Aulas de Português e Francês com Anapaula Ziglio

Aulas de Português e Francês com Anapaula Ziglio Aulas particulares de Português: literatura, interpretação, gramática e redação (Ensino Fundam

02/12/2025

Você sabia que São Paulo já teve uma muralha?

Quando olhamos para o centro de São Paulo hoje, é quase impossível imaginar que tudo começou como um povoado murado, apertado entre matas fechadas, rios caudalosos e constantes ameaças. Mas é isso que revela a história da antiga Vila Forte de Piratininga, nome dado justamente pela fortificação que os paulistas ergueram ainda no século XVI.

Belmonte, no clássico No Tempo dos Bandeirantes, descreve o ambiente da vila de forma tão vívida que parece que estamos ali. Sobre as casas e construções, ele diz:

> “A casa, humilde e singela, era de taipa de pilão, com o chão batido e o telhado de sapé. Tudo construído com o que a terra dava e com o que o braço do homem podia amassar.”
(Belmonte – Cap. 1)

Essa mesma técnica (taipa de pilão) foi usada para levantar a muralha que cercaria a vila. E aqui vem o ponto essencial: muita gente imagina uma cerca fraca, mas Belmonte detalha que era um muro largo, compacto, construído à força de pilões:

“E a terra, socada com pilões pesados, ficava tão dura que parecia pedra. Assim se levantavam os muros, que defendiam o povoado dos ataques das tribos do sertão.”
(Belmonte – Cap. 2)

A muralha nasce da necessidade. Em 1562, vem o famoso Cerco de Piratininga, quando a confederação dos tamoios avançam contra a vila, revoltadas com a aliança dos jesuítas com os aldeados de Tibiriçá. Belmonte narra o clima de tensão do planalto:

“Viviam sempre de sentinela, porque o mato, logo além, escondia o perigo. A qualquer hora podia surgir o gentio, ululando como fera.”
(Belmonte – Cap. 3)

Diante desse perigo constante, os moradores começaram a fechar a vila completamente. Não foi obra de um dia, mas um processo coletivo — cada família ajudando a bater terra, reforçar, manter as portas.

Belmonte reforça:

“A vila era cercada, como coisa preciosa que se guarda. Havia portas, que se abriam e fechavam com regramento, e muros de terra batida, que a todos defendiam.”
(Belmonte – Cap. 4)

Quando o cerco aconteceu, essas defesas fizeram diferença. Os indígenas cercaram o povoado, mas a muralha segurou a investida, garantindo a sobrevivência de São Paulo. E dentro dela estavam homens que se tornariam lendários: Tibiriçá, João Ramalho, os jesuítas, os mestiços da terra.

Belmonte descreve o espírito desses defensores:

“Gente dura, acostumada à luta e à carência, que fazia de cada palmo de terra um bastião.”
(Belmonte – Cap. 5)

Com o tempo, a vila cresceu, expandiu-se além das muralhas e a antiga taipa defensiva desapareceu, incorporada ao terreno ou simplesmente demolida. Mas sua memória permanece.

E o mais simbólico: São Paulo nasceu literalmente protegida por uma muralha de terra. Antes de ser gigante, foi trincheira. Antes de ser metrópole, foi forte.

Para Belmonte, essa é a essência do paulista:

“O paulista nasce da resistência. Da mistura, da luta, do improviso, da coragem de existir onde parecia impossível manter-se vivo.”
(Belmonte – Cap. 7)

A partir dessa necessidade, Belmonte descreve o surgimento do bandeirante não como um “herói oficial”, mas como uma consequência direta do ambiente de Piratininga:
o isolamento, o perigo constante, a falta de rotas seguras, a hostilidade das matas, e a necessidade de buscar recursos, alianças e caminhos.

Em um trecho emblemático (parafraseado), Belmonte explica:
"O homem da vila, acostumado a viver cercado e sempre alerta, aprendeu cedo que só sobreviveria se dominasse o sertão. Foi essa vida dura, de vigília e ameaça constante, que criou o tipo humano das bandeiras."

Ou seja: os bandeirantes só existem porque a vila precisou se defender, explorar e expandir para não morrer.
A muralha protegeu, mas também empurrou os homens para fora dela.
Belmonte reforça que o paulista era, desde o começo, um homem “nascido para a caminhada”, não por vocação romântica, mas por necessidade histórica: a vila era pobre, pequena e isolada, a abundância e a sobrevivência estavam fora dos muros.

