Prof. Miro Hildebrando

Prof. Miro Hildebrando Consultoria empresarial, cursos de Economia e gestão financeira, palestras e seminários.

Página de Miro Hildebrando, professor universitário de graduação e pós-graduação em Economia, consultor de empresas, comentarista econômico para diversos telejornais e jornais impressos no estado de Santa Catarina.

Meus caros amigos, Estou convidando para assistir uma apresentação rápida e objetiva sobre a “REVOLUÇÃO DA PROTEÍNA”, um...
24/04/2026

Meus caros amigos,
Estou convidando para assistir uma apresentação rápida e objetiva sobre a “REVOLUÇÃO DA PROTEÍNA”, uma grande mudança que deverá ocorrer até 2035 e que mudará literalmente a face do planeta, trazendo inovações na alimentação humana e a redução dos custos das famílias e das indústrias.
Como sempre, o emprego será atingido diretamente, mas as inovações decorrentes sempre apresentam algumas surpresas positivas no médio e longo prazo.
A ecologia também será afetada positivamente, e veremos uma melhora considerável na qualidade do ar e do clima, bem como alterações nos padrões sanitários, no uso da água, na disponibilidade e no preço da terra.
Veja neste link:

Revolução da Proteína

20/12/2024

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J.R. Guzzo - *O golpe impossível*

O Supremo Tribunal Federal está impondo ao Brasil, na base da pura força bruta, um estado de selvageria legal jamais visto nos seus 135 anos de existência como República. Não se trata, infelizmente, de uma opinião. Opiniões podem estar erradas — frequentemente estão erradas, aliás. Fatos, ao contrário, sempre são fatos, e existem porque existem. Todo mundo tem o direito a acreditar que dois mais dois são sete, digamos, ou que a água ferve a 45 graus. É o que está dizendo o STF. Mas dois mais dois vão continuar sendo quatro, e a água vai continuar fervendo a 100 graus centígrados.

Nada a fazer, certo? Errado. O Supremo faz — e com isso destrói o país, a lei e a ordem. O ministro Alexandre de Moraes e seus acompanhantes no STF querem que você acredite que um aglomerado de 37 pessoas, a lotação de um ônibus, quis dar um golpe de Estado no Brasil. Não faz nenhum nexo racional — e não vai fazer nunca. Não é possível, de jeito nenhum, derrubar um governo sem que pelo menos um soldado se mexa do lugar, sem tirar um tanque da garagem e sem dar ordens específ**as a nenhuma autoridade. Ninguém, nunca, deu um golpe militar se o Exército em peso ficou contra esse golpe. Não dá para dar um golpe com uma verba de R$ 100 mil. É impossível, apenas isso.

Qualquer dúvida a respeito pode ser eliminada com uma leitura rasa das 880 páginas de acusações que a Polícia Federal acaba de encaminhar à Procuradoria-Geral da República. A polícia e o Ministério Público, no caso, são cumpridores das ordens que recebem há dois anos seguidos do ministro Moraes — que, por sinal, se coloca na posição de vítima de uma tentativa de assassinato, chefe das investigações, promotor e juiz do processo, coisa que não existe em nenhum país civilizado do planeta.

O total das provas reunidas pela PF, objetivamente, está entre o zero e a raiz quadrada do zero. O que a polícia apresentou, após quase 700 dias de investigação, f**a abaixo do que fazia o grande Bolinha França, quando resolvia se fantasiar de toca-discos ou de Abominável Homem das Neves para investigar, incógnito, as delinquências que sempre jogava em cima do pai da Luluzinha, o simpático Sr. Palhares. O detetive Bolinha estava errado em 100% dos seus casos; nunca acertou uma. O inquérito do golpe está indo por aí.

Consegue ir da primeira à última palavra sem uma única acusação lógica, sem qualquer prova que possa ser levada a sério em qualquer parquet do mundo democrático e, sobretudo, sem qualquer ligação coerente com o seu denunciado número 1, o expresidente Jair Bolsonaro. Tudo o que a polícia conseguiu apresentar em seu relatório, uma geleia geral escrita em português primitivo e sem qualquer vestígio de análise lógica ou vida inteligente, são conversas sem pé nem cabeça entre um bolo de subordinados que não tinham autoridade para dar ordens a um guarda-noturno — nec caput nec pedes, como diriam os ministros em seu latinório de curso ginasial.

Eles disseram o que a PF diz que disseram? Podem ter dito e repetido, mas e daí? Os diálogos são apenas uma demonstração clara de tumulto mental agravado, como essas coisas que você lê na internet garantindo que a China tem uma base secreta na Lua, que o Brasil precisa de um “banho de sangue” para “limpar a política” ou que John Lennon continua vivo em algum lugar do mundo — é isso, e só isso.

