22/04/2026
Há pessoas que passam por nossas vidas não apenas para cumprir tarefas, mas para ensinar novas formas de enxergar o mundo. Ivis dos Reis Sena é, sem dúvida, uma dessas raras presenças. Ao longo de sua vida, ela personificou a sabedoria contida nos versos de Gilberto Gil: entendeu, com uma maturidade leve, que o “Tempo Rei” é o senhor das transformações e que cada ciclo que se encerra é apenas o solo fértil para o que virá.
A marca registrada de Ivis sempre foi a sua capacidade inabalável de manter o “copo sempre cheio”. Para quem conviveu com ela, era nítido que sua leveza não era falta de profundidade, mas sim uma escolha consciente pela alegria. Onde muitos viam obstáculos, ela encontrava o aprendizado; onde o ambiente pesava, ela injetava uma energia que parecia vir de uma fonte inesgotável. Essa vibração, que muitos acompanharam de perto, era o reflexo fiel de sua alma. Em cada conversa, em cada sorriso compartilhado, via-se uma mulher autêntica, vibrante e profundamente humana.
Hoje, nos despedimos fisicamente de nossa “Iha”, mas o fazemos sem a tristeza do fim. A partida de Ivis é encarada sob a ótica da gratidão, pois ela deixa para trás um rastro de momentos incríveis que se tornaram patrimônio afetivo de todos os seus colegas e estudantes dos Abelardo Moreira. Ao lembrarmo-nos dela, não virão à nossa mente apenas sua presença como colaboradora, mas com risadas altas, conselhos dados com serenidade e a facilidade com que ela tornava dias mais difíceis em algo mais leve.
Como ensina a canção de Gil, “o tempo é um dos deuses mais lindos”, e ele foi generoso ao permitir que os caminhos de todos nós (colegas de trabalho e estudantes) se cruzassem com o dela. Ivis segue agora para um novo plano espiritual, levando sua luz para outros jardins, mas guardando em cada um de nós a certeza de que a vida, quando encarada com o coração leve, é sempre mais bonita.
A despedida física é apenas um detalhe diante da imensidão das memórias que ficam.
Obrigada por tanto. 🤍