02/08/2026
O Agosto Dourado é um mês dedicado a promover, proteger e incentivar a amamentação, mas ele não foi criado apenas para falarmos dos benefícios, pega e posicionamento. O foco real está nos compromissos estabelecidos entre governos, maternidades, profissionais, empresas e locais de trabalho. Estamos falando de políticas públicas para que práticas favoráveis ao aleitamento sejam implementadas e realizadas. O Agosto Dourado foi criado para debatermos as situações que dificultam esse processo. Precisamos falar abertamente sobre os desafios enfrentados diariamente!
Vejam o slogan da campanha deste ano: "Amamentação para um começo de vida sustentável" Fortaleça o que funciona. Mas, na prática, quem sustenta essa responsabilidade sozinha? Mais de 90% dos bebês iniciam a amamentação, porém nem 50% seguem até o sexto mês, como recomenda a Organização Mundial da Saúde. O que acontece nesse período? Os desafios reais não aparecem.
Geralmente, as campanhas mostram uma mãe plena, maquiada, sem coque no cabelo, com um bebê gordinho de aproximadamente três meses. O perrengue do início não é retratado. Para completar, em alguns contextos aparecem frases como "Quem ama, amamenta". E quem não amamenta, não ama? É aqui que a confusão acontece: a campanha, criada para proteger o direito à amamentação, vira uma grande competição. De um lado, quem amamentou; do outro, quem não conseguiu. Uma verdadeira tristeza. O objetivo da campanha vai para o ralo e definitivamente não é sobre isso.
As dificuldades físicas, psicológicas e emocionais, a falta de apoio, a escassez de informação de qualidade e o excesso de palpites não solicitados também ficam invisíveis. Há receitas de fórmulas logo na primeira consulta do bebê, além do incentivo ao uso de mamadeiras e chupetas, sem sequer permitir que as famílias conheçam os riscos e façam escolhas informadas.
Quando a demissão não acontece logo após o período de estabilidade, o retorno ao trabalho aos 4 meses dificulta muito a manutenção do aleitamento exclusivo até os 6 meses, principalmente porque tentamos sustentar tudo sozinhas. Continua nos comentários.