05/04/2023
Reforma do ensino médio: o conflito era inevitável. Por um lado, a base política à esquerda: universidades públicas, cursos de licenciatura, sindicatos. Por outro, os institutos privados que propõem melhorar a educação básica, e investiram pesado na reforma, efetivada por Temer mediante MP (o que já era um absurdo: por que não deixar o Congresso melhorar um projeto de lei?).
É muito difícil revogar a reforma. Como eu já disse, exigiria um pedágio a mais a Artur Lira e à maioria conservadora do Congresso. Lula já tem muita dor de cabeça para baixar os juros.
Porém, há espaço para o MEC mexer no nível infralegal: portarias, negociação com as secretarias estaduais, com o professorado.
E realmente diminuir o número de aulas de português e matemática, bem como inventar disciplinas como algumas cujos nomes saíram nos jornais, é absurdo.
Agora, aumentar a carga horária do ensino médio é bom, bem como oferecer opções - mas isso custa dinheiro. Exige mais salas de aula e mais horas de aula. Por isso, a promessa do governo Temer não tinha como ser efetivada. (Na época, expliquei isso aqui com mais detalhes). Renato Janine Ribeiro.