18/05/2021
Hoje rememoramos a criação do Movimento da Reforma Psiquiátrica Brasileira - que teve seu início na década de 70, em pleno processo de redemocratização do país.
Este dia, também marca o Dia Nacional da Luta Antimanicomial.
Assim como o processo do Movimento da Reforma Sanitária, que resultou na garantia constitucional da saúde como direito de todos e dever do estado através da criação do Sistema Único de Saúde, o Movimento da Reforma Psiquiátrica resultou na aprovação da “Lei Paulo Delgado”, marco legal que estabelece a responsabilidade do Estado no desenvolvimento da política de saúde mental no Brasil, através do fechamento de hospitais psiquiátricos, abertura de novos serviços comunitários e participação social no acompanhamento de sua implementação.
Atualmente, enfrentamos diversos retrocessos no campo da Saúde. Não basta lidarmos com uma das piores pandemias do século, temos um governo que apoia o desmonte da Política de Saúde Mental do SUS, que realiza cortes significativos no programa anual de reestruturação da assistência psiquiátrica hospitalar no SUS e tantos outros mecanismos de proteção social.
A lógica antimanicomial nos ensina que não é preciso paredes para controlar, pois o controle de corpos, do labor, está encarnado em nós e nossas relações.
Devemos temer a loucura, matar o desejo disruptivo e nos adaptar ao sustento dos dias e da rotina. Sob esta lógica, devemos produzir, consumir, mas nunca resistir.
Em tempos de morte e do luto diário, devemos romper com a lógica manicomial por sua questão institucional, social e econômica, mas também em nossas práticas diárias.
Devemos nos lembrar que as universalidades não passam de singularidades em posição de poder.
Todo louco é uma denúncia da necessidade de docilidade e produtividade dos nossos corpos por este sistema que nos esmaga diariamente.
É nossa tarefa histórica resgatar as conquistas dos que vieram antes de nós e nos amotinar contra a decomposição de toda a proteção e cuidado.
Que todos os dias sejam 18 de maio.