09/06/2020
Reportagem que PRECISA ser lida e compartilhada como um incentivo à discussão científ**a e social sobre o racismo.
"(...) No Brasil, essa questão atinge níveis mais drásticos por duas razões: o racismo é velado e vivemos numa sociedade hierarquizada com base em privilégios. Ter privilégios signif**a usufruir de oportunidades e escolhas sem ter que pensar sobre isso, como ligar a to****ra de casa para ter água. Decisões que parecem banais, mas não são, por causa da existência de um conjunto de indivíduos da mesma sociedade que não têm as mesmas oportunidades. É justamente por possuir privilégios que é difícil entender que, apesar da liberdade para se esforçar e lutar pelo que se deseja, não são todos que atingem a linha de chegada com o mesmo sucesso. (...)
O racismo, portanto, se reproduz nessa estrutura de privilégios porque é dentro dela que o preconceito de cor exerce seu poder: criando obstáculos. Eles são feitos para os privilegiados que tendem a não enxergar as dificuldades e problemas enfrentados pelos outros, por inserir barreiras reais (dificuldade de acesso a educação, saúde, emprego, infraestrutura) e psicológicas (acreditar que não pode conseguir, autoexclusão). Quando a pessoa não atenta para as posições que ocupa numa escala de privilégio, dificilmente f**a explícito se ela está colaborando, mesmo que involuntariamente, com certas atitudes e ações que reproduzem o preconceito — pois ela está operando pela lógica do viés inconsciente. É justamente por possuírem privilégios que para muitos indivíduos é difícil entender que, apesar do esforço pessoal, existem, sim, pessoas que se beneficiam deles. No caso específico de uma sociedade ra***ta, em quantidade e frequência, são os negros e negras que carregam bagagens sem receber nenhum tipo de apoio. (...)
Você pode até achar que não é preconceituoso, mas um fenômeno do cérebro chamado viés inconsciente faz que as pessoas disseminem o racismo sem perceber. A boa notícia? Isso tem cura