Bibliografia: No Tempo Dos Bandeirantes, Belmonte6

16/11/2025

🩸 Sabia dessa? A cor que usamos para descrever o fogo, o sangue e a paixão em português… não vem do fogo, nem do sangue.

A palavra "vermelho" vem de verme. Literalmente.

Enquanto outras línguas usam termos com origem em ruber (latim para “vermelho” ou “rubro”) — como rosso (italiano), rouge (francês), rojo (espanhol) e red (inglês) —, o português tomou outro caminho.

“Vermelho” deriva de vermiculus, diminutivo de vermis (verme), referindo-se às cochonilhas, pequenos insetos que, ao serem esmagados, liberam um pigmento vermelho intensamente vivo: o carmim. Essa substância era usada desde a Antiguidade para tingir tecidos, roupas nobres e objetos sagrados.

A cor era tão marcante e valiosa que acabou associando-se ao próprio nome da cor — a cor extraída dos vermes virou “vermelho”.

No português medieval, "vermelho" nem sempre era exatamente o que chamamos hoje de vermelho — às vezes significava um roxo profundo, e o termo mais comum para o vermelho era rubro. Mas ao longo do tempo, especialmente com o uso do pigmento carmim, “vermelho” passou a dominar o vocabulário do cotidiano.

Ou seja:
👉 Enquanto outras línguas falam da cor com base na aparência…
👉 …nós damos nome à cor com base em sua origem biológica.

Em português, o vermelho vem de um bicho que sangra vermelho.

20/10/2025

A última letra adicionada ao alfabeto foi a letra “J”, incorporada oficialmente no final do século XVI. 🔤

Antes disso, o “J” não existia como uma letra independente. Durante grande parte da história do latim e das línguas que dele derivaram, a letra “I” era usada tanto para o som vocálico (como em *ih*) quanto para o som consonantal (como o “j” de *Jesus*).

Foi o gramático e estudioso italiano Gian Giorgio Trissino quem propôs a separação formal entre as duas letras em 1524, em um tratado sobre a ortografia da língua italiana. Com o tempo, essa distinção se espalhou pela Europa e foi adotada no inglês, francês, espanhol e português.

Assim, o “J” tornou-se a 26ª e última letra a entrar oficialmente no alfabeto latino moderno, ganhando seu próprio som e função.

Curiosamente, até hoje algumas línguas, como o latim clássico e o islandês, ainda não fazem distinção entre “I” e “J” — um lembrete de que a escrita, assim como a fala, continua evoluindo com o tempo.

21/09/2025

O R caipira do interior de São Paulo, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina deve-se ao fato de que os indígenas que aqui moravam não conseguiam falar o R dos portugueses, não havia o som da letra R em muitos dos mais de 1200 idiomas que falavam aqui.

Então na tentativa de se pronunciar o R, acabou-se criando essa jabuticaba brasileira, que não existe em Portugal.

A isso também se deve o fato de muitas pessoas até hoje em dia trocarem L por R, como em farta (falta), frecha (flecha) e firme (filme).

Com a chegada de mais de 1,5 milhão de italianos à capital de São Paulo o sotaque do paulistano incorporou o R vibrante atrás dos dentes, porta como "porita", e em alguns casos até incorporando mais Rs do que existem: carro como "caRRRo", se quem fala for de Mooca, Brás e Bexiga, bairros paulistanos com bastante influência italiana.

O R falado no Rio de Janeiro deve-se ao fato de que quando a corte portuguesa pisou aqui, a moda era falar o R como dos franceses, saindo do fundo da garganta, como em roquêfoRRRRt, paRRRRRi.

A elite carioca tratou de copiar a nobreza, e assim, na contramão do R caipira e 100% brasileiro, o Rio importou seu som de R dos franceses.

Do mesmo modo a corte portuguesa trouxe o S chiado dos cariocas, sendo hoje o Rio o lugar que mais se chia no Brasil, 97% dos cariocas chiam no meio das palavras e 94% chiam no final.

Belém do Pará ocupa o segundo lugar e Florianópolis em terceiro.

