15/06/2023
REINO DE AXUM
Cultura Africana
Quando a Europa entrava em um processo de declínio de seu principal império, o Romano, outras regiões do mundo se preocupavam em fortalecer sua sociedade e economia, desenvolvendo seu próprio mundo sem depender das ajudas romanas. Axum foi um reino africano, que se tornou, em seu tempo, um dos mais conhecidos e bem sucedidos na empreitada de organizar uma sociedade, tendo começado seu processo de ascensão ainda no século I.
Seu território era extenso, tendo o Mar Vermelho banhando boa parte de seu território, com sua capital na cidade de Aksum, na atual Etiópia, além de uma série de cidades que se situavam nas regiões com acesso ao mar, que no que lhe concerne, eram economicamente potentes e independentes, compondo um rico e poderoso reino. Sua cultura era diversa, e na região, havia a crença de que, o rei Salomão era o patriarca daquele povo, sendo o rei de Axum descendente direto do mesmo, crença essa compartilhada entre os monarcas axumitas.
Embora seja difícil de se confirmar o local e momentos exatos de sua fixação na região, acredita-se que tenha sido por volta do século V a.C., embora não haja muitas informações sobre esse período de formação, é provável que tenham tido um modo de agrupamento parecido com outros povos de outras regiões, a partir de junções tribais coletivas que se uniam para sobrevivência. No século II d.C., Axum já era uma potência, com um exército bem formado e treinado, além de comércio com diversas sociedades ao redor de seu território, chegando a adquirir alguns estados na Península Arábica, conquistado o norte da Etiópia e o estado de Kush, em aproximadamente 350 d.C.
Nesse momento, os axumitas controlavam uma das mais importantes rotas comerciais do mundo, e estava em constante expansão, causando até mesmo receio em impérios europeus. A consequência não poderia diferir, e Axum se tornou rica e referência econômica em seu tempo, parceira econômica de quase toda África, Arábia e índia, e com o tempo, assim como aconteceu com Constantinopla, se tornou um grande centro comercial e urbano, atraindo diversas culturas do mundo para suas terras, acontecendo uma verdadeira mistura de povos, com centros cosmopolitas compostos de Judeus, Núbios, Cristãos e até mesmo de Budistas.
O reino de Axum foi o primeiro estado africano a cunhar sua própria moeda, por volta do ano de 270, no reinado de Endubis, e também, ainda no século III, criou seu alfabeto próprio para complementar o dialeto já falado na região. No século IV, o rei Ezana optou por converter-se ao cristianismo, rebatizado como Abriha. A estabilidade da região permaneceu perene até o século VII, quando a expansão dos árabes tornou-se veloz, pegando os impérios e reinos da época desprevenidos, e com o domínio total árabe sob o Mar Vermelho, a economia de Axum declinou severamente.
Em questão de poucos séculos, o outrora fabuloso reino de Axum foi reduzido a diversos pequenos vilarejos, com uma economia local e sem quase nenhuma força bélica, fato ocasionado pela fuga das elites locais que já viam os árabes como futuros dominadores da região, fato consumado até o século X, quando até mesmo os monarcas do antigo reino e lideres etíope deixaram a região e foram para o sul.
Após um longo período de obscuridade, Axum começa a reviver a partir do século XV. A Igreja de Santa Maria de Sião foi reconstruída em 1404, e novos bairros habitacionais foram criados no século XVI. Porém, em 1535, a cidade foi invadida e destruída pelo chefe militar somali Ahmad ibn Ibrihim al-Ghazi. Nos séculos seguintes, Axum foi vítima de pragas de gafanhotos, cólera e fome que dizimaram a população. A importância simbólica para a religião e realeza etíope, porém, nunca foi esquecida
FONTES PARA PESQUISA:
PÁEZ, Pedro (2008). História da Etiópia (PDF). Lisboa: Assírio & Alvim. p. 44. ISBN 978-972-37-1056-4
The 1994 Population and Housing Census for Ethiopia. Adis Ababa, June 1996. CENSUS