18/02/2015
Laboratório de Escrita Criativa
Exathum Curso e Colégio
Data: 22/08/2013
Professor: Pablo Pereira
Proposta: Faça uma narrativa com os seguintes dados: a) Personagens – dois jovens; b) Local – um ponto de ônibus; c) Contexto – acabaram de prestar um vestibular e conversam sobre ele. (UFSC/2009)
Aluna: Rafaela Cavinato Bulla | Turma: Terceirão - Ensino Médio
Título: Fernanda
Sábado. Final de tarde. Estava sentado no banco do ponto de ônibus, olhando os carros passarem pela rua, pensando em quantas questões do vestibular eu perdera por falta de atenção. Quando virei minha cabeça para a direita, avistei Fernanda correndo em direção a mim. “Já passou o Iririú/Centro via Castro Alves?”. Era ela: a menina mais bonita da minha turma, meu amor platônico, minha musa. E perguntava sobre o ônibus, nem me dera “oi” (nem dera de manhã, na sala). Mas fui educado ao responder que ainda não, ela poderia ficar tranquila.
“Fernando, não me assusta” (pensei que ela não sabia o meu nome) “Tu tava demorando pra responder, eu achei que tinha perdido”, ela disse, sentando ao meu lado. Então, percebi que, mesmo que ela não lembrasse, teria de saber o meu nome, porque, afinal, estivéramos na mesma sala naquela tarde.
Comecei a falar sobre o teste, perguntando como ela fora, ao que me respondeu: “Mais ou menos”. Tentando puxar assunto, comentei que eu tinha dificuldade com Gramática e perguntei qual era a pior matéria para ela. “Matemática”, disse Fernanda, e voltou a olhar para a rua como fazia antes. “Não acredito! Eu podia ter te ajudado hoje! De repente, a gente podia ter revisado antes da prova ou, quando o fiscal não tava vendo, tu dava uma olhadinha pro meu lado…”, eu estava tagarelando, quando notei que, apesar de sorrir docemente para mim, Fernanda estava na ponta dos pés, balançando as pernas, em um ritmo rápido, com ansiedade.
“Hmmm, tá com pressa ou esperando alguém?”. “A Vivian, respondeu, “…lembra dela?”. Vivian era uma garota que estudara conosco um ano atrás. Fiz que “sim” com a cabeça e reparei em como os lábios da Fernanda eram bonitos enquanto ela dizia “Encontrei com ela há uns dias no shopping. É pra ela tá no ônibus que eu tô esperando. Ele só passa de hora em hora”. “Ah, por falar em shopping”, disse eu, “eu vi que tava passando o novo 300 no cinema…” e não pude terminar meu convite, porque o ônibus chegara na hora. Desculpando-se, Fernanda entrou com pressa e passou pela catraca. Ao ver Vivian de pé, abraçou-a com carinho, deu-lhe um beijo na boca, e elas, então, entrelaçaram seus dedos.