04/06/2020
Nesse momento complicado que estamos vivendo, deixo aqui um relato de uma colega de curso e de centro acadêmico sobre a sua perceptiva sobre o racismo estutrutal existente na sociedade.
"Bom o que é racismo, muita gente fala e tenta saber o que é, mas nós pretos sentimos na pele o racismo.
O racismo não está presente quando aparece nos jornais que uma bala perdida acertou uma criança preta na favela ou quando policial (não de modo geral) mas alguns nós algemam sem motivo só pelo simples fato da cor da nossa pele.
Mas o que os jornais não mostram é quando uma mulher preta é barrada de entrar numa escola só deduziram que ela não tinha condições de pagar. Minha mãe passou por isso, ficou abismada de como a trataram só pela cor da sua pele.
A cor da pele não define status financeiros, não define caráter, não define educação, não define respeito, não define profissão, só por quê somos pretos não quer dizer que só trabalhamos como gari, como faxineira ou como cozinheira, como alegou uma mulher ao saber que minha tia trabalha numa escola, mal sabia ela que minha tia é formada no magistério, graduada em pedagogia, pós graduada em gestão escolar e especializada em práticas pedagógicas da educação infantil e séries iniciais.
Pra finalizar não somos morenhinhos, mulatos, não tão pretos, somos pretos."
- Maria Eduarda Fernandes Dutra, estudante de Engenharia Mecânica da UDESC