Não há nenhuma menção ao tipo de veneno que seria usado para matar o presidente — e nem por que os líderes militares do golpe, todos eles com acesso legal a armas de fogo, precisariam de veneno para realizar o seu plano. Um padre de Osasco faria parte do “núcleo jurídico” do golpe. Um padre no “núcleo jurídico”? Por que um padre? O golpe, aliás, teria “seis núcleos”. Nenhum dos acusados, em nenhum lugar, fala em núcleo de coisa nenhuma. Foi a PF que inventou a coisa dos “núcleos” — e passou a apresentar a sua criação como prova do crime.

Não está claro, como nunca esteve desde o começo dessa história, por que Bolsonaro não deu o golpe de que é acusado quando era presidente da República e comandante em chefe das Forças Armadas. Não há, em nenhum ponto do inquérito, qualquer indício de que ele tenha tentado dar alguma ordem nessa direção, nem direta nem indireta. Se ele tinha algum desejo real de impedir a posse de Lula e continuar na Presidência, por que saiu do governo, até antes da hora certa, foi para os Estados Unidos e só depois tentou dar o golpe — sem um único e escasso pelotão de tiro de guerra, e com uma turba de motoboys, barbeiros e até um autista, em vez de generais de Exército, brigadeiros do ar e almirantes de esquadra? Vai saber.

A PF não oferece sugestões.

Uma das provas que menos provam alguma coisa, mas que continua sendo apresentada pela polícia e pelo ministro como a joia de sua coroa, é a extraordinária “minuta do golpe”. É o rascunho de um pedido ao Congresso para que fosse autorizado um “estado de emergência”, ou coisa parecida — pedido que jamais foi apresentado a ninguém, e teve tão pouca importância que ficou esquecido entre a papelada de um ex-ministro de Bolsonaro, ele mesmo acusado do golpe. A PF também sustenta, como se estivesse provando o crime da mala, que os conspiradores imprimiram documentos no Palácio do Planalto com o registro dos crimes que iriam praticar — e se esqueceram de se livrar deles, ou tentaram e não conseguiram. Por que teriam imprimido provas contra si próprios? Não há nenhuma pista.

O destino que os golpistas tinham reservado para o ministro Alexandre de Moraes propriamente dito permanece em mutação constante na investigação da PF. A certa altura do inquérito ele seria enforcado na Praça dos Três Poderes — a primeira execução pela forca no Brasil desde 1876. Depois, ou antes, ele seria assassinado na estrada de Brasília para Goiânia. Na versão atual, Moraes continua sendo morto, agora sem maiores detalhes. Na vida real, os únicos mortos em tentativas de golpe até agora foram o Unabomber de Brasília, que se suicidou com rojões de São João em frente ao STF, e Cleriston da Cunha, o preso do “8 de janeiro” que morreu no pátio da Papuda por falta de atendimento hospitalar de urgência — pedido pelos médicos e pelo próprio MP, e ignorado por Moraes.

Quanto às vítimas reais de crimes, a única que se conhece é o próprio Bolsonaro, agredido com uma facada no estômago que o levou à beira da morte em 2018.

Olhe para qualquer página do inquérito — só f**a pior. Um dos crimes que mais escandalizam Moraes e a sua polícia é o “descrédito” nas urnas eletrônicas do TSE. Segundo diz a maçaroca da PF, havia até um “núcleo” só para isso, como o do padre de Osasco. Havia mesmo descrédito, e descrédito feio — e continua havendo até agora, pois milhões de eleitores simplesmente não vão entender nunca por que seria impossível fazer algum tipo de melhoria num artefato mecânico, como sustenta o STF. Virou lei no Brasil jurar fidelidade às urnas do ministro Moraes, como se jura à bandeira, mas isso não é lei nenhuma, e nem envolve crime nenhum — é simplesmente uma estupidez de 400 talheres.

Que crime é este, na lei brasileira — desconfiar, ou não gostar, de uma máquina? Não faz nenhum nexo, mas é a acusação oficial dos funcionários do sistema eleitoral que proibiram Bolsonaro de disputar eleições até o ano de 2030. A partir de agora, faz parte do X-tudo de denúncias com o qual querem condenar o ex-presidente a um total de 28 anos de cadeia. As eleições do STF, na verdade, não são sujeitas sequer a escrutínio público. Os votos, para todos os efeitos práticos, são apurados em segredo, como na Venezuela. É humanamente impossível, e muito perigoso, fiscalizar a apuração.

Nos Estados Unidos, na vitória de Donald Trump, havia 500 advogados do seu partido ao lado das urnas e na contagem de votos. Aqui o PL, que pediu legalmente uma averiguação parcial na apuração, foi multado automaticamente por Moraes em R$ 22 milhões, sem que seus advogados pudessem abrir a boca, ou tivessem direito a qualquer processo judicial.

