06/06/2013
Ás vezes os materialistas perguntam: se Deus criou tudo, quem criou Deus?
Trata-se de um argumento inconsistente.
O conceito de causa de todas as causas exige que essa seja não-causada, pois se tivesse causa teria de ser a causa de sua própria causa, e se voltaria ao ponto inicial do argumento. Portanto, há um ponto que não pode ser ultrapassado na cadeia de regresso causal, o plano da eternidade.
Essa é a conclusão dos Vedas.
Aristóteles também concluiu que o primeiro motor é imóvel.
Os conceitos de causa-não causada (sarva-karana-karanam) e de primeiro motor imóvel (primo moto imobile) são axiomáticos.
O axioma é uma solução lógica, uma verdade que não precisa ser demonstrada por ser auto-evidente. Já o dogma é o fundamento de uma religião ou de um ordenamento jurídico.
O dogma é arbitrário. O axioma pode ser deduzido do raciocínio.
O conhecimento védico, embora relativo à vida espiritual, não é meramente dogmático.
A diferença entre as religiões baseadas em dogma e em axioma é que as primeiras desestimulam a investigação, enquanto que as segundas a inspiram.
Todos estão diariamente entretidos com perguntas e respostas, afirma Srila Prabhupada no Livro de Krsna. E os Vedas nos dão uma perspectiva de satisfação de nossa busca. O primeiro passo é perguntar com espírito aberto (tad vidhi pranipatena). Não há, portanto, submissão a dogmas. Quando o Bhagavad-gita fala em perguntar submissamente, isso não signif**a aceitar tudo que se ouve como verdade absoluta, sem critério, mas perguntar com espírito humilde, esvaziando-se de preconceitos.
Ao nos apresentar a religião cognitiva dos Vedas, Srila Prabhupada, costumava dizer:
“Religião sem conhecimento é sentimentalismo; conhecimento sem religião é especulação seca”.
Por isso, embora no conhecimento védico nos defrontemos muitas vezes com verdades axiomáticas, não estamos presos a dogmas. O vaisnava, embora possa se tornar onisciente por sua relação com Krsna, também estará sempre ocupado com perguntas e respostas. Só que elas mudam de nível. No início, se referem à própria existência de Deus ou a Suas características, como nos relacionar com Ele, adotar um processo de auto-realização, e assim por diante.
No estado avançado, como o das gopis de Vraja, essas dúvidas não existem. Mas elas estão sempre se perguntando: “Você viu Krsna?” “Será que Krsna está atraído por outra donzela?” “Será que ele gostou da guirlanda que fiz para Ele?”
As gopis mais velhas também se questionam: “Será que Krsna vai adoecer?” “Por que está demorando tanto para voltar para casa com seus amigos vaqueirinhos?”
Quando nossas dúvidas forem dessa natureza, estaremos no plano perfeito, em que a existência de Krsna e Sua grandeza são verdades axiomáticas, sabidas e entendidas inerentemente no coração do devoto.