantes ou estimulantes e relativamente tranqüilos.
Pequeno âmbito de atenção
Um âmbito de atenção pequeno é a identif**ação desse distúrbio. Pessoas que sofrem de DDA têm dificuldade de manter a atenção e o esforço durante períodos de tempo prolongados. Sua atenção tende a vagar e freqüentemente se desligam da tarefa, pensando ou fazendo coisas diferentes da tarefa a ser realizada. Ainda assim, uma das coisas que muitas vezes enganam clínicos inexperientes ao tratar desse distúrbio é que as pessoas com DDA não têm um âmbito pequeno de atenção para tudo. Freqüentemente, pessoas que sofrem de DDA conseguem prestar muita atenção em coisas que são bonitas, novas, novidades, coisas altamente estimulantes, interessantes ou assustadoras. Essas coisas oferecem uma estimulação intrínseca suficiente a ponto de ativarem o córtex pré-frontal, de modo que a pessoa consiga focalizar e se concentrar. Uma criança com DDA pode se sair muito bem em uma situação interpessoal e desmoronar completamente em uma sala de aula com 30 crianças. Meu filho que tem DDA, por exemplo, costumava levar quatro horas para fazer um dever de casa que levaria meia hora, muitas vezes se desligando da tarefa. Mas se você lhe der uma revista sobre estéreo de carros, ele a lê rapidamente de cabo a rabo e se lembra de cada detalhe. Pessoas com DDA têm dificuldade em prestar atenção por muito tempo em assuntos longos, comuns, rotineiros e cotidianos, como lição de casa, trabalho de casa, tarefas simples ou papelada. O terreno é terrível e uma opção nada desejável para elas. Elas precisam de excitação e interesse para acionar suas funções do córtex pré-frontal.
Muitos casais adultos me dizem que, no começo de seu relacionamento, o parceiro com DDA adulto conseguia prestar atenção à outra pessoa durante horas. O estímulo de um novo amor ajudava-o a se concentrar. Mas quando a "novidade" e a excitação do relacionamento começavam a diminuir (como acontece com quase todos os relacionamentos), a pessoa com DDA tinha muito mais dificuldade em prestar atenção e sua capacidade de escutar falhava.
Distração
Como já mencionei acima, o córtex pré-frontal manda sinais inibitórios para outras áreas do cérebro, sossegando os dados advindos do meio, de modo que você possa se concentrar. Quando o córtex pré-frontal está com hipoatividade, ele não desencoraja adequadamente as partes sensoriais do cérebro e, como resultado, estímulos em demasia bombardeiam o cérebro. A distração f**a evidente em muitos locais diferentes para uma pessoa com DDA. Na classe, durante reuniões, ou enquanto ouve um parceiro, a pessoa com DDA tende a perceber outras coisas que estão acontecendo e tem dificuldade em se concentrar na questão que está sendo tratada. As pessoas que têm DDA tendem a olhar pelo quarto, desligar-se, parecer aborrecidas, esquecer-se de para onde vai a conversa e interrompê-la com uma informação totalmente fora do assunto. A distração e o pequeno âmbito de atenção podem também fazer com que elas levem muito mais tempo para completar seu trabalho.
Impulsividade
A falta de controle do impulso faz com que muitas pessoas que têm DDA se metam em enrascadas. Elas podem dizer coisas inadequadas para os pais, amigos, professores, outros empregados, ou clientes. Uma vez eu tive um paciente que foi despedido de 13 empregos, porque tinha dificuldade em controlar o que dizia. Ainda que realmente quisesse manter vários dos empregos, de repente punha para fora o que estava pensando, antes de ter a oportunidade de processar o pensamento. Decisões mal pensadas são ligados à impulsividade. Em vez de pensar bem no problema, muitas pessoas que sofrem de DDA querem uma solução imediata e acabam agindo sem pensar. De modo similar, a impulsividade faz com que essas pessoas tenham dificuldade de passar pelos canais estabelecidos do trabalho. Elas freqüentemente vão direto ao topo para resolver os problemas, em vez de seguir o sistema. Isso pode causar ressentimento dos colegas e supervisores imediatos. A impulsividade pode também levar a condutas problemáticas como mentir (diz a primeira coisa que vem a cabeça), roubar, Ter casos e gastar em excesso. Eu tratei de muitas pessoas com DDA que sofriam da vergonha e da culpa oriundas desses comportamentos.
Nas minhas reuniões costumo freqüentemente perguntar aos casais "Quantas pessoas aqui são casadas?" Alguns levantam as mãos. Depois eu pergunto: "É útil dizer tudo o que pensa em seu casamento?". Os casais riem , porque todos sabem a resposta. "Claro que não", eu continuo. "Os relacionamentos requerem tato." Mesmo assim, devido à impulsividade e à falta de pensar antes de agir, muitas pessoas que têm DDA dizem a primeira coisa que vem à mente. E, em vez de pedir desculpas por terem dito uma coisa que magoou, muitas tentam justif**ar por que fizeram a observação que magoou, só piorando as coisas. Um comentário impulsivo pode estragar uma noite agradável, um fim de semana, ou mesmo um casamento inteiro"...