É justiça de tribo africana nos tempos de Tarzan. “Krig-ha bandolo, tarmangani!”, grita Moraes do alto de seus inquéritos perpétuos — e todo mundo tem de obedecer, incluindo seus colegas de plenário, sob pena de processo por “atos antidemocráticos” no STF. Também é este, exatamente, o espírito da coisa, de fio a pavio, no inquérito da PF sobre o golpe militar que entrará na história mundial como o golpe que nunca foi dado. É muito simples, no fim de todas as contas. Não existe ali, em quase 900 páginas de tentativa, a prova de um único crime — e tudo o que conseguiram provar com um mínimo de coerência não é crime. Alexandre de Moraes está longe de ser o único autor nessa opereta de bulevar.

Ele conduz, mas há toda uma multidão fazendo questão de ser conduzida. A primeira da fila é a Procuradoria-Geral da República. A PGR tem tanta condição de atuar de forma imparcial nesse processo, como exige a lei, quanto o comandante da “Mancha Verde” teria para apitar um jogo do Palmeiras. Obviamente, pela observação estrita dos fatos, o MP teria de mandar para o arquivo o inquérito todo do golpe PF-Moraes; um preso por tráfico de dr**as que fosse acusado da forma como Bolsonaro e os demais estão sendo acusados seria solto na hora, por inépcia grave do trabalho de investigação policial. Imagine-se, também, a cara que fariam promotores de algum país sério diante da salada mista entregue pela PF.

“Que diabo é isto aqui?”, diriam. “Vocês beberam?” Nada demonstra de maneira mais clara o verdadeiro papel da PGR nesse episódio quanto o último surto do subprocurador do Ministério Público no Tribunal de Contas da União. Você pode não acreditar, mas é fato: ele foi capaz de pedir, por escrito, que os salários de todos os indiciados pagos pelo Estado sejam bloqueados. Também quer que todos os seus bens fiquem indisponíveis, em garantia aos R$ 56 milhões em multas que, segundo os cálculos do alto Judiciário, os acusados de golpe terão de pagar pelo prejuízo que teriam causado à nação — soma que não vem de decisão judicial nenhuma. Estamos, de novo, na selva de Tarzan.

Como assim, salários bloqueados? Nenhum dos golpistas do STF foi condenado por nada até agora; nenhum, aliás, foi sequer denunciado pela PGR por algum crime. Os desembargadores de Mato Grosso do Sul acusados de vender sentenças recebem pontualmente até o último centavo dos seus salários de R$ 200 mil por mês, ou mais; a justif**ativa é que ainda não foram condenados. Alguém seria capaz de entender por que a PGR exige o contrário no golpe que não aconteceu? Os dependentes dos acusados, que precisam dos seus salários para se manterem vivos, não cometeram nenhum crime. Como podem ser punidos, se não fizeram nada? Não podem nem mexer no que já têm no banco? Dá para entender perfeitamente quando se vê quem exige o bloqueio: um subprocurador que nos quatro anos do governo Bolsonaro fez 539 pedidos para barrar atos oficiais do Planalto, ou um a cada três dias.

É esse o nível de profissionalismo e imparcialidade da PGR que está aí. Seu chefe, por sinal, foi nomeado para o cargo, em termos práticos, por Moraes — ele também é ex-sócio do ministro Gilmar Mendes no comércio de cursos particulares de Direito. Mais ou menos da mesma qualidade são os juristas-especialistas que correm atrás do primeiro repórter que passa ao seu alcance para dar entrevistas puxando o s**o de Moraes e do STF, de olho no faturamento dos seus escritórios de advocacia. Fazem isso, em geral, de maneira particularmente abjeta. São o oposto, chocante, dos advogados que têm a coragem de defender, muitas vezes de graça, os que estão nos cárceres do STF. Todos estão jurados de morte no Supremo — mas conservam a sua honra.

Talvez ninguém, entre todos os coadjuvantes de Moraes, tenha chegado a um ponto tão baixo, em matéria de bajulação, irracionalidade e apoio à mentira quanto a maioria da imprensa brasileira. Nem no dia 1º de abril de 1964 apareceu tanto jornalista desesperado para engolir com casca e tudo o conto da PF e do ministro, ou para gritar em favor do mais forte e atirar nos feridos. Em nenhum momento desta última versão de golpe militar a mídia que se acredita “responsável” praticou jornalismo; houve apenas histeria. Nenhuma afirmação dos policiais, nem uma que fosse, foi contestada com alguma pergunta profissional dos jornalistas. Nenhuma “agência de checagem de fatos” checou absolutamente nada. Se os editores mandassem chimpanzés amestrados e equipados com gravadores para ouvir a PF, sairia a mesma coisa que saiu.

