20/11/2020
Eu passei o dia mal, já desde cedo sendo atropelada pelas notícias. Pensando se eu devia falar algo, se eu tinha algo a contribuir para o debate. Cheguei à conclusão de que, muito mais importante do que falar, é preciso continuar ouvindo.
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Eu não tenho lugar de fala nessa data, eu não sou negra, portanto sei que meu lugar é ouvir. E se for pra falar algo, tudo o que tenho a dizer é: me ensinem mais! A realidade de viver em um país ra***ta e genocida é assustadora e, se tira as minhas forças, só posso imaginar como se sentem aqueles que vivem na pele o preconceito de todo dia.
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O assassinato de João Alberto Silveira Freitas e de tantos outros precisa parar de acontecer. É inadmissível e revoltante que notícias como essas ainda ocorram - e que os culpados não sejam devidamente punidos, na maioria dos casos, pelos seus atos horrorosos e desumanos.
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Me resta desejar - e lutar por - um mundo onde negres sejam tratados pelo que são: humanos. Em dias assim, a pouca fé que me resta na humanidade vai pelo ralo. Eu fico procurando empatia, respeito, equidade e todas as palavras bonitas que muita gente diz à tôa por aí e não as vemos praticar.
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Vidas negras importam - e é absurdo ter que falar o básico ainda hoje.
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̂ncianegra
19/11/2020
Que experiência maravilhosa foi o II Psicongresso! Nosso painel "Quebrando os Tabus Sobre Sexualidade" foi incrível e hoje trago uma das questões discutidas nele: a necessidade de promovermos uma educação em sexualidade de qualidade.
Educação sexual por si só não basta: é preciso garantir que ela será baseada em ciência e feita por profissionais especializados, competentes e que tenham uma abordagem biopsicossocial. Do contrário, ela pode sofrer influências de crenças pessoais, religiões, achismos, fake news e ser centrada apenas em fatores biológicos.
A educação em sexualidade que enxerga o ser humano de maneira integral é aquela que educa para além da relação sexual. Ela fala sobre afeto, relacionamentos, consentimento, direito ao próprio corpo e contempla toda a diversidade humana, promovendo o respeito a todas as pessoas.
18/11/2020
44% de vereadores negros eleitos nas capitais do país. 26 candidaturas Trans eleitas. Mulheres ocupando 18% das cadeiras para o Legislativo, sendo que todas as capitais elegeram mulheres como vereadoras.
Números inéditos, sem precedentes, diversos marcos históricos. Eu reconheço isso, mas ainda não estou feliz.
Não estou feliz porque em Jundiaí foi eleita apenas uma mulher e nenhuma cadeira da Câmara será ocupada por alguém progressista por mais 4 anos. Na região, a coisa não ficou muito melhor: Várzea Paulista não elegeu mulheres, Campo Limpo Paulista e Louveira elegeram 1, Itupeva e Jarinu 2 e Cabreúva 3, sendo a única cidade do AUJ a ter 1/3 da Câmara feminino.
Jarinu foi a única a eleger uma mulher para Prefeita enquanto, em Cabreúva, dos 3 candidatos ao Executivo, 2 eram mulheres - mas o homem venceu.
É claro que não podemos focar apenas em números: também é preciso analisar as propostas dessas candidatas e a linha de atuação pretendida. Como maioria do eleitorado e da população, mulheres e negros seguem subrepresentados.
Ainda tem muito para evoluir em representatividade nesse Brasil.
17/11/2020
Assinaram a Carta Compromisso com a População Tr****ti e Transexual de Jundiaí as candidatas e candidatos à Prefeitura:
➡️ Cíntia Vanessa (PSOL)
➡️ Daniela da Camara (PT)
➡️ Alê Nicola (PDT)
➡️ Rafael Purgato (PCdoB)
➡️ Marcus Dantas (PSL)
Todos os outros responderam à nossa solicitação com simpatia, porém não assinaram o documento, não se comprometendo com a população TT da cidade. Infelizmente, o prefeito eleito Luiz Fernando Machado (PSDB) foi um dos que não assinaram. Esperamos que ele esteja aberto em seu novo mandato a estabelecer e manter o diálogo com as entidades da sociedade civil para a construção colaborativa de políticas públicas para as pessoas LGBTQIA+ de Jundiaí, em especial a população TT.
Documento construído em parceria por .jundiai e .
Foto: matéria da TV Tem.
16/11/2020
Interrompemos a programação habitual deste perfil por motivos de ressaca eleitoral. As eleições (mas não apenas elas) demandaram demais de mim e foram dias intensos, de esperança e de desânimos acontecendo assim, tudo junto e ao mesmo tempo. Para quem mandou mensagem confusa/o sobre os últimos temas abordados por aqui, eu deixei claro que o Transemos nasceu político.
É apenas impossível me aventurar a falar sobre sexualidade sem querer falar de política junto. Na minha cabeça está super evidente como os assuntos estão interligados. Como percebi que não tá tão óbvio para muitos, falarei mais sobre nos próximos dias.
