15/03/2021
Alerta de gatilho: violência doméstica.
Era domingo 20h. Algumas mensagens de áudios longos chegaram no meu celular. Nem costumo ver o aplicativo nesse horário, mas a quantidade de mensagens me chamou a atenção. Era a mãe de um paciente que iniciaria os atendimentos comigo no dia seguinte. Essa mãe tinha ido na semana anterior ao meu consultório, cheia de angústias a respeito do desenvolvimento da aprendizagem do seu filho, autista.
Começo a ouvir os áudios. Me dá um nó na garganta. A medida que ouço, meu coração aperta. A mãe, visivelmente desestabilizada, me relata ter sido vítima de violência doméstica a poucas horas, do seu então marido, e por uma série de questões relacionadas ao fato, não poderia ir ao atendimento do dia seguinte. No final das mensagens, ela ainda pergunta se eu teria outro dia, na mesma semana, para que pudesse levar seu filho. Mãe é mãe né? Acolhi essa mãe da maneira que pude.
Acabei de ouvir as mensagens, olhei meu marido que fazia nossa filha dormir de forma tão carinhosa. Agradeci a Deus por viver em um lar amoroso, em que não sou maltratada simplesmente por ser mulher.
Fui dormir pensando em como não fazemos a menor ideia das dores que as pessoas carregam na vida. Durante a conversa que havia acontecido na semana anterior, jamais imaginaria que aquilo acontecesse naquela família.
Compartilho esse relato com vocês, para que possamos refletir sobre a necessidade de termos empatia e afetividade com quem quer que seja.
Boa semana!
Texto: Rafaela Agra