Batom é “substância inflamável”, dizem a PF e o ministro. Então é substância inflamável, repete a maior parte da mídia. Bola de gude é “arma branca”, dizem eles. Então é arma branca, repetem os jornalistas. Certif**ados de vacina estão ligados intimamente ao golpe; então f**a tudo explicado nos jornais, na televisão e no rádio. É uma histórica pisada na jaca. Não pode nunca mais ser apagada — está escrita, gravada e assinada, e f**ará como prova do momento em que a polícia virou imprensa e a imprensa virou polícia. É o funeral do Estado de Direito no Brasil.

É também uma humilhação nacional e internacional inédita para o país e para os brasileiros. Faça o seguinte teste: reúna uma banca examinadora de dez países civilizados e entregue a ela o inquérito do STF, da PGR e da PF. O que você acha que iria acontecer? Mandariam a coisa toda para a lata do lixo, por dez a zero.

Talvez chamassem a Interpol — que respeito pode querer um Brasil no qual empresas corruptas pagam multas de US$ 3,5 bilhões nos Estados Unidos por seus crimes e aqui dentro, por decisão exclusiva do STF, recebem de volta o dinheiro roubado? Por acaso isso é uma opinião? Ou um fato?

Eis aí, para resumir, o país que o STF está socando em cima dos cidadãos brasileiros. A única segurança jurídica que a “suprema corte” conseguiu criar é a segurança para os corruptos e corruptores; os ministros garantem que ninguém será punido, jamais, por roubar dinheiro público, sobretudo se o ladrão for do “campo progressista”. Em qualquer outra coisa o STF não garante rigorosamente nada, seja lá o que digam a lei, a lógica e a moral comum. O que os processos do ministro Moraes garantem sem dúvida nenhuma é que os culpados são sempre, e unicamente, os que ele diz que são culpados; já estão condenados antes do julgamento e da sentença. O mundo, provavelmente, vai f**ar sabendo disso tudo em detalhes, a curto, médio e longo prazo...

Revista Oeste, Edição 245. 29/11/2024.

O Rotary Clube Lages Catedral promove este evento em 25/10, na ACIL, que representará não somente uma excelente palestra...
17/10/2024

O Rotary Clube Lages Catedral promove este evento em 25/10, na ACIL, que representará não somente uma excelente palestra motivacional apresentada por um ser humano excepcional -- mas também um espetáculo cheio de luzes, som e alegria!

Aproveite e venha prestigiar também as obras sociais do Rotary.

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Não perca! Será inesquecível...

Fernão fala como um velho e bom redator do Estadão de  antigos tempos... Mas, já está fora do jornalão há muito, pois es...
14/10/2024

Fernão fala como um velho e bom redator do Estadão de antigos tempos... Mas, já está fora do jornalão há muito, pois este escolheu o caminho fácil do fisiologismo.

Sua opinião é muito interessante e vale a pena ser ouvida, apesar da vaga sensação de inutilidade que produz - o sistema está muito forte.

Seja membro deste canal e nos ajude na busca de soluções para o Brasil:https://www.youtube.com/channel/UCJQAbGpMCP1Hsszqeh607Yw/joinUm canal dedicado à denun...

14/10/2024

Aqui temos alguma surpresa? Não exatamente: países capitalistas lideram a lista mostrando tendências preocupantes com respeito ao envelhecimento da mão de obra: os idosos passarão a ser maioria.

E o Brasil? Bem, depois de duas décadas perdidas e caminhando para a terceira, continuaremos atrás de quase todo mundo importante, ao lado de companhias não exatamente relevantes.

08/10/2024

O texto a seguir foi distribuído hoje através de um e-mail enviado por Felipe Miranda, CIO da Empiricus Research, uma das mais bem consideradas casas de consultoria financeira do país, com uma carteira de clientes e um desempenho admiráveis.

Vale a pena ver o que essa entidade abstrata (mas poderosa) chamada Mercado tem a dizer sobre o momento que vivemos.
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******* Não estamos no México, nem no Dilma 2

“Voltamos ao Brasil de um passado não tão distante, onde uma postura fiscal excessivamente expansionista demandava uma política monetária mais rígida, gerando pressão sobre a dívida pública e custos maiores para alcançar o equilíbrio entre crescimento e inflação.”

“Com previsão de Selic a 13%, gestor vê risco de dinâmica parecida com a de 2013 e 2014.”

