A história do bairro dos Bancários e do IPEI - Instituto Pessoense de Educação Integrada - se confundem; nasceram praticamente juntos, a partir da necessidade de professores universitários, que ali vieram morar, no recém-construido conjuntos do Professores. Um espaço que trouxe pessoas comprometidas com o fazer cultural e educativo, habituados com a efervescência acadêmica, motivada a oferecer aos seus filhos uma escola que rompesse com a forma tradicional de ensinar, porém, atenta aos impulsos "liberais e progressistas" que vivíamos enquanto geração, enquanto povo de um país que ainda buscava, de certa forma, a rebeldia abafada pelos recentes anos de ditadura militar. Cuidar - era essa a palavra mestra. Queríamos uma escola comprometida com a formação integral do ser, com a intenção de colaborar com o seu desenvolvimento, autonomia, identidade, capacidade de expressão, na busca da construção de um ser humano capaz e feliz. Queríamos uma escola atenta. Tínhamos a preocupação de fundamentar nossa ação pedagógica, admitindo teorias e pesquisas de educadores e teóricos como Maria Montessori, Piaget, Paulo Freire, entre outros que nos apontavam um novo caminho para a educação. Iniciamos, então, em 12 de maio de 1980 o desenvolvimento do nosso projeto pedagógico com as classes de pré-escolar. Em 1982, ampliamos a nossa escola com a criação das classes de 1ª a 4ª séries do Ensino Fundamental, no mesmo bairro, onde implantamos as classes de 5ª a 8ª séries do Ensino Fundamental adequando a nossa proposta pedagógica ao novo espaço, mais amplo, mais verde, mais bonito. Em 1988 o IPEI transforma-se em uma cooperativa com 04 sócios. Surge nesse momento, uma força renovada, aberta, disposta a ampliar os horizontes da escola além de seus limites, buscando o seu crescimento. O IPEI muda de cara, de cores, expressão plasticamente a consciência que o tempo de experiência lhe havia trazido. Em 1992 a partir deste movimento, encontramos-nos com a Escola Marther Christi de Recife/PE, ampliando nossas relações e recebendo, de forma efetiva, a sua colaboração. Absorvemos a metodologia Construtivista. A experiência adquirida e a maturidade conseqüente nos levam, em 1999, a admitir a metodologia sociointerecionista como base teórica que traduz a pratica vivenciada pela escola. Entramos na maturidade. Uma maturidade viva, dinâmica que nos abre caminhos criativos, inovadores de busca constante, coerente com a nossa idéia de formar seres criativos, empreendedores e felizes. Com base nesse sentimento desenvolvemos encontros periódicos com nossos profissionais, estimulando várias áreas de suas vidas pessoais, como a criatividade, a sensibilidade, proporcionando relações saudáveis, claras e verdadeiras, trabalhando as dificuldades de cada um e também as encontradas na rotina de trabalho da caminhada escolar. Os anos de 2000 a 2010 – intensos sob todos os aspectos – foram marcados por diversas conquistas que, juntas, resultaram na consolidação da escola fortalecendo sua imagem no meio educacional e junto à comunidade, a motivação dos educadores, a confiança dos pais e a alegria dos estudantes. Em 2011, a estabilidade alcançada viabilizou a renovação da Gestão do IPEI, caracterizada pela cultura da sustentabilidade também entre as pessoas que pensam a escola como um todo. A experiência acumulada e as conquistas alcançadas nos trazem a certeza dos caminhos escolhidos, o orgulho da nossa identidade ideológica libertária e a reafirmação do nosso propósito de formar seres humanos compromissados com a justiça, a ética, a solidariedade, a equidade, a liberdade, a paz e a democracia. Hoje, pode-se dizer que as famílias que procuram e se identif**am com o IPEI são pessoas que acreditam na possibilidade de uma alternativa ef**az à educação convencional. Buscam uma educação humanista, crítica e signif**ativa, voltada para a formação de jovens com opinião própria, autônomos, que cultivem valores baseados na solidariedade e no bem coletivo. Compreendem que o objetivo da educação não deve se limitar ao desenvolvimento de habilidades cognitivas. Desejam para seus filhos uma escolarização sem sofrimento, que propicie, a cada um, a descoberta e o desenvolvimento de seus potenciais. Querem ver suas crianças felizes hoje, sendo tratadas como indivíduos singulares, não como números. O valor atribuído ao Projeto Pedagógico do IPEI e a opção consciente por ele leva algumas famílias a se dispor a atravessar a cidade ou, mesmo, deslocar-se de municípios vizinhos. O que mais se destaca no corpo de profissionais do IPEI são as relações amistosas, o clima de informalidade e cooperação, em que os eventuais problemas são conversados e superados com maturidade e respeito mútuo. Ao falarem de sua atuação no IPEI, é normal aparecer o “brilho nos olhos” característico de quem trabalha com alegria por fazer o que acredita, de quem se sente inserido neste projeto como sujeito, como ator. Nossos estudantes, de forma geral, podem ser caracterizados pela simplicidade, pela capacidade de acolhimento aos novos colegas, pela tranquilidade com que convivem na diversidade, pela alegria e espontaneidade, por frequentarem o IPEI com visível prazer. No geral, desenvolvem grande habilidade de análise e pesquisa, sabem exercer a crítica, gostam de participar, são criativos e rejeitam estereótipos. O sonho para as décadas futuras é que o IPEI continue a ousar e expandir seus horizontes: “A escola dos nossos sonhos é a escola onde todos têm a liberdade de realizar seus sonhos”, dizem nossos estudantes; “Nosso sonho é uma proposta pedagógica avançada e sempre inacabada”, dizem as famílias; “Nosso sonho é que o IPEI venha a tornar-se uma referência, um centro de geração de conhecimento pedagógico e de formação de educadores”, dizem nossos profissionais. O sonho da Gestão atual e equipe pedagógica é “ressignif**ar a escola como lugar de formação humana, de produção social do conhecimento e de construção de utopias libertárias como contribuição para um mundo melhor”.