20/02/2024
“O Pinheirinho perdeu um dos seus fundadores.”
Esta frase ecoou por nossas ruas na última semana.
Gildásio Marinho, Seu Gildásio, Tio Gildásio, Seu Gil
Tornou-se eterno, encantado.
O Pinheirinho perdeu uma de suas bibliotecas.
Biblioteca em forma de homem, tinha uma casa do norte, um bar, que para muitos meninos crescidos desta vila, a parada era sagrada e não era só para tomar uma, na verdade, tomar uma por vezes era desculpa. O motivo mesmo é tomar uma benção, um conselho, uma dura. Daquele que para além de fundador, será sempre uma referência, um líder, um parente.
REFERÊNCIA! Por suas portas abertas desde as ruas de terra e sem luz. Por receber muita gente, conterrâneos ou não, gente que após deixaram sua terra, aqui no Pinheirinho, puderam de novo fincar o pé numa terra para chamar de sua.
Foi tanta gente, que seu Gildásio viu sua rua encher de casa e não ter mais nenhum terreno vazio. Aliás, é importante contar para quem chegou a menos tempo, o endereço do seu Gil sempre foi palco!
Palco pro forró, torneios, quermesse, bolo no dia das crianças, cinema, quadrilha, ballet, debate, campeonato, showmício, futebol, bingo, capoeira... Palco para a vida!
Seu Gildásio sempre foi linha de frente, LIDERANÇA, para levantar e manter aberto este palco.
E como líder sábio, não tomava conta deste palco sozinho.
E como líder solidário, não queria que a vida ficasse restrita ao palco da Guaraci, 63.
Tanto é, que...
Seu Gildásio compartilhou seu palco com o Espaço muito mais que uma vez.
Que moral, que responsabilidade, que honra. Gratidão!
Foi tanta acolhida, para nós, e não só para nós, que Gildásio Marinho virou parente para uma quebrada toda. Pelo menos para quem está aqui a mais tempo, ou que mesmo que não more mais na vila, sentiu sua despedida como a de um irmão, um tio, um avô.
Se é preciso de “uma aldeia para criar uma criança” seu Gildásio levou isso a pé da letra e foi além. Criou uma vila inteira.
Gildásio Marinho, Presente!
Nas fotos vários momentos no seu Gildásio e alguns no Espaço