Retirei os dois trechos da Exame Insight, sob o comando da ótima Natalia Viri. Há uma tentação grande para traçar paralelos da atual situação brasileira com aquela vivida no Dilma 2. Embora algumas analogias de fato possam ser feitas, sobretudo porque a direção guarda alguma semelhança, a comparação me parece bastante imprecisa. O resultado das eleições municipais corrobora o argumento.

Mais até do que isso, a dinâmica do pleito alinha-se com precisão àquilo que tenho chamado de “pacto fáustico brasileiro”. Caso os três leitores tenham perdido a edição passada desta newsletter ou tenham a memória prejudicada por substâncias nem sempre recomendadas para uma manhã de segunda-feira, retomo brevemente a proposta:

“Se não fizermos nos próximos meses o necessário ajuste fiscal, ainda haverá um co***lo. Se formos pelo caminho negativo, teremos de conviver por mais um ano com a deterioração dos prêmios de risco e piora institucional. A partir daí, entraremos no grande debate de 2026, quando o sentimento anti-establishment e a migração da população mais para a direta devem fazer a sua parte. Um pacto desse tipo nunca é agradável. Mas a oferta envolveria mais um ano e três meses de sofrimento para posteriores nove anos potencialmente bons.”

É bastante tentador.

No cenário bom, começamos a controlar os gastos agora e surfamos valuations muito baratos e um cenário internacional bastante favorável. O kit Brasil inicia imediatamente uma escalada vigorosa. Já no cenário ruim, teríamos um para perder, nove para ganhar, num ciclo ditado pela migração do pêndulo político para a responsabilidade fiscal, o respeito aos contratos, a valorização do empreendedor, a obediência à sinalização do sistema de preços e um maior esforço institucional.

Pode estar aí um belo trade. Vai exigir paciência e sangue frio. Mas é um pacto que paga bem lá na frente. Avaliações econômicas e financeiras que se amparam em questões político-partidárias são costumeiramente acusadas de carregar vieses, ainda que o observador esteja ciente do risco e procure blindar-se dos próprios vícios e inclinações pessoais. Viés é um negócio meio parecido com subsídio ou privilégio — todo mundo reconhece, mas sempre no outro.

Apelemos então à imprensa tradicional ou, melhor ainda, aos dados objetivos. Se você abrir o site do jornal Valor Econômico, do Grupo Globo, acusado pela direita dia-sim, dia-também, de estar à esquerda no espectro ideológico, vai ler a manchete: “força da reeleição e marcha para a direita marcam a disputa municipal deste ano”.

Os partidos do chamado Centrão e mais alinhados à direita dominaram a disputa, tendo inclusive avançado sobre a eleição de 2020. A força da direita f**a mais nítida quando se destaca o contingente das capitais. Extraindo um trecho da própria reportagem: "O PL reelegeu os prefeitos de Maceió (João Caldas) e Rio Branco (Tião Bocalom) e passou para o segundo turno em primeiro lugar em outras sete capitais. A sigla ainda disputa a rodada decisiva em João Pessoa e Belém. Caso reverta a desvantagem nessas duas cidades e confirme a dianteira nas demais, poderá ganhar a eleição em 11 capitais, resultado muito além das previsões mais otimistas do cacique da legenda, Valdemar Costa Neto.

E se ainda resta dúvida sobre as dificuldades da esquerda, vale observar que o falecido PSDB obteve sucesso em 269 prefeituras, mais do que os 246 municípios de êxito do PT. Chegamos a um oxímoro: qual seria a condição daquele com menos vitalidade ainda do que um morto? O resultado traz também como grandes vencedores Gilberto Kassab e Tarcísio de Freitas. O governador de São Paulo foi para o “all in” em Ricardo Nunes, mesmo quando havia enorme incerteza em torno do pleito. Ganha forças para uma eventual disputa presidencial em 2026, sendo potencialmente o principal antagonista elegível ao lulopetismo.

As eleições municipais representam uma importante diminuição de risco para os mercados brasileiros (risco aqui entendido como chance de perda permanente do capital). Numa perspectiva histórica, eleições municipais não são necessariamente boa proxy para os pleitos presidenciais subsequentes, mas costumam ser ótimos indicadores antecedentes para a composição seguinte do Parlamento. Ou seja, há boa probabilidade de que o Congresso a ser formado em 2026 esteja mais à direita. Com isso, explico o que quero dizer com a parte do título deste texto de “Não estamos no México”, onde a eleição de uma presidente de esquerda comum Legislativo também de esquerda trouxe forte pressão vendedora sobre o peso mexicano e sobre seus mercados em geral. Por lá, investidores antecipam deterioração fiscal, maior intervencionismo na economia, queda da produtividade geral dos fatores e uma perversa reforma do Judiciário.

