23/03/2022
"Você tem que se comportar direito, já é uma mocinha!"
A maioria das pessoas que nasceram com útero já teve que ouvir durante a infância frases assim por causa de uma brincadeira, um movimento, uma expressão considerada inadequada. Por outro lado, muitas já foram elogiadas por usar o batom da mãe por já estar "virando uma mocinha", e promovidas a obrigação de cuidar do irmão mais novo pelo mesmo motivo.
O patriarcado nos educa e nos faz educar as crianças nascidas meninas para que assumam maior parte das responsabilidades sociais e afetivas numa família, nos ensinam a assumir a responsabilidade por tudo, mesmo do que não é nossa culpa. A imposição do amadurecimento precoce em crianças meninas resulta no fracasso cultural de homens adultos serem considerados imaturos por qualquer escolha feita e meninas crianças e adolescente serem responsabilizadas por tudo e pior, enquanto vítimas.
E o mais doloroso nesse processo todo é que, também na maioria das vezes, a responsabilidade de proteger-se e de "evitar" ser alvo desse tipo de crime, é jogada nas costas das próprias crianças. Afinal, "Já tá bem grandinha para saber o que faz ". Quanto mais naturalizamos esse processo, menos reforçamos socialmente que crianças meninas não são disponíveis por seus corpos, que não tem esse fator como possibilidade dentro de seu mundo, e que seus comportamentos não podem ser de maneira alguma compreendidos como tendo esse objetivo como fim. E quando menos reafirmarmos que crianças meninas, são crianças, mais alimentamos a perpetuação de uma cultura cheia de infinidades de abuso infantil.
Infelizmente ainda temos muito o que caminhar coletivamente. Precisamos garantir que a infância das crianças meninas são seja roubada e que seus corpos não sejam objetificados desde muito cedo.
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