18/04/2021
Na série "HISTÓRIAS E VIVÊNCIAS COM O TEA", chegou a hora de conhecer a história da Maria Clara. 💙 Acompanhe...
"Meu sonho sempre foi ser mãe, então, em 2008 engravidei e em abril de 2009 nasceu nossa tão sonhada menina, Isabella, linda, cheia de vida, amorosa, esperta e de uma personalidade forte. Até então, achávamos que nossa família estava "completa"...
Mas...Como a vida é cheia de surpresas, às vezes, boas e outras infelizmente não, em 2016 perdemos minha sogra, uma perda inestimável, a tristeza e o vazio eram grandes, com isso, veio os pedidos da Bella por um irmãozinho (a), então, começamos a pensar na hipótese. O Charles sempre quis ter outro filho e a oportunidade estava ali, nós merecíamos e a Bella, principalmente, preencher e alegrar nossas vidas novamente...
Foi então, que em 2017 engravidei, e eu, ah, eu queria outra menina, e assim foi, esperava nossa tão planejada e amada Maria Clara, uma gravidez tranquila, cheia de amor, expectativas e felicidades. O interessante é que o assunto Autismo já me chamava a atenção nessa época, acredito que foi instinto de mãe. Nossa pequena veio ao mundo em janeiro de 2018, numa cesárea perfeita, tão linda, perfeitinha, cheia de saúde, chegou nos trazendo uma grande felicidade.
Maria Clara alcançou todos os marcos até 1 ano e 6 meses. Sorria para nós, balbuciava, interagia, fazia bichinho, cantava parabéns, batia palminhas, mandava beijinhos, mas nunca deu o famoso "tchauzinho" (até hoje ela não sabe dar), caminhou no tempo certo, sentou...tudo que um bebê "típico faz".
A partir daí, ela começou a se fechar no mundinho dela, chamávamos, ela não atendia, não nos olhava nos olhos, não se comunicava...
Porém, aos 2 anos já sabia todas as cores, formas geométricas, reconhecia todas as letras do alfabeto e os números, (em português e inglês). Nunca teve birra, sensibilidade ao som, seletividade alimentar, mudança de rotina também não a incomoda.
Os primeiros sintomas, citados acima, começaram a nos preocupar, foi aí que começamos a "saga".
Primeira consulta com o neuro, já veio o baque: - Tua filha têm atraso no desenvolvimento e sinais que apontam para o autismo. Saímos do consultório sem chão, arrasados, coração em pedaços...encaminhamento para terapias, exames e APAE.
Foi aí que entrei no mundo "Autista", eu precisava aprender e entender sobre o assunto, para poder ajudar minha filha, olhei e li tudo que se tratava do TEA. (Até hoje eu faço isso).
Sem rumo, começamos nossa caminhada, sem dinheiro, porque a pandemia recém tinha começado e nós trabalhamos com eventos. Minha amiga deu a ideia de uma rifa, e assim fizemos, arrecadamos fundos para alguns meses de tratamento. Tivemos e ainda temos muita ajuda da nossa família e amigos.
Precisávamos de terapia e como minha sobrinha é paciente da Andréa, minha cunhada falou com ela (a Fono da Clarinha), que com todo carinho conseguiu nos encaixar em seus tão disputados horários. A bandeira era preta, não tinha atendimento presencial, mas nossa pequena precisava o quanto antes começar as estimulações. A Andrea então, teve a ideia de fazer os atendimentos via chamada de vídeo e assim foi, acredito que uns dois meses, ela me passava tudo que eu tinha que fazer e nós fazíamos, e os resultados foram vindo, mesmo pela "telinha".
Em meio a isso tudo, resolvemos trocar de neuro, ficamos com ele 5 meses, porém, saíamos de lá mais angustiados do que quando entravámos. Fizemos vários exames, de sangue, eletroencefalograma, bera e audiometria, todos normais, aliás, o eletro, segundo ele, aparecia algo que não deveria aparecer para a idade dela, mas ele não nos dizia o que ela tinha, apenas nos deu um remédio controlado, para darmos a ela, no qual, resolvemos não dar, pois não concordávamos com que ele dizia que ela tinha...
Ela continuava com a fono (que já tinha me dito que ela estava dentro do TEA) e na escolinha. Clarinha já era outra criança...
Por decisão, partimos para a terceira e última neuro, que nos disse o mesmo que a Andréa, nossa princesa é Autista leve. Me senti aliviada. Aceitei, pois já tinha passado pela negação e pelo luto, sim sofremos, a gente sofre, mas depois arregaçamos as mangas e lutamos por eles.
A jornada não é fácil, mas também não é impossível, nossos Anjos azuis podem ser o que eles quiserem ser, com amor de uma família, (e que família temos, eu não vou citar nomes, eles sabem quem são, são nossos anjos na terra) e com as terapias (terapeuta essa, que nós tiramos o chapéu, que faz o que faz por amor e com esplendor. Que nos acalma e nos dá esperança sempre).
Graças a trabalho dela, nossa Clarinha voou, e vai voar longe, no tempo dela...O desenvolvimento é notório, todos os dias.
Hoje, ela já atende pelo nome, atende comandos simples, olha mais nos olhos, fala tudo, sabe tudo, é muito inteligente, amorosa, um doce de criança, adora um colinho e um carinho. Ainda não sabe contar coisas passadas, mas eu sei e acredito que ela vai chegar lá.
E sabe porque? Porque ela teve uma estimulação precoce e tem todo o amor e apoio de uma família que acredita nela. Não desistiremos nunca, pois quem mais ganha com isso é nossa amada filha.
Maria Clara, 3 anos 3 meses💙"
*O texto e a foto foram autorizados pela mãe da criança.