Já foi dito que se a Argentina tivesse um Centrão não teria ido por um caminho tão ruim. Talvez o mesmo paralelo sirva para o México. No Brasil, o Centrão, que traz o malefício de impedir-nos um grande progresso, evita também rupturas, explosões, grandes desastres e aventuras não-testadas de revoluções cujo resultado sabe-se lá no que daria. Ter um Congresso conservador (no sentido de que conserva as instituições e organizações correntes) representa a diminuição do risco de cauda, de uma grande deterioração de Brasil semelhante à observada no México ou mesmo na era Dilma.

Então chegamos à outra parte do título: Lula 3 não é o Dilma 2, embora, sejamos justos, possa haver certa semelhança. A primeira razão é simples: Lula não é Dilma. Essa é muito mais convicta e inflexível, aquele é macunaímico. Fernando Haddad também não é Guido Mantega e tem se esforçado heroicamente para o cumprimento das metas fiscais, ainda que sob grande desconfiança sobre a credibilidade dessa meta e temores de liderar o Exército de um homem só num governo mais interessado no pé na tábua fiscal. Já Marcos Pinto oferece boa analogia com a dupla Marcos Lisboa e Daniel Goldberg, secretários do Lula 1 com longa lista de reformas microeconômicas mais silenciosas, mas com impacto interessante sobre a produtividade brasileira. Os interessados no assunto podem se atualizar a partir da reportagem “Microrreformas já têm efeitos na economia e podem elevar PIB”, diz secretário de Haddad, publicada na Folha em 27 de setembro.

Ainda que a política fiscal seja frouxa, haja certa elasticidade contábil excessiva e tenhamos uma espécie de restauracionismo estatista em curso, a modulação agora é diferente da anterior. A diferença entre o remédio e o veneno muitas vezes é a dose. Não há hoje uma orientação desmedida da mesma intensidade da nova matriz econômica. Mal ou bem, existe um arcabouço fiscal que limita grandes rompantes. O Congresso é conservador. E temos grande escrutínio das contas fiscais pela imprensa, pelo tecido empresarial e pela sociedade como um todo.

Existe ainda outra restrição importante para impedir que estejamos numa guinada semelhante à de 2014: o tempo. O livro “Uma certa ideia de Brasil: entrepassado e futuro” faz uma bela coleção dos artigos de Pedro Malan entre 2003 e 2018. Ali está claro como a deterioração da qualidade da política econômica brasileira, embora recaia muito sobre as costas da ex-presidente Dilma, tem sua origem já quando da substituição de Antonio Palocci por Guido Mantega. O que vem a ser conhecido por nova matriz econômica pelos idos de 2011 teve suas sementes plantadas já em 2006. A crise brasileira vai eclodir mesmo em 2015. Foram nove anos (não nove meses!) de gestação.

Agora, se a alta probabilidade da “marcha à direita” se confirmar em 2026, teríamos um rali eleitoral contratado já para 15 meses à frente. Até lá, por mais que as coisas se deteriorem, dado o cenário internacional favorável de corte de juros pelos principais Bancos Centrais e estímulos pronunciados na China, parece haver tempo sufi ciente para empurrarmos as coisas com a barriga e não explodirmos o fiscal, sobretudo porque o arcabouço fiscal e um Congresso conservador impedem grandes rupturas.

Talvez tenhamos contratado um ciclo construtivo longevo, sendo que as eleições de ontem oferecem um conforto de reduzir o downside, porque o cenário de cauda mais negativo perdeu probabilidade. A assimetria é bastante convidativa.

Felipe Miranda
CIO e Estrategista-Chefe da Empiricus Research

Economistas, políticos, empresários e sites de notícias: maquiar números da despesa e inflar a receita são truques heter...
08/10/2024

Economistas, políticos, empresários e sites de notícias: maquiar números da despesa e inflar a receita são truques heterodoxo que, por contrariar os manuais de Economia, sempre levam a dar com a mula n'água.

E isso não é nada bom, pois o governo, queiram ou não, é o principal agente econômico do país.

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Elon Musk não é somente um empresário excepcional, mas também um patriota, lúcido e corajoso.Ele apoia Trump e, cheio de...
06/10/2024

Elon Musk não é somente um empresário excepcional, mas também um patriota, lúcido e corajoso.

Ele apoia Trump e, cheio de convicção, fala dele e a coragem revelada quando passou por uma tentativa de assassinato -- lá, como aqui.

Se assim é, como parece, porque não se toma uma providência? É que todas são pessoas honradas, e as pessoas honradas mer...
05/10/2024

Se assim é, como parece, porque não se toma uma providência?

É que todas são pessoas honradas, e as pessoas honradas merecem confiança, pois afinal de contas são pessoas honradas.

Né mesmo, mermão?