Recomendo fortemente que assistam à live de ontem com a do onde falamos sobre muitos assuntos e, especialmente, sobre como política é dia a dia e faz parte da vida de absolutamente todos nós. Não tem como escapar, tem apenas como se abster - e escolher deixar de lado sua voz para que as dos outros sejam ouvidas. Mas não é isso o que queremos, certo?
Por hoje, f**a aqui o convite de sempre à reflexão sobre como os nossos corpos e existências são políticos. E você, o que pensa do assunto?
14/11/2020
Amanhã é dia de ir às urnas e fazer seu direito ao voto e sua voz valerem! Mais de 95% da população mundial não vive em uma democracia plena, segundo dados da The Economist, que avalia os países em cinco critérios e publica o Índice da Democracia desde 2006.
O Brasil ficou em 52º lugar em 2019, sendo considerado "democracia imperfeita", e sua pontuação foi pior nos quesitos que dependem mais da sociedade civil que do Estado - participação política e cultura política.
Para reverter esse quadro, precisamos votar e participar ativamente. Para quem acha que "não tem em quem votar, é tudo igual", recomendo que tire um tempinho e pesquise. Um tempo do seu dia é pouco a pedir considerando que a escolha e a responsabilidade são grandes. Temos sim boas opções e muitas candidaturas novas surgindo, com propostas viáveis e modelos inovadores.
F**a aqui meu convite e sugestão de que leia as propostas e entenda se aquela pessoa em quem pretende votar tem real comprometimento com a diversidade. Se ela pretende governar e legislar para TODAS as pessoas, independente de gênero, orientação sexual, nível social ou cor da pele.
Só quando as insituições forem ocupadas por quem se preocupa com a pluralidade e a diversidade humanas que poderemos ter, efetivamente, políticas públicas que contemplem a todas, todos e todes. Desejo a vocês um voto com consciência amanhã!
13/11/2020
Segura essa, Jundiaí! Eu e Thuany Figueiredo, que além de minha amiga é cientista social, coordenadora do CEMP, mestre, doutoranda e mais um monte de coisa, vamos comentar os resultados das Eleições Municipais 2020 AO VIVO no domingo mesmo, dia 15, às 20h!
Esperamos por vocês e pelos bons resultados para comentarmos. Então votem com consciência dia 15 e nos vemos à noite! Porque sexualidade e política têm tudo a ver, né? 🧡
12/11/2020
Que nosso corpo é político você já deve saber. No caso dos corpos transexuais, isso f**a ainda mais evidente, porque eles desafiam as normas e os "padrões" da sociedade. O corpo trans precisa ser mais do que apenas aceito: precisa de visibilidade e inclusão verdadeira.
Esse ano é a segunda Eleição em que a Justiça Eleitoral permite que pessoas Transexuais e Tr****tis votem utilizando o Nome Social no cadastro do eleitor.
Além disso, segundo a Antra (Associação Nacional de Tr****tis e Transexuais) as candidaturas Trans bateram recorde em 2020, alcançando 281 candidaturas em todo o país, sendo 27 delas coletivas, 2 para prefeitura e 1 para vice-prefeitura.
São 255 travestis e mulheres trans, 16 homens trans e 10 candidates com outras identidades de gênero. Um salto de 209% em comparação à última eleição. Que possamos cada vez mais trabalhar por uma sociedade onde todas, todos e todes tenham representatividade política!
11/11/2020
Ontem foi dia de aparecer na TV TEM! A Carta Compromisso com a População TT cocriada pelo Transemos, CAIS e CEMP e enviada aos candidatos à prefeita e prefeito de Jundiaí foi pauta na cobertura das Eleições Municipais.
Para assistir à matéria clique aqui: https://globoplay.globo.com/v/9011946/programa/
Muito orgulho desse trabalho e dessa parceira com mulheres que tanto admiro, Thuany Figueiredo e Samy Fortes!
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11/11/2020
Binarismo é a divisão de um conceito em duas ideias opostas. Quando falamos em binarismo de gênero estamos falando em dividir toda a complexidade de sexualidade humana em apenas dois gêneros: masculino e feminino.
É um tipo comum de divisão para entendimento genérico, pesquisas e estudos, porém é importante lembrar que é uma separação simplista. A Natureza é muito mais diversa que apenas duas opções. Nem as combinações de cromossomos ou gônadas se resumem a duas possibilidades. A sexualidade é tão rica, múltipla e plural que é um desperdício pensar que tantos querem reduzi-la a um pobre dualismo. F**a aqui o convite para ampliar o olhar e aprofundar os conhecimentos.
10/11/2020
Semana passada teve papo com o grupo Homens que Sentem. Tenho orgulho de ter colaborado com a formação do HQS quando era voluntária da Rede Jundiaí 50-50. Um grupo que vem fazendo um trabalho muito bacana na discussão das masculinidades na atualidade. Conversamos sobre diferenças da educação sexual e da sexualidade entre os gêneros. Gratidão demais pela troca!
Ainda vem mais parceria por aí, aguardem! 🧡