30/08/2022
A gestão do imediatismo!
A gestão do imediatismo, é uma cultura enraizada em muitas Organizações. A ânsia pelo resultado de curto prazo ou mesmo a insatisfação atrelada ao desalinhamento pela ausência de feedbacks, fatalmente colocam projetos na trilha das ruínas, isso sem fazer qualquer menção aos aportes financeiros realizados pelas empresas, na tentativa de almejar resultados “milagrosos”.
Vocês podem estar se perguntando: qual clube de futebol está sendo referenciado neste artigo? Mesmo diante de tamanhas semelhanças, não estamos apontando somente a gestão do esporte, mas também a gestão empregada por inúmeras empresas no Brasil. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indica que 90% das empresas no Brasil possuem perfil familiar. Com esta marca, elas chegam a representar aproximadamente 65% do PIB e são responsáveis por empregar 75% dos trabalhadores no país.
Porém, a cultura do imediatismo é um termo usado para se referir a uma tendência comportamental que normalmente ultrapassa fronteiras. Na verdade, ela está praticamente em todos os lugares, manifestando-se da mesma forma em diferentes culturas e países. A propósito, ela é creditada ao professor Douglas Rushkoff, da New School University de Manhattan. Foi ele que popularizou o termo, apresentando-o pela primeira vez em seu livro “Present shock: When everything happens now” ou “Choque do presente: quando tudo acontece agora, lançado em 2013.
Se nos seguirmos nos aprofundando para tentarmos compreender estes “anseios comportamentais”, poderemos verificar que parte desta postura inquietante está também atrelada à massificação dos meios eletrônicos de comunicação. E se nos atentarmos um pouco, veremos que com a internet, tudo passou a ser para já.
Afinal, você nunca se viu afetado pelo imediatismo? O “desespero” com um interminável download de cinco minutos ou até mesmo uma conexão lenta? Observe que uma pessoa afetada pelo imediatismo, além de impaciente é de certa forma apática. E esta apatia, tem a ver com uma percepção equivocada de tudo tem que ser para agora. Normalmente o presente não é consequência do passado e tanto faz que se fizer hoje, afinal, só o agora basta. Nesse sentido, há uma ânsia crescente por ter coisas para já e de resolver todos os “problemas” imediatamente.
A psicologia explica algumas situações diante da cultura do imediatismo, entre elas a questão que não sobra tempo sequer para buscar o autoconhecimento, justamente por se ver atarefado demais, pois só importa produzir e consumir, para voltar a produzir e consumir mais. Obviamente, quem não se conhece bem, naturalmente, terá dificuldade em se relacionar com outras pessoas. Ou seja, a manifestação da ansiedade é um dos males mais sérios. Um ansioso é alguém fundamentalmente incapaz de aguardar e que sofre pelo que ainda não aconteceu. Naturalmente, está sempre antecipando as consequências de tudo, para si e para os outros.
Aqui cabe uma outra reflexão como diz o professor Rushkoff: a cultura imediatista nasce e se consolida com a expansão digital.
Assim, podemos perceber que o imediatismo e a ansiedade caminham de mãos dadas.
Ou seja, cada vez menos tempo para se pensar. Consequentemente, menos tempo para se refletir. Se não há reflexão, o que dizer dos próprios atos e da forma de ser e agir? Se o que importa é consumir, quanto menos se pensa, é melhor. E como o justo acaba pagando pelo pecador, obviamente sofrem por tabela aqueles que tentam fazer um trabalho sério. E consecutivamente os bons profissionais vão ficando de lado.
A maior falha está em buscar as respostas em terceiros. E a melhor resposta está em nós mesmos. Mas..., antes, é necessário conhecer a si próprio. A verdade é que quanto mais nós nos conhecermos, mais tolerantes seremos diante dos nossos problemas. E se conhecer leva tempo e requer paciência. É um investimento necessário para que possamos desenvolver relacionamentos mais saudáveis e reduzir o sofrimento imposto pelo imediatismo em todas as formas.
Mas, quem faz a gestão efetiva das Organizações, sente tal necessidade? Percebe e busca este aprimoramento?