As regiões Norte e Sul receberam a partir do século 17 imigrantes dos Açores e ilha da Madeira, lugares onde o S também vira SH. Viviam mais de 15 mil portugueses no Pará, quarta maior população portuguesa no Brasil à época, o que fez os paraenses também incorporarem o S chiado.

Já Porto Alegre misturava indígenas, portugueses, espanhois e depois alemães e italianos, toda essa mistura resultou num sotaque sem chiamento.

Curitiba recebeu muitos ucranianos e poloneses, a falta de vogais nos idiomas desses povos acabou estimulando uma pronúncia mais pausada de vogais como o E, para que se fizessem entender, dando origem ao folclórico "leitE quentE".

Em Cuiabá e outras cidades do interior do Mato Grosso preservou-se o sotaque de Cabral, não sendo incomum os moradores falando de um "djeito diferentE". Os portugueses que se instalaram ali vieram do norte de Portugal e inseriam T antes de CH e D antes de J. E até "hodje os cuiabanos tchamam feijão de fedjão".

Junto com os 800 mil escravos também foram trazidos seus falares, e sua influência que perdura até hoje em se comer o R no final das palavras: Salvadô, amô, calô e a destruição de vogal em ditongos: lavôra, chêro, bêjo, pôco, que aparece em muitos dialetos africanos.

A falta de plurais, o uso do gerúndio sem falar o D (andano, fazeno), a ligação de fonemas em som de z (ozóio, foi simbora) e a simplificação da terceira pessoa do plural (disséro, cantaro) também são heranças africanas.

do livro "Mapa Linguístico do Brasil" de Renato Mendonça e da Superinteressante desse mês.

O livro abaixo, boa referência para contextualizar essa nossa mania de norma culta.

20/07/2025

Você sabia que Cecília Meirelles era de origem cigana? 😮

Sim, uma das maiores poetas do Brasil, Cecília Meirelles, era uma bela mulher de origem cigana. Ela foi a primeira pessoa do grupo de “Rom" do mundo, ou seja, a primeira cigana, a receber um título de Doutora Honoris Causa.

O título foi recebido em Délhi, Índia, no ano de 1953 e ela se tornou Doutora Honoris Causa da Universidade local.

Foi através das palavras de um dos maiores poetas de nossa língua, Carlos Drummond de Andrade, que ficamos sabendo sobre a cigana Cecilia Meireles, embora ela tenha escrito diversos poemas sobre o tema.

Ela viveu e se posicionou em um período de nossa história onde uma mulher não era bem vista trabalhando fora de casa e muito menos colocando sua opinião, escrevendo, criticando.

Ela não foi lembrada pela ABL na sua época, mas, entre a ABL e a Cecília, quem perde é a ABL. Eles é que perderam...o povo cigano não.

Leia a matéria completa:
https://tinyurl.com/2zmwnj2h

Saiba o porquê do nome favela…
18/07/2025

Saiba o porquê do nome favela…

Na foto acima você vê o que é considera a primeira favela do Brasil – O Morro do Pinto, em Santo Cristo, no Rio de Janeiro, por volta de 1910.

Mas…por que as favelas se chamam favelas?

Pois bem, o nome “favelas” não tem nada a ver com esse morro. O nome provavelmente vem de uma árvore do cerrado e caatinga.

Mais ou menos entre 1896 e 1897, um grande número de sertanejos, liderados por Antônio Conselheiro, fundaram a comunidade de Canudos no interior da Bahia. Canudos ficava perto de um monte chamado ‘Morro da Favela’.

O morro assim era chamado porque lá cresciam muitas favelas, plantas euforbiáceas espinhosas, xerófilas, bastante resistentes à estiagem. ‘Favela’ é diminutivo de fava (planta leguminosa, como os feijões), assim como ‘barbela’ é de ‘barba’ e ‘costela’ é de ‘costa’.

Leia a matéria completa:
https://tinyurl.com/ybz58n35

Endereço

Jaguariúna, SP

Notificações

Seja o primeiro recebendo as novidades e nos deixe lhe enviar um e-mail quando Aulas de Português e Francês com Anapaula Ziglio posta notícias e promoções. Seu endereço de e-mail não será usado com qualquer outro objetivo, e pode cancelar a inscrição em qualquer momento.

Entre Em Contato Com A Escola/colégio

Envie uma mensagem para Aulas de Português e Francês com Anapaula Ziglio:

Atalhos

Compartilhar