Entre nos nossos canais do Telegram e WhatsApp para notícias em primeira mão. Telegram: [link do Telegram] WhatsApp: [link do WhatsApp] O Centro Carter apresentou, nesta quarta-feira, à Organização dos Estados Americanos (OEA), “atas originais” das eleições na Venezuela que “comprovam.....

24/09/2024

Comentário de Felipe Miranda, CEO da Empiricus Research, comprovando que existe vida inteligente no sistema financeiro.

Seu diagnóstico é devastador: nada salva os brasileiros da mediocridade e, provavelmente, outra década perdida.
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Fim do Brasil não é o fim da História – e isso é uma má notícia

Em março de 2022, a Intelligence Squared promoveu um painel com Francis Fukuyama e John Gray sob a pergunta provocadora “Is Liberalism Dead?” (O liberalismo está morto?)

De um lado, o defensor da clássica ideia do Fim da História. Depois de uma longa trajetória de embates dialéticos de tese e antítese na história da civilização, teríamos chegado à síntese definitiva da democracia liberal, sem adversários à altura. Segundo ele, apesar de ameaças pontuais, a recente coordenação do Ocidente na ajuda à Ucrânia demonstraria a atualidade da concepção original.

De outro, John Gray com seus pensamentos sobre o liberalismo e os novos leviatãs. Para Gray, a ideia da civilização liberal pautada na prática da tolerância já estaria superada. China e Rússia seriam autocracias capazes de desestruturar a ordem mundial, enquanto o totalitarismo woke impediria a liberdade de pensamento, obrigando-nos a incorporar o discurso identitário. Encerramos a liberdade de expressão.

As falas de Fukuayama valorizando os valores ocidentais clássicos parecem carregadas de otimismo, enquanto Gray soa mais pessimista — embora ele mesmo discorde do adjetivo. Gray não vê a história caminhando em direção a uma síntese superior. Reconhece que, do ponto de vista da ciência e do progresso técnica, a caminhada é inequívoca. Estamos indiscutivelmente melhores. Mas essa evolução não é necessariamente acompanhada nas esferas moral, política ou social.

Olhando para os desdobramentos desde a fúria do projeto de lei canadense C-16 em 2016, em que o totalitarismo woke insurgiu com força, ou desde a campanha do Brexit ancorada nas fake news, tenho me inclinado para o posicionamento de John Gray.

A tal polarização da sociedade ganhou contornos tão profundos que um lado não reconhece a legitimidade do outro. Se seu adversário político é o mal maior, então vale tudo para evitar sua chegada ao poder. Aí incluem-se, claro, invasão do Capitólio, fechamento do Congresso, perseguição a membros da Suprema Corte, repressão à imprensa. O risco de guerra civil nos EUA já ultrapassa 50%, segundo Ray Dalio.

O historiador Niall Ferguson há anos alerta para uma Segunda Guerra Fria em curso, traçando paralelos da situação atual entre EUA e China com aquela vivida entre EUA e União Soviética. Mais recentemente, no entanto, a preocupação ficou um pouco maior. Há três meses, Ferguson escreveu “we’re all soviets now” (somos todos soviéticos agora). Será mesmo que estaríamos do lado derrotado desta vez? Se a China invadir Taiwan, viveríamos outra Crise dos Mísseis?

O governo dos EUA gasta mais com juros da dívida do que com serviço militar, numa inversão que tipicamente levou ao declínio da grande potência de turno. As lideranças estão envelhecidas. O cidadão médio não se sente representado pela ideologia identitária das elites e se incomoda com a disparidade de renda. Há enorme desconfiança com instituições canônicas norte-americanas. De acordo com pesquisa da Gallup, o percentual de pessoas que confia na Suprema Corte, nos bancos, nas escolas públicas, na presidência e nas grandes empresas de tecnologia está hoje entre 25% e 27%. Para a imprensa institucionalizada, justiça criminal e Congresso, estamos abaixo de 20%.

Como gosta de insistir Deirdre McCloskey, sem judiciário independente e sem imprensa livre, não há democracia. Essas duas grandes instituições estão no epicentro da insatisfação popular. Elas sempre tiveram (e terão!) seus problemas, mas, não sei, a impressão que tenho é que antes havia uma certa triagem. Grandes atrocidades ou barbaridades eram, em sua maioria, filtradas pela imprensa tradicional. Havia uma certa curadoria. Ou, sei lá, numa premissa mais fraca, ao menos ali não se valorizava o estapafúrdio.

