Cris Reis

Cris Reis Poesia, Crônica e Visão Sistêmica.

12/01/2022

A minha presença. Que delicia é a minha presença. Só agora vejo que passei a maior parte da vida, ausente de mim. Fora do meu corpo. Voltar pro corpo tem sido um verdadeiro trabalho espiritual. Recuperar meu direito de respirar, de g***r, de me exercitar, de existir com calma, devagar, de me encontrar com o outro. Exercer meu direito de pertencer do jeitinho que sou e saber que pertenço porque nasci. E porque pertenço já não preciso da autorização de ninguém para pertencer, nem preciso agradar ninguém para ser aceita e amada. Meu Deus, que liberdade! Porque estou viva, pertenço, sou aceita e amada.

Chegar aqui e sentir o gosto gostoso da minha presença foi um trabalho de décadas que envolveu muito estudo, muitos erros e muitos mestres. Sou grata. Só de pensar que podia ter morrido sem sentir o quanto sou Divina! Esse adjetivo está aqui para pontuar a minha essência Divina. Quando eu ando, falo, sinto, penso, existo, amo, é Deus encarnado. Isso mesmo que você leu. Você também é Deus. Você também é Buda. Só precisa lembrar. Estou lembrando.

Acordei de um sono profundo de negação do meu ser divino. Me sinto ainda um pouco lenta após tantos anos de letargia. Mas, aos poucos, com cALMA, me movo experimentando essa presença divina em mim. É uma sensação indescritível. Estou, de fato, usando meus cinco sentidos. Acordei. Posso escutar com profundidade. Uso as palavras como quem faz amor. Silencio pra poder falar com o coração. Encontro as pessoas e nelas vejo Deus, reverencio. E dentro de mim, nasce um respeito profundo por mim mesma.

Respeito profundo por mim mesma. Nessa frase há desdobramentos inenarráveis! Respeito minha presença. Respeito minhas escolhas. Respeito meus erros. Respeito minha palavra. Respeito meu tempo. Respeito meu corpo. Respeito meu s**o. Respeito meu dinheiro. Respeito tudo o que já consigo manifestar no mundo. Respeito tudo o que ainda não dei conta de fazer. Respeito minha boa vontade. Respeito minha dedicação em tudo que faço. Respeito minha coragem de curar o meu ser. Respeito minhas limitações. Respeito minha história de vida. Respeito a história da minha família. Respeito minhas histórias de amor. Respeito os companheiros que já caminharam comigo. Respeito minha mãe. Respeito meu pai. Respeito a vida nos meus filhos.

O respeito reconhece o sagrado que há em tudo. Quanto mais respeito a minha presença, mais consigo respeitar as pessoas, o mundo e a vida. Quando mais respeito o outro, mais sou profundamente respeitada. Assim, a minha presença sagrada pode queimar em amor e ser uma vela acesa por onde eu for. Estou aqui. A minha presença.

ExtaziamentoSilenciar. Esvaziar. Desapegar. Recolher.  Entregar.Vendi meu carro, entreguei o apartamento que havia aluga...
30/11/2021

Extaziamento

Silenciar. Esvaziar. Desapegar. Recolher. Entregar.

Vendi meu carro, entreguei o apartamento que havia alugado, organizei minha vida financeira, olhei para minha relação com o dinheiro, me mantive sozinha (pela primeira vez na decisão de viver a solitude), respeitei a nova configuração na guarda compartilhada com o pai do meu filho (e a dor de passar menos tempo com ele), entre outras coisas como ter o celular roubado. Não houve nenhum aspecto da minha vida que não tenha sido movido de lugar. Tudo foi revirado.

Vivi um profundo vazio. Aquilo que em mim era estruturante, como minha casa, se dissolveu. Foram cerca de 20 anos vivendo no meu próprio lar, me locomovendo de carro, vivendo sempre numa relação afetiva estável. De repente, a minha bolha estourou e eu me vi vivendo uma vida inédita com muitos mestres me dando lições importantes na parada de ônibus, no próprio ônibus, no metrô, na rua, no uber, na casa dos meus pais (estou passando uma temporada com eles).

A abundância começou a se manifestar nas caronas, no cuidado das minhas amigas comigo, no amor e acolhimento recebido dos meus pais, no respeito que passou a existir pelo dinheiro que eu sempre tive (porém não sabia valorizar nem usar), na quitação de dívidas. Acionei uma chave interna que mudou tudo. Aquilo que chamava de vazio era, na verdade, um horizonte ensolarado (como esses de Brasília) que me apresentou infinitas possibilidades.

Quando disse sim pra esse processo de transformação, vi a vaidade, o ego e o orgulho que me cegavam derreterem no fogo divino. Como eu era arrogante, meu Deus! A simplicidade e a humildade começaram a florescer no meu coração. Nesse meio tempo, me aproximei da minha mãe como nunca tinha sido capaz e respirei meu feminino. Aprendi a reverenciar tudo o que se manifesta, aprendi que tudo tem o direito de existir como é, aprendi que posso ampliar meu coração para incluir tudo o que É. Entrei no fluxo.

Se há alguma linearidade nesse relato é pela exigência do texto, mas tudo aconteceu ao mesmo tempo, numa espiral de cura e transformação. Ainda estou no fogo da purificação, reescrevendo as imagens internas que até hoje insistem em me manter presa no tempo passado, no entanto, já colho frutos desse plantio de Silêncio, disciplina, entrega e devoção.

O espaço interno aberto por essa experiência pôde receber Luz, Paz e Amor. Antes, estava ocupado demais, cheio demais, barulhento demais, agitado demais. Não havia possibilidades para além do padrão de sofrimento que eu vivia. Com o espaço aberto anunciando o horizonte de luz, prosperidade, alegria incondicional e expansão da consciência eis me aqui respirando minha presença no mundo e cheia de gratidão por viver essa transição interna ao lado dos meus pais, filhos e amigas e, principalmente, ao lado da minha família espiritual céu da hoaska.

Todo esse caminho de cura foi aberto pelo vinho da alma, a sagrada Ayahuaska, minha professora. Há três anos tenho comungado o chá no céu da hoaska (de 15 em 15 dias) na Guiança do Mestre Roberto e de meus guias espirituais.

Escrevo hoje para agradecer e para testemunhar que sou um horizonte aberto cheio de beleza, paz, amor, espontaneidade, alegria e or****os múltiplos. Agradeço a Deus pai e mãe por ter me concedido o merecimento de viver nessa Luz, agradeço aos meus pais pela vida e tudo que me deram, agradeço aos meus filhos que são meus mestres na vida, agradeço as minhas amigas que me acompanham, agradeço a todos os companheiros que já estiveram do meu lado e enriqueceram minha vida, agradeço a família do céu da hoaska por me acolher e me ensinar tanto.

Extaziamento foi uma palavra trazida por um ser de luz que conheci. Segundo ele, é uma mistura de êxtase com esvaziamento. Risos. Entendi tudo. Para acessar o êxtase que está disponível aqui e agora, é preciso esvaziar, silenciar, desapegar, entregar. Me sinto em completo estado de extaziamento.

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Guará, DF

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