01/03/2026
Em 1988, por meio de uma votação realizada com os leitores, a resolveu matar Jason Todd. Parece não ter sido surpresa alguma o desejo dos leitores de verem Robin morto, afinal, quem não curte uma emoção dessas? Ocorre que o enredo da morte se passa no Oriente Médio, e ninguém menos que o Aiatolá Ruhollah Khomeini participa, de modo indireto, do trágico desfecho, pois negocia mísseis diretamente com ninguém menos do que o Coringa.
Não me estranha ver que a mesma imagem que temos hoje dos líderes do regime islâmico está impressa de modo tão caricato nestas páginas de quase trinta anos atrás. Pois, sabemos, houve um esforço muito grande por parte da indústria cultural norte-americana para termos do Oriente Médio essa imagem de terroristas e fanáticos religiosos. Não que eu discorde dessa imagem dos líderes supremos do regime iraniano, pois é inegável a atrocidade e perseguição que este regime tem produzido ao longo de sua vigência; vide os mais de sete mil ativistas mortos de dezembro até agora.
Porém, não pude deixar de relacionar os fatos, a morte de Ali Khamenei neste dia 28 de fevereiro ao desejo do público em vê-lo morto, assim como o desejo do público em ver Robin morto. Além disso, não consigo não relacionar esses políticos de extrema direita ao ídolo dos desavisados, o Coringa. Este, sabem aqueles que vêm e leem mais de uma vez, simbolicamente tem sido eleito pelo mundo dito liberal e democrático, e as consequências são sabidas. Por fim, longe de mim querer um Batman como herói, muito menos um Superman. Só quis mesmo deixar algumas palavras aos que acham que HQ é coisa de criança, e minha solidariedade a todas as crianças mortas nessa guerra, que não acabou.