05/08/2020
A Ansiedade
O DSM IV apresenta diversos transtornos que mantém relação com a ansiedade, por exemplo: Síndrome do Pânico, Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), Fobia Social, Transtorno Obsessivo-Compulsivo e o Transtorno do Stress Pós-Traumático (Souza, 2015). Mas o que é Ansiedade? Ansiedade é a sensação de que algo ruim pode acontecer e precisa ser evitado, existindo processos orgânicos intrínsecos a esta sensação, se caracteriza por ser um estado de sensações ruins; tensão, inquietação e apreensão. A ansiedade é normal em todo ser humano. Evolutivamente, ela permitiu que homens que se protegessem contra animais e outras ameaças, hoje, ela tem outras funções adaptativas, como nos preocupar com as ameaças que nos cercam no mundo contemporânea, ligadas ao trabalho, relacionamentos, família, etc.
O psicólogo americano Rollo May (1909-1994) se debruçou sobre o estudo da ansiedade. Rollo May concluiu que ansiedade constitui uma ameaça ao âmago do nosso ser, ou seja, ao sistema de valores que embasa cada existência individual. A reação a ansiedade, patológica ou não, é sempre uma tentativa para nos defender desta ameaça.
Mostrando a ansiedade como uma reação do nosso ser a algo que ameaça nosso ser, cabe a pergunta: qual a diferença entre ansiedade e medo? May (1984) explica que o medo é a reação a algo que ameaça apenas a parte do nosso Self e ansiedade, uma ameaça totalidade do nosso Self e, ainda sobre o medo, nós sabemos qual o objeto e como enfrentar ou fugir dele. Em relação à ansiedade, um destes componentes está ausente, por exemplo: um homem ameaçado por perder um emprego pode sentir medo, porém, se tal ameaça for fatal para sua existência psicológica ou real, por ser a carreira na qual atribui valor absoluto a sua existência ou pela necessidade financeira concreta e ele não souber como enfrentá-la, tal ameaça chegará ao nível de ansiedade, estando presente durante todo o tempo. Assim, para o sujeito que se encontra em um estado de ansiedade permanente é como se ele permanecesse em um sempre lutando pela sua sobrevivência, melhor dizendo, pela sua sobrevivência existencial, por aquilo que mantêm ou dar valor a sua vida.
May (1980) coloca que a ansiedade “pode ser um clamor íntimo para a resolução de um conflito”, aquela sensação de que algo está errado. Muitas vezes, conseguimos resolver o conflito, através de uma conquista ou um esclarecimento sobre a questão, e a ansiedade é diluída, porém, em outras, o conflito permanece e temos que aprender a conviver com ele.
Vista do panorama explicitado acima, antes de ser definida nos termos de normais e patológicas, a ansiedade se delineia como uma situação existencial do sujeito no mundo em determinado momento. Portanto, não confere algo inerente à pessoa e, sim, como uma relação entre o existente e o mundo. O que explica porque pessoas, que comumente são consideradas calmas, podem, em determinados momentos de sua existência, encontrar níveis de ansiedade tão elevados que é considerada patológica. Enquanto outras sempre são ansiosas patológicas, pois estão sempre lutando por sua existência psicológica.
May aponta algumas saídas para a resolução da ansiedade, algumas delas são consideradas patológicas e outras, saudáveis. A saída patológica ou destrutiva ao indivíduo é aquela que leva a evitação da ansiedade, que foge do cerne da questão. Victor Frankl cita um caso que exemplifica bem a situação.
“Imaginemos, por exemplo, que se oferecem comprimidos tranquilizantes a homem que chora o luto sobre a morte de alguém amado... A menos que se trate de um indivíduo neurótico, ele se preocupará mais com a razão da sua tristeza, do que com modos de remover sua dor. Ele será realista o suficiente que fechar os olhos para o fato não trará a pessoa amada de volta.”
Esse é a maneira de fuga da ansiedade que se torna destrutiva à pessoa. Ao invés de se deparar de frente com a ansiedade, o sujeito busca algum escape para fuga da questão, que não necessariamente é um remédio, pode ser qualquer coisa, um jogo, televisão, internet ou até simplesmente, o desvio de pensamento.
É importante reconhecer a dureza da existência, em certo momento, e é possível que todos façamos, em algum tempo, uso de métodos evitativos da ansiedade, com intuito de sobreviver existencialmente e seguir em frente, porém é a intensidade do uso dos métodos evitativos que vai determinar seu caráter destrutivo, pois é como uma tentativa eterna de fugir de seus problemas. Configura-se como o mesmo que fugir de si mesmo, do que emerge no centro de si, o que será, certamente, frustrado, pois sempre retornará.
A solução saudável é exatamente o oposto, é encarar a situação, a ansiedade de frente, quando esta causada por um conflito concreto, a busca da solução deste conflito. A ansiedade é inerente ao ser em seu confronto com a existência; a solução passa por um movimento criativo, a criação de um sentido, como apontam Frankl e Yalom. Dentro da criação deste sentido, o trabalho existencial para a realização deste. May aponta pesquisas empíricas que mostram o trabalho, a fé e arte como grandes soluções para a ansiedade.
Neste ponto, um adendo é importante. Como vimos, a ansiedade é inerente ao ser humano. A condição humana é limitada pela morte, corpo, tempo, o Outro (Yalom), logo, estamos permanentemente em luta contra nossas ameaças, uma vez que somos limitados e incapazes de vencê-la definitivamente. Portanto, mesmo as saídas saudáveis não significam a extinção da ansiedade.
• Benefícios da terapia para ansiedade:
O objetivo da psicoterapia não é apenas suprimir a ansiedade. Você irá aprender sim a ter mais controle sobre os sintomas, mas acima de tudo, irá transformar o seu jeito de agir e de se relacionar consigo mesmo e com o mundo diante de situações estressantes.
O benefício disso é um aumento no seu bem-estar e na qualidade de vida.
Por fim, a terapia não tem o poder de tornar os eventos da sua vida menos desafiadores, mas pode te capacitar a enfrentar situações críticas de uma forma mais leve e assertiva.
Neste sentido, pode te ajudar a sair do lugar de “refém” desses sintomas e torná-lo protagonista de suas escolhas. O resultado disso é um aumento na autoestima e da autoconfiança.
Atenção: não existem dicas gerais para modificar comportamentos ansiosos. A forma como você vive a sua ansiedade não é igual a de outras pessoas.
Por isso, a terapia é fundamental para entender o que acontece na sua vida e saber o que precisa ser mudado.
A intervenção de um psicólogo no tratamento da ansiedade é fundamental para superar os sintomas e recuperar sua saúde. Se você vivencia os sintomas apresentados aqui, procure a ajuda de um profissional qualificado.
Fonte - Psicologado
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