04/10/2020
Compartilhamos aqui uma história de conquista que vale a pena, completamente identificada com o propósito do nosso projeto. A inspiração para o texto surgiu por presenciarmos a emoção da aluna Nelci Rosa Lermen, de 65 anos, ao receber troféu e prêmios (TV, kit escolar e 50% na escola Domínio) do Aluno Nota 10. Suas lágrimas de alegria contagiaram a todos que estavam presentes no encerramento, no último dia 30 de setembro, no Parque Mini Mundo. Então vai lá...Qual a relação da Nelci com o Aluno Nota 10? Ela é uma Aluna Nota 10!
Aos 64 anos, ela foi até a Escola Municipal Mosés Bezzi informar-se sobre o EJA, pois estava determinada a voltar a estudar. Conta que estudou até o 4º ano do fundamental e que seu sonho de estudar nunca terminou e, literalmente, sonhou pelo menos três vezes que estava em sala de aula, com materiais e cadernos bonitos, mas que, quando abria o caderno, tudo aquilo de desfazia e vinha o medo de sentir vergonha, de se sentir humilhada por saber menos do que os outros. O primeiro enfrentamento de Nelci foi o medo, pois não lhe faltava incentivo da família para a realização do seu sonho em sala de aula. Portanto, ao chegar na Mosés e entrar em contato com o diretor Daniel e a vice Inês, ela já havia superado os principais entraves para voltar a estudar: medo e vergonha.
Lá na Mosés, foi muito bem recebida no primeiro dia pelo Daniel, que apresentou a estrutura e com quem pode abrir o seu coração e falar do principal temor que era ser chamada a ler em público de imediato. Disse que precisaria de alguns dias, pois sabia ler, mas travava ao ser chamada a fazer isso em público. Só essa declaração de Nelci é o suficiente para todos nós sentirmos empatia, não é? Quem na vida não tremeu ao ler em voz alta? Se tiver alguém que levante a mão, please!
Pois bem, voltando a nossa aluna premiada...Durante quatro meses de 2019 ela teve uma ótima experiência em sala de aula, com rápida evolução, tendo como protagonista principal desse sucesso a professora Andréia. Por azar do destino, 2020 veio na contramão e afastou Nelci da sala de aula, mas não da escola. O aprendizado, no entanto, está ocorrendo apenas por trabalhos, o que ela considera muito difícil. Ela diz que é muito melhor interagir com a professora e com os colegas. Aprende-se muito mais rápido. “Junto é melhor!”, afirma.
Sobre querer se formar em alguma coisa, a aluna diz que não tem nenhum projeto nesse sentido. Estudar para ela significa se preparar para a vida. “Eu preciso sobreviver e me defender quando e tiver 70 ou 80 anos. Estudando tenho certeza de que será melhor. Preciso estudar mais Língua Portuguesa, matéria em que apresento mais dificuldade, pois na Matemática eu me viro bem. E tem os outros conteúdos...”.
A nossa matéria com Nelci termina aqui, mas não a admiração. Nada poderia ser mais gratificante do que encerrar a 7ª edição ouvindo uma história de vida tão linda, de uma mulher com tanta clareza sobre a importância do saber, do conhecimento.
Que a sua existência entre nós seja motivo para repensarmos o quanto nos dedicamos ao aprendizado ou ao ensino.