28/03/2019
Carta de repúdio
Itabuna, 27 de março de 2019
O coletivo de artes da UFSB Campus Jorge Amado vem por meio desta manifestar
veemente repúdio as mudanças propostas pela gestão da universidade na reunião ocorrida no
dia 18/03/2019. Manifestamo-nos tardiamente devido ao fato de não estarmos presentes na
reunião que não foi transmitida por vídeo conferencia e que aconteceu no mesmo dia em que
a maioria dos alunos estavam fazendo uma viagem institucional para o III Fórum de Arte e
Cultura realizado na UFBA de Salvador.
Acreditamos que as propostas apresentadas apenas prejudicarão os discentes e futuros
discentes da instituição que tenham interesse nos cursos que foram cogitados para serem
retirados e/ou realocados. Os estudantes já matriculados teriam direito de concluir seus cursos
no respectivo campus em que está matriculado, porém a retirada desses cursos causaria um
sucateamento destes, considerando que os docentes teriam de ser remanejados para seus
referidos centros de formação. Ademais, o ingresso de alunos no curso de Bi-Artes, por
exemplo, vem tendo uma crescente signif**ativa, e usar o discurso de que é inviável manter
um curso com pouquíssimos alunos não se aplica nesta caso já que a Li seria mantida e os
cursos de Li contem o Bi em sua formação. Para nós, é inconcebível a ideia de que a
universidade tenha recursos financeiros suficientes para implementar dois novos centros de
formação, mas não o tenha para manter cursos já existentes e em pleno funcionamento.
Sentimos também que essas mudanças acarretariam num desmonte gradual do plano
orientador desta universidade que tem um modelo baseado nas seguintes soluções:
“• Regime letivo quadrimestral;
• Ampla cobertura territorial;
• Estrutura organizacional em rede;
• Gestão acadêmica descentralizada;
• Governança digital;
• Integração com a rede de ensino médio da Região.
As soluções que compõem essa configuração institucional justif**am-se pela
oportunidade de contemplar os seguintes princípios:
• eficiência – no sentido de uso otimizado de recursos públicos, como
potencial de mais vagas em relação a docentes e também de instalações e
equipamentos disponíveis;
• sustentabilidade – compromisso de proteção da biodiversidade e promoção
de consciência ecossocial, com mobilização social e cidadania ativa,
incorporado ao próprio processo de formação;
• impacto social – ampliação do acesso à educação superior, com integração
social, incluindo e destacando políticas de promoção de permanência e
fomento ao sucesso na formação;
• ressonância regional – maior cobertura geopolítica e rapidez de resposta na
formação de graduados e pós-graduados, visando provocar efetivo impacto
nos processos de desenvolvimento econômico, social e humano da Região;
• pluralidade pedagógica e flexibilidade – no duplo sentido da diversidade
metodológica e de áreas de formação, implicando oferta de cursos
necessários ao desenvolvimento da Região (engenharias, tecnologias
industriais, artes, humanidades, saúde);
• interface sistêmica com a Educação Básica – ao fomentar formação
interdisciplinar e flexível de quadros docentes para os níveis médio,
fundamental e infantil de ensino.
• articulação inter-institucional – na medida em que várias instituições
públicas ofertam cursos superiores na Região, todo o planejamento
institucional e acadêmico tem sido realizado em estreita articulação e ampla
consulta com a Secretaria Estadual de Educação e as demais instituições,
assim evitando-se duplicação, redundância ou desperdício de recursos
públicos.
• humanismo – na medida em que as atividades de ensino, pesquisa e
extensão consideram o ser humano em todas as suas dimensões (afetiva,
cognitiva, espiritual, econômica, social, ambiental), procurando formar
pessoas atuantes e cientes do seu papel enquanto cidadãos, produtores de
bens e serviços, consumidores conscientes, partícipes da sociedade e da
natureza.” (Plano orientador, 2014, pg 18 e 19)
A retirada do Bi-artes do campus Jorge Amado causaria uma elitização do curso, visto
que, grande parte dos discentes já ingressos na UFSB, mesmo tendo interesse em migrar para
o segundo ciclo, são impedidos de fazê-lo por não ter condições econômicas e nem o suporte
institucional necessário para se manter em Porto Seguro, forjando um regime em que apenas
determinada classe social tenha acesso aos cursos de primeiro e segundo ciclo a serem
oferecidos apenas no campus Sosígenes Costa que, segundo informações do site oficial da
própria universidade, tem um número menor de discentes de artes (Bi e LI) do que o campus
Jorge Amado.
Compreendemos a importância de manter um sistema democrático no espaço
universitário e é por isso que solicitamos uma nova reunião com a gestão, para que desta vez,
possamos participar de uma decisão tão importante quanto essa, que define não só sobre a
reestruturação da instituição, mas também o percurso e a qualidade da formação acadêmica de
vários futuros profissionais que poderão contribuir positivamente para a efetivação das
soluções contidas no plano orientador, citadas acima.
Coletivo de Artes do campus Jorge Amado.