04/11/2021
A história de Helen Keller me foi contada quando pensei em desistir de fazer o doutorado em filosofia porque não entendia nada do que meus colegas falavam. Lia livros em português dos filósofos modernos tipo Heidegger, Schelling, Shopenhauer e não entendia patavina do que estava escrito.
Já era professora do Cefet e mãe de três. Sentia que aquilo não era para mim - embora quisesse muito entrar para o doutorado.
Pensei em desistir do que queria.
Era desesperador.
Daí, uma professora de filosofia da UERJ, Márcia Gonçalves, ouvindo meu desespero, me contou sobre Helen Keller e me disse que se eu insistisse, quando enfim entendesse, entenderia tudo de forma retroativa, ou seja, que nenhum tempo que me dediquei tentando entender seria tempo perdido. Como foi com Helen Keller.
Helen Keller? Oi? Não conheço.
Li o livro. Vi o filme. A história é verídica.
E esse é o momento em que Helen (surdocega), enfim, entende o que há anos a professora dela tentava explicar: uma língua de sinais tátil.
Nesse momento aí, ela compreende tudo e consegue reproduzir os sinais que antes nada significavam para ela, mas que eram insistentemente repetidos pela professora.
Muitas pessoas que já conversaram comigo ouviram essa história quando me perguntam em quem me inspiro ou quando chegam desanimados falando que não estão entendendo algo.
É assim que ocorre com as pessoas que não desistem de aprender e com aquelas que insistem em ensinar. Tudo acontece.
Lembrando que todo o crédito da perseverança no caso da Helen Keller foi da professora Anne Sullivan que não deixou de acreditar que compreender era possível e apenas uma questão de tempo.
Helen Keller se tornou uma escritora, conferencista e ativista social norte-americana. Foi a primeira pessoa surdocega da história a conquistar um bacharelado.
Tive o meu momento-Helen-Keller na filosofia e foi bem assim. Como disse Einstein, uma mente que se abre a uma nova ideia jamais volta ao tamanho normal.
É lindo quando acontece.