Não é só que as redes sociais deram voz aos idiotas, conforme resumiu Umberto Eco. Estamos um passo à frente (no caso, atrás). O algoritmo estimula o engajamento, sem filtros ou julgamentos. Ele quer, por construção, ver o circo pegando fogo. Valorizam-se, assim, o extraordinário, o corte lacrador, o histriônico, o extremista, o radical, o não-ponderado. A razão equilibrada perde espaço para o desequilíbrio da emoção. Sonhamos com liberais centrados combatendo a pauta identitária e o gabinete do ódio. Acordamos com a versão 2.0 do extremismo, em que os campeonatos digitais de Andrew Tate superam os disparos de robôs no WhatsApp. Como acabou de escrever Fernando Schuler na Veja, "O ecossistema digital fez o hooliganismo ganhar espaço nas democracias.” O “pequeno” problema é que as democracias liberais foram constituídas justamente abrindo mão do uso da violência. Deixamos o hooliganismo lá pelo século XVI para retomá-lo agora.

Quando Tallis Gomes, antes desse último acontecimento, foi perguntado pela Folha sobre sua declaração de que não contratava esquerdista e estimulava jornadas de trabalho de até 80 horas, respondeu: “eu usei um termo mais polêmico porque sabia que iria chamar atenção. A gente vive uma guerra por atenções, então é positivo para o nosso negócio que haja mais atenção e que isso se transforme em vendas.” Na “economia da atenção”, portanto, vale tudo: termos mais polêmicos, mentiras de coaches, desrespeito, machismo.

Ao pensar sobre nosso país exclusivamente, também tenho a sensação de que caminhamos para trás. Feitos 10 anos do Fim do Brasil, não aprendemos nada com os erros do passado. Ainda pior: queremos resgatá-los, enaltecendo o princípio da contraindução de Mario Henrique Simonsen.

Entramos num período de contrarreformas ou de restauracionismo de ideias praticadas 15 ou 20 anos atrás que não funcionaram.

Verbalizamos contra a independência do Banco Central e nomeamos um “menino de ouro” para a sua presidência, cujo histórico de publicações literárias remete a luta de classes e ao fetiche marxista com o dinheiro. Ressuscitamos um problema monetário que não existia. Questionamos as reformas da previdência e trabalhista, tentamos nomear amigos do rei para conselhos de empresas privatizadas, debatemos re-estatizações, enfraquecemos a lei das estatais e sua governança, duvidamos da competência do presidente do IBGE.

Enfraquecemos o poder Executivo a partir de menor espaço das MPs e dos vetos presidenciais, dando ao Congresso emendas parlamentares vultosas sob o orçamento impositivo. O desequilíbrio entre os poderes abarca o Judiciário, que vira uma espécie de legislador de última instância e adota o caminho de decisões monocráticas, em processos kafkianos e outros cujo resultado é fomentar a insegurança jurídica.

A política fiscal é um capítulo à parte. Aqui, sim, temos um problema estrutural, de Estado, que transborda o horizonte de governo. Em vez de combatê-lo, porém, a administração de turno aprofunda a fragilidade.

O arcabouço fiscal já era pouco ambicioso e recheado de inconsistências desde a largada. Mas dada a alternativa e o medo de uma hecatombe, foi aceito como algo “pior do que o necessário, melhor do que o temido”, nas palavras de um famoso gestor. No entanto, para cumprir a meta fiscal, o governo abusa da elasticidade contábil e distorce as contas públicas, ainda que sua versão oficial esteja desconectada da realidade objetiva.

O orçamento vira uma peça de ficção, com receitas que estão lá e não deveriam e despesas que não estão lá e deveriam. Abusamos da criatividade contábil, tirando o Pé de Meia e o Vale Gás do formalismo da meta, o que lembrou os dias mais sombrios de Arno Augustin.

O último relatório bimestral de receita e despesa foi particularmente problemático, pois trouxe indicações no sinal contrário àquele esperado pelo mercado. A expectativa de consenso apontava para um arrocho fiscal adicional entre R$ 5 bilhões e R$ 10 bilhões. Houve um tímido bloqueio de R$ 2,1 bilhões e um descontingenciamento de R$ 3,8 bilhões, resultando em afrouxamento fiscal adicional de R$ 1,7 bilhão. Quando todos esperavam um sinal positivo, ainda que marginal, encontramos uma evidência negativa.

O Brasil está barato com o Ibovespa negociando a 8x lucros, sob lucros corporativos que crescem 15/20% ao ano. Ou seja, logo ali na frente, estaremos falando de Preço sobre Lucro da ordem de 6x. Até 2026, o Fed pode ser a ponte até uma profunda discussão sobre o Brasil. Antes, porém, convivemos com a certeza de que a civilização não caminha em linha reta. Não há fim da História para quem parece condenado à eterna mediocridade.


Felipe Miranda

CIO e Estrategista-Chefe da Empiricus Research

Endereço

Lages, SC

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