07/06/2017
Muito interessante.
Você sabia que o manejo do pasto baseado no comportamento ingestivo dos animais (pastoreio "ROTATÍNUO") resulta em maior produção animal e vegetal?
Os grupos de pesquisa parceiros da , GPEP - Grupo de Pesquisa em Ecologia do Pastejo e GPSIPA - Grupo de Pesquisa em Sistema Integrado de Produção Agropecuária, ambos da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul e sob coordenação do Prof. Paulo Carvalho, investigaram o efeito de contrastantes estratégias de manejo do pasto e suas implicações sob a produção de forragem e a produção de ovinos em pastagem de azevém anual.
As duas estratégias de manejo do pasto foram:
1) método de pastoreio rotativo tradicional, com alturas de pré- e pós-pastejo de 25 e 5 cm, respectivamente;
2) “pastoreio ROTATÍNUO” (Carvalho, 2013), com alturas de pré- e pós-pastejo de 18 e 11 cm, respectivamente.
No rotativo tradicional, o momento para iniciar o pastejo foi definido pelo máximo acúmulo de forragem e o pós-pastejo definido pela maior colheita de forragem pelos animais.
Já no "ROTATÍNUO", o manejo do pasto foi definido pelo comportamento ingestivo dos animais, ou seja, pela altura ótima de pré- e pós-pastejo, quando o consumo de forragem por unidade de tempo é maximizado e mantido (rebaixamento de até 40% da altura pré-pastejo).
Foi observado que no pastoreio ROTATÍNUO, quando os animais consomem preferencialmente o extrato superior do pasto, predominantemente composto por folhas, o consumo de matéria orgânica digestível e metabolizável é maior comparado aos animais que consomem os demais extratos do pasto, compostos também por colmos (o que ocorre no método rotativo tradicional), resultando em uma dieta de menor qualidade. Consequentemente, o desempenho individual dos animais no "ROTATÍNUO" é maior do que no rotativo tradicional, resultando também em maior ganho de peso por área.
Ou seja, a baixa intensidade de pastejo e a alta frequência de pastejo no "ROTATÍNUO" resultam, comparativamente ao rotativo tradicional, em:
1) maior resíduo pós-pastejo,
2) maior participação de folhas (pré- e pós-pastejo),
3) maior interceptação luminosa (pós-pastejo),
4) maior acúmulo diário de forragem e produção total de forragem,
5) maior desempenho animal (individual e por área), e
6) menor impacto ambiental (emissão de metano por animal).
Informações mais detalhadas sobre o “pastoreio ROTATÍNUO” podem ser encontradas no artigo cientifico - Harry Stobbs Memorial Lecture : Can grazing behavior support innovations in grassland management?, publicado em 2013 na revista Tropical Grasslands; no capitulo de livro - Como a estrutura do pasto influencia o animal em pastejo? Exemplificando as interações planta-animal sob as bases e fundamentos do Pastoreio “Rotatínuo”, publicado em 2016 no VIII Simpósio sobre Manejo Estratégico de Pastagem (SIMFOR) e, também na Tese de Doutorado de 2017 (UFRGS) - Rotatinuous stocking: an innovation in grazing management based on animal behaviour and implications to pasture production, foraging behaviour, herbage intake and methane emission by grazing sheep.
Como receber as publicações referentes ao “pastoreio ROTATÍNUO”? Envie um e-mail para [email protected] (Paulo C. F. Carvalho) ou [email protected] (Jean V. Savian).
Fotos: Jean Savian